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Foto de Copaíba

Foto: Mauroguanandi (Public domain) via Wikimedia

Copaíba

Copaifera langsdorffii

Caesalpiniaceae CerradoMata AtlânticaCaatingaAmazônia
  • 5 a 15 m (até 35 m)Altura
  • Médio portePorte
Raras / ameaçadasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: bálsamo, capaíba, capaúba, copaí, copaúba, copaíba-preta, copaíba-da-várzea, copaíba-vermelha, copaibeira, copaibeira-de-minas, copaúva, cupaúva, cupiúva, oleiro, óleo, óleo-amarelo, óleo-capaíba, óleo-copaíba, óleo-pardo, óleo-vermelho, óleo-de-copaíba, pau-óleo, pau-óleo-de-copaíba, pau-óleo-do-sertão

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação de Cronquist, a copaíba (Copaifera langsdorffii Desfontaines) pertence à divisão Magnoliophyta (Angiospermae), classe Magnoliopsida (Dicotiledonae), ordem Fabales e família Caesalpiniaceae (Leguminosae Caesalpinioideae). São reconhecidos como sinônimos botânicos Copaifera grandiflora (Bentham) Malme e Copaifera nitida Hayne. O nome do gênero Copaifera traduz-se como 'aquele que produz a copaíba', enquanto o epíteto langsdorffii presta homenagem ao botânico russo Langsdorff.

Descrição botânica

Árvore semicaducifólia que em geral mede de 5 a 15 m de altura, com DAP de 20 a 60 cm, podendo chegar a 35 m e 100 cm de DAP quando adulta em floresta pluvial. No Cerrado e na Caatinga assume porte mais baixo, de 1,80 a 10 m, e nos campos rupestres da Serra da Bocaina (MG) torna-se arbustiva, com cerca de 1,20 m. O tronco é cilíndrico, curto e tortuoso, com fuste de até 12 m. A ramificação é racemosa e a copa, larga e de folhagem pouco densa, exibe uma tonalidade avermelhada inconfundível no início da primavera. A casca chega a 17 mm de espessura; externamente é vermelho-escura nas árvores jovens e marrom a cinza-escura nas velhas, áspera, soltando-se em lâminas (jovens) ou placas retangulares (adultas), enquanto a casca interna é rosa-clara, amarga e libera resina perfumada. As folhas são compostas, alternas e paripinadas, com até seis pares de folíolos de 2 a 4,5 cm de comprimento por 1 a 2 cm de largura, pecíolo glanduloso de 1 a 1,5 cm; as folhas novas, rosa-claras, ajudam na identificação. As flores são zigomorfas, apétalas, com quatro sépalas livres e corola branco-amarelada a creme-rosada, medindo de 4 a 6 mm de comprimento (ou 8 mm de diâmetro quando totalmente abertas); perfumadas e efêmeras, reúnem-se em panículas terminais de até 10 cm que cobrem quase toda a copa, com 5 a 35 flores cada. O fruto é um legume unispermo, deiscente, estipitado e obliquamente elipsóide, avermelhado quando jovem e marrom ao amadurecer, rico em óleo, de 4 a 5 cm por 2 a 3 cm; ao abrir, mostra a única semente presa pelo funículo. A semente é elipsóide, exalbuminosa, de testa lisa, negra e brilhante, parcialmente recoberta por um arilo funicular amarelo-alaranjado, medindo de 10 a 19 mm de comprimento por 7 a 10 mm de diâmetro.

Uso e ecologia
madeireiromedicinalpaisagismorecuperação de áreasapícolaenergia
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,64 a 0,86 g/cm³ a 15% de umidade), com alburno bege-claro-rosado bem distinto do cerne castanho-avermelhado-escuro, este último frequentemente marcado por veios escuros e manchas irregulares. Tem superfície lisa e lustrosa, textura média e uniforme, grã direita ou irregular, cheiro imperceptível e sabor levemente adstringente. É durável e bastante resistente a organismos xilófagos, embora estacas enterradas mostrem vida média inferior a 3,5 anos; apresenta baixa permeabilidade a preservantes sob pressão e tende a empenar e rachar na secagem. É empregada em construção civil (vigas, ripas, caibros, marcos de portas e janelas, tábuas), peças torneadas, coronhas de armas, cabos de ferramentas e vassoura, implementos agrícolas, carrocerias, marcenaria, móveis, revestimentos, laminação, compensados e construção naval. Como combustível rende lenha de qualidade regular, mas o alto teor de lignina a torna boa para álcool, coque e carvão. Não serve para celulose e papel (fibras de 1,105 mm). O produto mais notável é o bálsamo ou óleo, obtido por incisões no tronco: uma única árvore pode fornecer até cinco galões em 2 a 3 horas, ou até 50 litros. Tão puro que pode ser usado sem refino, já serviu como combustível caseiro, em barcos a motor e até em motores diesel, além de ser muito procurado pelas indústrias de cosméticos, plásticos, resinas, tintas e vernizes. Na medicina popular, a resina, a casca e o óleo são tomados em chá, com propriedades anti-sépticas, cicatrizantes, carminativas, expectorantes, diuréticas, laxativas, estimulantes, emolientes e tônicas, indicados em tosses, bronquites, disenteria, problemas urinários (incontinência, cistite, leucorreia), feridas, eczemas, psoríase, urticária, caspa e acne; no meio rural nordestino, o óleo é usado para cicatrizar o corte do umbigo de recém-nascidos.

Aspectos ecológicos

É classificada como espécie secundária tardia a clímax, ou clímax tolerante à sombra, havendo também quem a considere clímax exigente de luz. Indivíduos jovens regeneram-se bem a pleno sol, colonizando áreas abertas, capoeiras e clareiras com menos de 60 m². Trata-se de árvore longeva e de grande plasticidade ecológica, encontrada em muitos hábitats: sobretudo no Cerrado e no Cerradão, mas também em Caatinga/Mata-Seca, Floresta Estacional Semidecidual (formações Aluvial, Submontana e Montana), Floresta Estacional Decidual (Vale do Rio Paranã, GO), Floresta Ombrófila Densa Submontana e Floresta de Tabuleiro no norte do Espírito Santo, além de campinarana em Rondônia, encraves do Nordeste e remanescentes de savana no Paraná; é rara a ocasional em campos gerais e campos rupestres ou de altitude. Levantamentos fitossociológicos registram de 5 a 365 árvores por hectare, com 90 por hectare na Chapada do Araripe (CE) e até 658 plantas por hectare em cerrado paulista.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de outubro a abril em São Paulo, de novembro a março em Minas Gerais, de dezembro a janeiro em Goiás e no Distrito Federal, de janeiro a março no Paraná, de março a abril no Rio de Janeiro e de junho a julho no Ceará e em Pernambuco. Em São Paulo o florescimento não ocorre todos os anos, e na região de Alfenas (MG) cada árvore permanece florida por cerca de dois meses. Os frutos amadurecem de junho a agosto no Distrito Federal e no Espírito Santo, de julho a setembro em Minas Gerais e no Paraná, de agosto a setembro no Rio de Janeiro e de agosto a outubro em São Paulo. Embora a reprodução costume começar entre 20 e 30 anos, plantios no centro-oeste do Paraná frutificaram já aos 5 anos.

Fauna associada

A copaíba é hermafrodita, de reprodução mista e predominantemente alógama. A polinização tem características de melitofilia, com provável atuação da abelha-européia ou africanizada (Apis mellifera) e da irapuá (Trigona spinipes). A dispersão é zoocórica e as aves têm papel importante: dez espécies foram registradas, como o tucanuçu (Ramphastos toco), a gralha-do-campo (Cyanocorax cristatellus) e o sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris), que engolem o arilo e regurgitam a semente. O muriqui (Brachyteles arachnoides) e o macaco-prego (Cebus apella nigritus) abrem o fruto e, ao engolir a semente, promovem dispersão endozoocórica. Por crescer com frequência junto a cursos d'água, também ocorre dispersão hidrocórica. As flores são melíferas, ricas em néctar e pólen, favorecendo a apicultura.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos podem ser colhidos ainda verde-avermelhados, quando o teor de cumarina nas sementes é menor, deixando-os amadurecer no armazenamento; estão totalmente maduros ao ficarem secos e abertos, com a semente marrom à mostra. Em São Paulo, a maturidade fisiológica foi observada entre 196 e 203 dias após o florescimento, com teor de água de 44% a 47% e semente marrom-escura. A extração é manual, retirando-se o arilo (que inibe a germinação) antes de secar. Há de 1.720 a 3 mil sementes por quilo. As sementes apresentam dormência causada pela cumarina no tegumento, mas germinam bem; entre os tratamentos pré-germinativos indicados estão a imersão em água corrente por 88 horas, em ácido sulfúrico concentrado por 5 a 15 minutos, estratificação em areia úmida por 15 dias, imersão em éter por 20 minutos, e lavagem em água por até 72 horas, trocando-a duas vezes por dia. Sem tratamento, a germinação fica entre 12% e 59%; com tratamento, chega a 81%. São sementes de comportamento ortodoxo, conserváveis a longo prazo: em câmara seca (10ºC e 30% UR) mantêm alta viabilidade e vigor após 4 anos, enquanto em câmara fria a 4ºC sementes de Cerrado preservam boa germinação por 36 meses. Em condições ambientais, porém, sementes de Cerrado perdem a viabilidade após cerca de 450 dias, e as de mata ainda germinam 56% após 475 dias.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras para posterior repicagem, ou duas sementes por saco de polietileno de no mínimo 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro, ou ainda em tubetes de polipropileno de tamanho médio; a repicagem é feita de 2 a 4 semanas após a germinação. A germinação é epígea e começa entre 6 e 66 dias após a semeadura, alcançando até 96% com superação de dormência e até 59% sem ela. As mudas crescem devagar e ficam prontas para o campo cerca de 9 meses depois da semeadura. Mudas de raiz nua pegam mal no campo, e em viveiro recomenda-se 50% de sombreamento. As raízes formam micorrizas arbusculares, com dependência de Glomus clarum em solos de baixa fertilidade. A propagação por estacas caulinares apicais é considerada difícil.

Características silviculturais

Espécie de caráter semi-heliófilo a heliófilo, com tolerância ao sombreamento e mediana resistência ao frio: tolera geadas fracas em São Paulo, mas é sensível a 0ºC na Serra da Mantiqueira (MG). Tem crescimento simpodial, fuste pouco definido, caule acamado, muitas bifurcações e forte ramificação lateral desde a base; como a desrama natural é deficiente, exige podas frequentes de condução. Pode ser plantada a pleno sol em consórcio com pioneiras, em faixas abertas na vegetação secundária ou em linhas, e rebrota da touça e das raízes após o corte. Em sistemas agroflorestais na Bolívia, é indicada para quebra-ventos, com espaçamento de 4 a 5 m entre árvores. A espécie consta da lista de plantas ameaçadas de extinção em São Paulo, onde sua conservação genética é feita por populações ex situ e in situ; estima-se que a área mínima viável para conservação in situ seja de pelo menos 8,3 hectares, com a maior parte da variação genética (87%) ocorrendo dentro das populações.

Crescimento e produção

O crescimento é lento a moderado. A produtividade volumétrica máxima registrada em plantios foi de 6,60 m³/ha/ano aos 14 anos.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 800 mm, na Bahia, a 2.400 mm, no Maranhão, com chuvas bem distribuídas no centro-leste do Paraná e no sudoeste de São Paulo e concentradas no verão (inverno seco) nos demais estados. A deficiência hídrica varia de nula a forte conforme a região. A temperatura média anual fica entre 17,6ºC (Jaguariaíva, PR) e 27ºC (Floriano, PI). O número de geadas vai de 0 a 12 por ano em média, podendo chegar a 28 no centro-sul do Paraná, mas predomina a ausência de geadas. Os tipos climáticos de Köppen abrangem tropical (Af e Aw), subtropical úmido (Cfa), temperado úmido (Cfb) e subtropical de altitude (Cwa e Cwb).

Solos

É espécie plástica quanto ao solo, vivendo tanto em terrenos férteis e bem drenados quanto em solos muito pobres, ácidos e álicos do Cerrado. Ocorre ainda em terrenos úmidos, sendo comum em matas ciliares, e aparece esporadicamente em Gleissolo. Em plantios, prefere solos de drenagem regular a boa e textura franco-argilosa a argilosa.