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Foto de Coronilha

Foto: Lucas Carbone (CC BY) via GBIF

Coronilha

Scutia buxifolia

Rhamnaceae Mata AtlânticaPampa
  • até 20 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: canela-de-espinho, espinho-de-touro, laranja-brava, laranja-do-mato, laranjeira, laranjeira-do-mato, coronilho, curunilha, curunio, catarina

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação do APG III, a Scutia buxifolia integra a ordem Rosales (classificada como Rhamnales no sistema de Cronquist) e pertence à família Rhamnaceae, dentro do gênero Scutia. O binômio foi estabelecido por Reissek, com publicação inicial em Mart. Fl. Bras. 11(1): 93, no ano de 1861. Tem como sinonímia botânica Rhamnus coronula Larrañaga. Quanto à origem do nome, o gênero deriva do latim scutia, que significa bacia, em alusão ao cálice que envolve o fruto como uma; já o epíteto buxifolia indica a semelhança das folhas com as do gênero Buxus.

Descrição botânica

Espécie sempre-verde (perenifólia), com hábito que varia de arbustivo a arbóreo. Os indivíduos adultos de maior porte alcançam por volta de 20 m de altura e 40 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, aferido a 1,30 m do solo). O tronco costuma ser tortuoso e armado com espinhos robustos, que medem de 2,5 cm a 5 cm, podendo ultrapassar esse comprimento. A copa tem formato esférico e a ramificação é cimosa ou dicotômica; os raminhos terminais são tetragonais, tornando-se depois cilíndricos e acinzentados. A casca atinge até 10 mm de espessura, com a porção externa (ritidoma) escura, que se desprende em placas finas. As folhas são simples, glabras, de pecíolo curto (cerca de 1 mm), dispostas de forma oposta ou alterna, com formato lanceolado-ovado, ápice mucronado e base cuneada e estipulada; medem de 1,2 cm a 4 cm de comprimento por 1 cm a 2 cm de largura, com margem inteira ou levemente serreada. As flores, reunidas em fascículos axilares de 2 a 5 unidades, são hermafroditas, de coloração amarelo-esverdeada e cerca de 3 mm de diâmetro. Os frutos são drupas globosas que, ao amadurecer, ficam marrom-escuras a negro-arroxeadas, com 3 mm a 8 mm de diâmetro e, em geral, 3 sementes. As sementes têm tom marrom-claro e formato cordiforme.

Uso e ecologia
madeireiroenergéticoapícolamedicinalpaisagismorecuperação de áreas
Produtos e utilizações

Por ser uma madeira densa (1,11 g/cm³ a 1,148 g/cm³) e muito resistente ao ataque de organismos xilófagos, é considerada incorruptível e indicada para obras expostas, como mourões e esteios de pontes, além de trabalhos de torno e marcenaria. O alburno e o cerne são pouco diferenciados, ambos esbranquiçados, com textura fina e grã direita. A espécie também serve como lenha e carvão de boa qualidade, mas é inadequada para a produção de celulose e papel. No campo apícola, tem grande potencial melífero, fornecendo néctar e pólen. A casca reúne matéria tintorial e alcaloides medicinais potentes; vale lembrar que os relatos de uso medicinal são apenas registros de pesquisa e não substituem orientação ou cuidados médicos. De grande valor ornamental, figura entre as 100 principais nativas do Sul do Brasil e é recomendada para recuperação florestal no Paraná, sendo que seus galhos espinhosos servem de abrigo para ninhos de diversas aves.

Aspectos ecológicos

Trata-se de espécie que pode se comportar como pioneira, secundária inicial ou clímax. Demonstra certa agressividade ao colonizar áreas de campo. Sua regeneração natural foi observada sob Araucaria angustifolia e também em um povoamento de Eucalyptus dunnii, na Embrapa Florestas, em Colombo (PR). No bioma Mata Atlântica, ocorre na Floresta Estacional Decidual (formação Baixo-Montana, no Rio Grande do Sul), na Floresta Ombrófila Densa (no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, onde é muito rara) e na Floresta Ombrófila Mista (formação Montana, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul). No bioma Pampa, aparece nos campos das coxilhas pampeanas do Rio Grande do Sul. Também se faz presente em matas ciliares (no Paraná e no Rio Grande do Sul), em capões e na restinga, ambos no Rio Grande do Sul.

Floração e frutificação

A floração se estende de junho a dezembro no Paraná, de julho a dezembro em Santa Catarina e ocorre em novembro no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem em janeiro e fevereiro no Rio Grande do Sul e entre maio e junho no Paraná.

Fauna associada

Sendo uma espécie hermafrodita, sua polinização é feita principalmente por abelhas e por uma variedade de pequenos insetos. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, ou seja, realizada pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos da própria árvore quando começam a cair, cortando-se os ramos frutíferos e batendo-os sobre uma lona para soltar os frutos; não é necessário despolpá-los, bastando uma leve secagem. Cada quilo reúne cerca de 143.000 sementes. Não há necessidade de tratamento pré-germinativo. As sementes apresentam comportamento fisiológico ortodoxo, o que favorece o armazenamento.

Produção de mudas

Indica-se a semeadura em sementeiras, com posterior repicagem das plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno médios; a repicagem pode ser feita de 2 a 4 semanas após a germinação. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares, e a emergência começa entre 25 e 60 dias após a semeadura. O poder germinativo é mediano, chegando a 50%, e as mudas atingem tamanho adequado para o plantio cerca de 6 meses após a semeadura.

Características silviculturais

Espécie esciófila e tolerante a geadas fortes. Seu hábito é tortuoso, sem dominância apical definida, com ramificação pesada, bifurcações e multitroncos, além de derrama natural fraca, o que exige podas frequentes de condução e de galhos. Recomenda-se o plantio misto.

Crescimento e produção

Há poucos registros de crescimento da espécie em plantio, mas sabe-se que seu desenvolvimento é lento. O fator de forma calculado em floresta natural é de 0,86.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.190 mm a 2.300 mm, ambos os extremos no Rio Grande do Sul. As chuvas são uniformes na maior parte do Sul do Brasil, com regime periódico apenas no sul do Rio Grande do Sul, onde a deficiência hídrica é leve, sendo nula no restante da área. A temperatura média anual fica entre 13,2 °C (São Joaquim, SC) e 19,2 °C (Santa Maria, RS); a média do mês mais frio varia de 9,4 °C a 12,9 °C e a do mês mais quente, de 17,2 °C a 24,6 °C. A mínima absoluta registrada foi de -10,4 °C, em Caçador (SC), podendo chegar a -17 °C em pontos do Planalto Meridional Sul-Brasileiro. As geadas são frequentes na maior parte da área de ocorrência, variando em média de 5 a 30 por ano, com até 57 em casos extremos. Pela classificação de Köppen, predominam os climas Cfa (subtropical, de verão quente), no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, e Cfb (temperado, de verão ameno), no centro-sul do Paraná e no Rio Grande do Sul.

Solos

Desenvolve-se de preferência em solos bastante úmidos, de fertilidade média e textura franco-argilosa.