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Foto de Chichá-do-cerrado

Foto: Emma Walker (CC BY) via GBIF

Chichá-do-cerrado

Sterculia striata

Malvaceae CerradoMata AtlânticaPantanalCaatinga
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: chichá-do-cerrado, xixá, chichá, mendubi-guaçu, mandovi, amendoim-de-cutia, amendoim-de-macaco, arachachá, arichichá, castanha-de-macaco, castanheiro-do-mato, chichá-do-mato, pau-rei, amendoim-da-mata, chechá-do-norte, chichá-do-norte, pé-de-anta, sapucaia

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a espécie pertence às angiospermas, clado das eurosídeas II, ordem Malvales, família Malvaceae (na classificação de Cronquist, era enquadrada em Sterculiaceae) e gênero Sterculia. O nome científico aceito é Sterculia striata A. St. Hil. & Naudin, descrito originalmente em 1842 (Ann. Sci. Nat. Bot., sér. 2, 18: 213), tendo Sterculia lasiantha Mart. como sinônimo. Quanto à etimologia, o nome do gênero presta homenagem a Sterculus, divindade romana associada ao esterco, em alusão ao odor forte característico das plantas do grupo; já o epíteto striata deriva do latim striatus, ou seja, marcado por linhas longitudinais.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore de folhas decíduas. Os maiores indivíduos chegam perto de 25 m de altura e 50 cm de DAP na fase adulta, embora no Cerrado seja comum encontrar exemplares de apenas 8 m; em uma faixa de transição entre Caatinga e Cerrado, no Carrasco do município de São João da Fronteira (PI), próximo à divisa com o Ceará, ocorrem plantas com mais de 15 m. O tronco é reto e cilíndrico, com fuste em geral curto, de no máximo 10 m. A ramificação é dicotômica e a copa mede de 7 m a 10 m de diâmetro, com ramos grossos que guardam as marcas das folhas já caídas. A casca tem até 5 mm de espessura e o ritidoma (casca externa) é acinzentado. As folhas são palmadas, suborbiculares cordadas ou divididas em 3 a 5 lobos, glabras por cima e cobertas de pelos por baixo, com nervuras bem marcadas, atingindo de 24 cm a 28 cm tanto de comprimento quanto de largura, e pecíolo de 18 cm a 20 cm. A inflorescência aparece em panícula terminal e em racemos nas axilas das folhas mais altas, com brácteas e até 50 flores. As flores são bem pequenas, com cerca de 1,5 cm, monoclamídeas, actinomorfas e de pedicelo curto; nas masculinas os filetes se unem em um longo andróforo central, enquanto as femininas exibem um longo ginóforo, também central. O fruto é uma cápsula septicida com cinco valvas (ou menos, quando há aborto), em geral estipitadas, de pericarpo lenhoso e cor vermelha na maturação, medindo de 15 cm a 20 cm de comprimento por 5 cm a 7 cm de largura, com peso entre 70 g e 180 g e contendo de 9 a 20 sementes. As sementes são ovoides, de 1 cm a 2 cm de diâmetro, fixadas em placentas marginais e revestidas por sarcotesta.

Uso e ecologia
alimentíciopaisagismorecuperação de áreasapícolamadeireiro
Produtos e utilizações

Sua madeira é leve, com densidade de 0,50 g/cm³, e tem coloração clara, sendo o cerne quase indistinguível do alburno; é pouco resistente e de baixa durabilidade quando exposta. Por isso, tem aproveitamento limitado, voltado a obras internas, carpintaria e à fabricação de caixas, palitos de fósforo, lápis e brinquedos. A espécie também serve para produção de celulose e papel, embora forneça lenha de baixo poder calorífico. O maior destaque está no uso alimentar: a noz tem casca dura, verde-acinzentada que escurece com o tempo, e sua polpa branca é consumida pela população humana in natura, cozida ou torrada, além de entrar em receitas de pé-de-moleque e de paçoca doce ou salgada, sendo bastante apreciada no interior de Goiás, do Ceará e do Piauí. A análise nutricional da noz revelou 28,6% de lipídios, 22,5% de proteína e 45,8% de carboidratos. Vale ressaltar, porém, que o estudo dos ácidos graxos confirmou a presença de compostos com grupos ciclopropênicos, comuns em sementes de Sterculiaceae; por isso não se recomenda o consumo das amêndoas, e o óleo só seria próprio para uso comestível após a remoção desses ácidos. No campo da fitoquímica, da casca do caule foram isolados dois esteroides e dois triterpenos, e o extrato etanólico mostrou atividade antioxidante fraca, coerente com o baixo teor de fenóis totais.

Aspectos ecológicos

Em termos de sucessão ecológica, a espécie se enquadra entre pioneira e secundária tardia. É comum encontrá-la isolada na floresta, mas também em pequenos agrupamentos concentrados, tanto em formações primárias quanto secundárias. Na Mata Atlântica, ocorre na Floresta Estacional Decidual (formações submontana e montana, em Minas Gerais, com até 11 indivíduos por hectare) e na Floresta Estacional Semidecidual (formação submontana, em Minas Gerais). No Cerrado, aparece no cerrado stricto sensu, em Minas Gerais, e no cerradão (savana florestada), na Bahia, no Piauí e em São Paulo. No Pantanal, está presente na porção mato-grossense. Também habita ambientes ripários (mata ciliar) na Bahia, em Mato Grosso e em Minas Gerais; em um levantamento de 43 estudos de floresta ciliar do Brasil extra-amazônico, a espécie foi registrada em apenas dois deles (4,3%). Ocorre ainda na Floresta Estacional Decidual submontana de Goiás (até 11 indivíduos por hectare), em mata seca ou mata de cipó no norte de Minas Gerais, no Carrasco do noroeste do Ceará e em zonas de transição entre Cerrado e Caatinga, também no Ceará.

Floração e frutificação

A floração acontece de dezembro a março em Minas Gerais e de janeiro a abril no Distrito Federal. Os frutos amadurecem de maio a julho em Minas Gerais, de agosto a setembro no Distrito Federal e em setembro no Piauí.

Fauna associada

Espécie monoica, é polinizada sobretudo por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão é autocórica, do tipo barocórica (queda por gravidade), mas a maior parte das sementes acaba sendo consumida por aves e outros animais silvestres.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a abrir e a soltar as sementes, sendo que uma planta adulta rende de 100 a 180 frutos. Cada quilo reúne de 400 a 500 sementes, que germinam sem necessidade de tratamento prévio. A viabilidade é curta, não passando de 60 dias de armazenamento.

Produção de mudas

Recomenda-se semear diretamente em sacos de polietileno ou em tubetes médios. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa entre 20 e 30 dias após a semeadura, com poder germinativo médio de 70%. As mudas alcançam tamanho adequado para o plantio cerca de seis meses depois da semeadura.

Características silviculturais

Espécie heliófila, não suporta temperaturas baixas. Seu hábito segue o modelo arquitetural de Aubréville, com tronco monopodial e galhos plagiotrópicos por aposição, e tem capacidade de rebrota a partir da touça ou cepa. Pode ser cultivada a pleno sol, em plantios puros ou mistos, no espaçamento de 5 m x 5 m. Em sistemas agroflorestais, recomenda-se o consórcio com outras culturas, inclusive leguminosas.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre o desempenho da espécie em plantios, mas o crescimento é considerado moderado. Aos 10 anos, registrou-se incremento médio anual em volume de 10,40 m³/ha/ano.

Clima

A precipitação anual média varia de 800 mm, na Bahia e no Piauí, a 2.400 mm, no Maranhão, sob regime de chuvas periódicas. A deficiência hídrica de inverno vai de moderada a forte no oeste de Minas Gerais, norte de Goiás, centro de Mato Grosso, norte do Maranhão, Tocantins, oeste da Bahia e na depressão do sudoeste mato-grossense, chegando a forte no norte de Minas Gerais. A temperatura média anual oscila entre 21,1 ºC (Belo Horizonte, MG) e 29,4 ºC (Picos, PI); a média do mês mais frio fica entre 18,1 ºC e 26 ºC, e a do mês mais quente entre 22,2 ºC (Brasília, DF) e 30,9 ºC (Picos, PI). A mínima absoluta registrada foi de -2,2 ºC, em Uberaba (MG), em 21 de julho de 1981. Não há ocorrência de geadas. Pela classificação de Köppen, predomina o clima Aw (tropical com inverno seco) em grande parte da área de ocorrência, com Cwa (subtropical com inverno seco e verão quente) no nordeste de Goiás e em Minas Gerais, e Cwb (subtropical de altitude, com inverno seco e verão ameno) em Minas Gerais.

Solos

É uma espécie típica e indicadora de solos ricos em cálcio. Prefere terrenos profundos e bem drenados, mas tolera locais secos e pedregosos.