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Foto de Cincho

Foto: Hugo Hulsberg (CC0) via GBIF

Cincho

Sorocea bonplandii

Moraceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 15 mAltura
  • Médio portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: folha-de-serra, canxim, folha-miúda, folha-da-serra, guaricicia, laranjeira-do-mato, serralha-da-mata, sorocó, pau-santo, capiricica, espinheira-santa-falsa, leitinho, sinxo, soroca, bainha-de-espada, canapicica-de-folha-miúda, cega-olho, soroco, carapicica-de-folha-miúda, falsa-espinheira-santa, guareicica, serrinha, sorocaba

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Moraceae, o cincho tem como nome científico aceito Sorocea bonplandii (Baillon) W. C. Burger, Lanjouw & Wess, publicado por Boer em 1962 (Acta Bot. Neerl. 11:465). A espécie integra o gênero Sorocea, ordem Rosales segundo o sistema APG II (classificada em Urticales no sistema de Cronquist). Já recebeu outras denominações ao longo do tempo, como Sorocea ilicifolia, Sorocea spinosa e Pseudosorocea bonplandii. O nome do gênero deriva do tupi soróka, que remete à ideia de "desagregação de terras" provocada pela infiltração de água no subsolo, enquanto o epíteto bonplandii homenageia o botânico francês Aimée Bonpland (1773–1858). Fora do Brasil, é chamada de ñandipá na Argentina e ñandypa'i no Paraguai.

Descrição botânica

Trata-se de um arbusto ou árvore perenifólia que, na fase adulta, alcança cerca de 15 m de altura e 30 cm de diâmetro à altura do peito. O tronco é reto, cilíndrico e fino, normalmente com fuste curto; a ramificação é simpódica, formando copa ampla e densa de galhos delgados quase horizontais. A casca tem até 8 mm de espessura, com a parte externa lisa e cinza-clara marcada por lenticelas em fileiras horizontais; ao corte, a casca interna libera um látex amarelo-avermelhado considerado tóxico. As folhas são simples, alternas, de textura que varia de membranácea a coriácea, com 8 a 18 pares de nervuras secundárias, formato elíptico a oblongo, ápice acuminado, base aguda a obtusa e margem com pequenos espinhos; a face superior é glabra e brilhante e a inferior, opaca e pouco pilosa. O limbo mede de 4 a 20 cm de comprimento por 1 a 5 cm de largura, e o pecíolo, de 0,1 a 0,6 cm. As flores masculinas e femininas, numerosas, diminutas e verdes (2 a 5 mm), reúnem-se em cachos axilares de 1 a 5 cm, isolados ou aos pares. O fruto é uma núcula oblonga de 1 a 1,5 cm de comprimento por 0,5 a 0,7 cm de largura, verde quando jovem e escuro ao amadurecer, abrigando uma única semente esbranquiçada de 0,5 a 0,7 cm de comprimento e fino tegumento.

Uso e ecologia
recuperação de áreaspaisagismomedicinalmadeireiroalimentício
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,67 g/cm³), com alburno branco-amarelado e cerne bege-claro, textura média e grã direita; flexível, macia e fácil de trabalhar, tem resistência mecânica mediana e é bastante suscetível ao apodrecimento. Por isso, desde que protegida das intempéries e respeitadas as dimensões reduzidas do tronco, é empregada localmente em obras internas e caixotaria, além de cabos de ferramentas, arcos de peneira e outros artefatos curvos, graças à sua flexibilidade. Não serve para celulose e papel, mas rende lenha de qualidade razoável. O látex que escorre do tronco é tido como medicinal. No Paraguai, as folhas servem de forragem para bovinos e outros animais, e em Misiones, na Argentina, os frutos são consumidos por populações nativas, embora a planta não tenha relevância como frutífera.

Aspectos ecológicos

Há divergência entre autores quanto ao posicionamento sucessional da espécie, que é descrita ora como planta de sub-bosque, ora como secundária inicial, secundária tardia, clímax ou clímax tolerante à sombra. Estabelece-se tanto em clareiras pequenas (menos de 60 m²) quanto em grandes (mais de 100 m²). É encontrada na Floresta Estacional Decidual (formações Submontana e Montana, na Paraíba e no Rio Grande do Sul), com 88 a 255 indivíduos por hectare; na Floresta Estacional Semidecidual (Submontana, Montana e Alto-Montana, em Minas Gerais, Paraná e São Paulo), com até 37 indivíduos por hectare; na Floresta Ombrófila Densa (Terras Baixas, Submontana, Montana e Alto-Montana, em diversos estados), com até 48 indivíduos por hectare; e na Floresta Ombrófila Mista com araucária (formação Montana no Paraná e Rio Grande do Sul, e Alto-Montana no Maciço do Itatiaia). Também aparece em restinga na Paraíba, onde é rara, e em ambientes fluviais ou ripários no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo, com até 34 indivíduos em regeneração natural.

Floração e frutificação

A floração acontece de maio a agosto no Paraná e de julho a outubro no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem de outubro a dezembro no Paraná e de novembro a março no Rio Grande do Sul.

Fauna associada

Espécie dioica, tem a polinização realizada principalmente por abelhas e por diversos pequenos insetos. A dispersão das sementes ocorre por gravidade e também por animais silvestres não especializados e por aves, com destaque para sabiás (Turdus spp.) e araçaris (Pteroglossus spp.).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos quando mudam da cor vermelho-viva para preta; em seguida, as bagas são lavadas para separar a semente da polpa. Cada quilo reúne de 2.400 a 4.000 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. As sementes são recalcitrantes e perdem rapidamente a capacidade de germinar: por volta de 20 a 30 dias após a colheita o poder germinativo já cai bastante, o que inviabiliza o armazenamento prolongado.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e depois repicar para sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno de tamanho médio, fazendo a repicagem quando as plântulas chegarem a 5 a 6 cm de altura. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa de 30 a 40 dias após a semeadura, em geral com taxa superior a 50%. As mudas ficam prontas para o plantio definitivo de 5 a 7 meses após a semeadura.

Características silviculturais

O cincho é uma espécie esciófila e tolerante a baixas temperaturas. Seu hábito é tortuoso, sem dominância apical definida, com ramificação pesada, bifurcações e múltiplos troncos; como a desrama natural é fraca, exige podas frequentes de condução e de galhos. É indicada para plantios mistos, abertura de faixas em vegetação secundária ou plantio em linhas.

Crescimento e produção

Os dados disponíveis sobre seu desempenho em plantios são escassos, mas indicam crescimento lento.

Clima

A precipitação anual nas áreas de ocorrência varia de 900 mm em Pernambuco a 2.700 mm em São Paulo, com chuvas bem distribuídas na Região Sul (exceto norte e noroeste do Paraná) e no litoral paulista, e periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica vai de nula, no Sul e no litoral de São Paulo, a forte no inverno em parte de Minas Gerais e no centro de Mato Grosso. A temperatura média anual oscila entre 13,4 ºC (Campos do Jordão, SP) e 24,5 ºC (Tombos, MG), com mínima absoluta de -7,7 ºC e até 81 geadas por ano na região de Campos do Jordão. Pela classificação de Köppen, abrange os tipos Af, Am, As, Aw, BShw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Desenvolve-se naturalmente em vários tipos de solo, com destaque para os solos de várzea (Organossolos). Em ambientes fluviais e ripários, suporta encharcamento e inundação.