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Foto de Copaíba

Foto: (c) Lera Miles, some rights reserved (CC BY), uploaded by Lera Miles (cc-by) via iNaturalist

Copaíba

Copaifera trapezifolia

Caesalpiniaceae Mata Atlântica
  • 10 a 20 mAltura
  • Grande portePorte
Crescimento rápidoMedicinaisMadeireirasRecuperação de áreas

Também conhecida como: pau-óleo, capuva, copuva, copaúva, óleo, óleo-amarelo, óleo-branco, óleo-copaíba, óleo-de-copaíba, óleo-preto, óleo-rajado, pau-d'óleo

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Seguindo o sistema de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas) e ordem Fabales, dentro da família Caesalpiniaceae (Leguminosae Caesalpinioideae). Foi descrita como Copaifera trapezifolia Hayne, em 1827, tendo Copaiba trapezifolia (Hayne) Kuntze como sinônimo botânico. O nome do gênero, Copaifera, remete a "aquele que produz a copaíba", enquanto o epíteto trapezifolia faz referência ao formato trapezoidal das folhas.

Descrição botânica

Árvore perenifólia que costuma medir de 10 a 20 m de altura, com diâmetro do tronco (DAP) entre 30 e 60 cm. Em Pernambuco pode chegar a 25 m, e na Região Sul alcança, na fase adulta, até 35 m de altura e DAP de 100 cm ou mais. O tronco é cilíndrico e reto, muitas vezes perfeito, com fuste que atinge 20 m de comprimento. A ramificação é dicotômica e forma uma copa ampla, arredondada e densa, em formato de guarda-chuva, com folhagem de verde-escuro intenso. A casca chega a 15 mm de espessura: por fora é acinzentada e áspera, geralmente com manchas brancas e fissuras finas longitudinais ou reticuladas, marcada por linhas transversais que correspondem às cicatrizes deixadas pelos pecíolos; por dentro tem tonalidade amarelo-esbranquiçada. As folhas são alternas, compostas e paripinadas, com até 7 cm de comprimento e de 5 a 9 pares de folíolos ovados a oblongos e subsésseis, medindo de 0,5 a 1,5 cm de comprimento por 0,3 a 0,6 cm de largura; o pecíolo, glanduloso, tem de 0,3 a 0,5 cm. As flores são pequenas e esbranquiçadas, agrupadas em racemos ou panículas axilares multifloras mais compridas que as folhas. O fruto é um legume com uma única semente, de formato elíptico oblíquo, medindo de 3 a 4 cm por 2 a 2,5 cm, com uma ponta que normalmente vira um espinho. A semente é escura e aromática, com 14 a 21 mm de comprimento por 10 a 14 mm de largura, recoberta por um arilo vermelho.

Uso e ecologia
madeireiromedicinalapícolarecuperação de áreasenergético
Produtos e utilizações

A madeira é bastante aproveitada em marcenaria de modo geral, na fabricação de móveis comuns e de luxo, lambris e laminados, além de usos especiais como mastros de barcos de pesca, implementos agrícolas, carretéis e coronhas de fuzil. Rende lenha de boa qualidade, mas não serve para a produção de celulose e papel. Do tronco extraem-se óleos essenciais, e a resina é empregada no tratamento do reumatismo. A espécie é indicada para a recuperação de ecossistemas degradados. Sua madeira é moderadamente densa (0,60 a 0,86 g/cm³ a 15% de umidade), com alburno bege-claro-rosado e cerne em geral avermelhado-escuro. A superfície é lisa a lustrosa e uniforme, de textura média, com grã reta ou ondulada, cheiro pouco perceptível e sabor levemente adstringente. É resistente à umidade e aos organismos xilófagos, mas os poros preenchidos por óleo-resina reduzem muito sua permeabilidade a produtos preservativos. Os madeireiros reconhecem variedades chamadas de preta, rajada, amarela e branca, sendo as três primeiras (preta, amarela e rajada) consideradas as melhores.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie clímax, codominante no estrato da floresta madura e com boa regeneração natural em diferentes camadas da vegetação. É característica e exclusiva da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica), nas formações baixo-montana, submontana e montana; na Região Sul, não aparece na planície quaternária do litoral. Em Pernambuco, habita encraves vegetacionais, matas serranas e brejos de altitude, integrando o segundo estrato da floresta. Em Santa Catarina, dentro da Floresta Ombrófila Densa, sua densidade varia de 10 a 15 árvores por hectare.

Floração e frutificação

A floração acontece de dezembro a março no Paraná, de fevereiro a março em Santa Catarina e em março em São Paulo. Os frutos amadurecem de julho a janeiro no Paraná, com pico entre outubro e novembro; de agosto a novembro em São Paulo; e de setembro a novembro em Santa Catarina.

Fauna associada

A planta é hermafrodita e tem na polinização a participação principalmente de abelhas e de diversos pequenos insetos. A dispersão é feita por animais (zoocórica): o pau-óleo é muito procurado por aves e por pequenos mamíferos, com destaque para o mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides), que consome o arilo e espalha as sementes.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos quando maduros, porém ainda fechados, e a abertura (deiscência) deve ocorrer em local arejado; depois disso, as sementes são separadas manualmente do arilo. A coleta no chão é mais simples e rende mais, embora possa ser inviável onde há predadores. Cada quilo reúne de 560 a 670 sementes. A dormência decorre do depósito de cumarina no tegumento, sendo menos acentuada que a de C. langsdorffii (copaíba), que exige embebição e lavagem em água fria por 48 a 72 horas antes da germinação. Sementes recolhidas das fezes do mono-carvoeiro germinaram 100% em 7 dias, ao passo que sementes sem tratamento de dormência atingiram apenas 85% após 26 dias. Em condições de ambiente não controlado, as sementes mantêm a viabilidade por cerca de 1 ano.

Produção de mudas

Indica-se semear duas sementes por recipiente, em sacos de polietileno de pelo menos 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubetes de polipropileno de tamanho grande. A germinação é epígea, começa entre 10 e 30 dias após a semeadura e em geral é alta, acima de 80%. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 6 meses depois de germinarem. As raízes não estabelecem associação simbiótica com Rhizobium.

Características silviculturais

É uma espécie esciófila, que suporta sombreamento moderado sob vegetação arbórea, e medianamente tolerante a baixas temperaturas, aguentando até -5ºC na relva. Tem crescimento monopodial, com galhos inicialmente plagiotrópicos e depois ortotrópicos, e boa desrama natural. O plantio puro a pleno sol não é recomendado; o ideal é o plantio misto com espécies heliófilas de crescimento rápido, ou em faixas abertas na vegetação arbórea, dispondo as mudas em linhas. Rebrota da touça após o corte. Atualmente é rara em Pernambuco, em razão da quase total destruição da vegetação serrana, o que reforça a importância da conservação de seus recursos genéticos.

Crescimento e produção

O crescimento da espécie é lento.

Clima

A precipitação média anual vai de 600 mm em Pernambuco a 3.700 mm na Serra de Paranapiacaba (SP). As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano na faixa litorânea do Sul e Sudeste, mas periódicas em Pernambuco, concentrando-se no verão ou no inverno. A deficiência hídrica é nula no Sul e Sudeste e de moderada a forte em Pernambuco, onde a estação seca pode durar até 6 meses. A temperatura média anual oscila entre 18,7ºC (Orleães, SC) e 26,5ºC (Floresta, PE); a média do mês mais frio fica entre 14,2ºC (Orleães, SC) e 26,5ºC (Caruaru, PE), e a do mês mais quente entre 22ºC (Sete Barras, SP) e 27,7ºC (Floresta, PE), com mínima absoluta de -5,8ºC (Orleães, SC). As geadas variam de 0 a 3 por ano, em média, podendo chegar a 10 na Região Sul, mas predominam locais sem geadas ou com geadas pouco frequentes. Pelo sistema de Köppen, os climas são tropical (Af e Aw) e subtropical (Cfa), este no nordeste do Rio Grande do Sul e no sul de São Paulo.

Solos

A espécie cresce naturalmente em solos bem drenados, com textura que vai de arenosa a franco-argilosa.