Cedrilho
Cedrela lilloi
- até 35 mAltura
- Muito grandePorte
Também conhecida como: cedro, cedro-do-brejo, catarina
Botânica
Pertencente à família Meliaceae e ao gênero Cedrela, dentro da ordem Sapindales, a espécie foi descrita por C. de Candolle em 1914. Conta com vários sinônimos botânicos registrados ao longo do tempo, entre eles Cedrela boliviana, Cedrela steinbachii, Cedrela herrerae e Cedrela angustifolia (no sentido de Adr. Jussieu). O nome do gênero deriva de Cedrus, em alusão ao aroma da madeira, comparável ao do cedro verdadeiro; a raiz grega kedros, por sua vez, remete a keein/kaiein (queimar, perfumar, purificar), já que a madeira de cedro era empregada para aromatizar ambientes. Já o epíteto lilloi homenageia o botânico argentino Miguel Lillo, que dá nome ao Instituto Miguel Lillo, em Tucumán, na Argentina.
Árvore decídua que, na fase adulta, pode alcançar cerca de 35 m de altura e até 150 cm de diâmetro à altura do peito. O tronco é reto e cilíndrico, com fuste de até 20 m de comprimento, e a ramificação é dicotômica, com ramos glabros, de tom castanho-pardo e numerosas lenticelas brancas bem salientes. A casca chega a 35 mm de espessura: a parte externa (ritidoma) é pardo-grisácea e bastante fissurada, com fissuras escamosas, enquanto a interna varia de rósea a pardo-amarelada, sendo fibrosa e de sabor amargo. As folhas são paripinadas e de tamanho variável, de 20 cm a 70 cm de comprimento, com pecíolo glabro e de 6 a 12 pares de folíolos, em geral opostos, de formato ovado-lanceolado a oblongo-lanceolado, com ápice acuminado que se prolonga em um filamento delgado; cada folíolo mede de 7 cm a 16 cm de comprimento por 2 cm a 4,5 cm de largura, com face superior verde-escura e inferior mais clara. A inflorescência é terminal ou subterminal, glabra ou pouco pubérula, de 15 cm a 50 cm de comprimento. As flores são unissexuais, de cor bege, com pétalas róseo-violáceas na face externa. O fruto é uma cápsula lenhosa pendente, de formato subesférico a oblongo, com cinco valvas, superfície áspera e pardo-escura, medindo de 2,6 cm a 5 cm; abriga sementes de brilho pardo que, incluindo a asa, têm de 3 cm a 4 cm de comprimento.
Uso e ecologia
Sua madeira é leve, com densidade aparente de 0,46 g/cm³. Em países como Argentina, Bolívia e Peru, é tida como madeira nobre, aplicada em carpintaria, e também fornece lenha de boa qualidade. Para a produção de celulose e papel, no entanto, não é adequada.
Classifica-se como espécie secundária inicial. Tudo indica tratar-se de um relicto de clima outrora mais frio e seco, que recuou durante o quaternário com o avanço de condições mais quentes e úmidas, restando apenas em alguns refúgios favoráveis. No Brasil, está associada à Mata Atlântica, sobretudo na Floresta Estacional Decidual do Alto Uruguai e na Floresta Estacional Semidecidual da formação aluvial da Bacia do rio Paraná, onde em Mato Grosso do Sul é chamada de pindaíva e tem ocorrência restrita e descontínua. Fora do país, integra a Selva Tucumano-Boliviana, na Argentina, e o Bosque Semidecíduo Montano, na Bolívia.
A espécie é hermafrodita. A floração ocorre de agosto a fevereiro no Rio Grande do Sul e de novembro a dezembro no Paraná e em Santa Catarina. Os frutos amadurecem de dezembro a março no Rio Grande do Sul, de março a abril no Paraná e de maio a junho em Santa Catarina.
A polinização é feita principalmente por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão das sementes é anemocórica, ou seja, realizada pelo vento.
Plantio e silvicultura
A colheita deve ser feita quando os frutos mudam da cor verde para o marrom-escuro. Depois de coletados, os frutos precisam secar em ambiente arejado para completar a abertura (deiscência), e as sementes são liberadas totalmente sacudindo-se os frutos. Cada quilo reúne cerca de 50 mil sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. Em ambiente de baixa umidade, porém, as sementes vão perdendo a viabilidade aos poucos.
Pode-se semear em sementeiras, com repicagem posterior, ou colocar duas sementes diretamente em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou ainda em tubetes de 200 cm³; antes da semeadura, convém retirar as asas das sementes. A repicagem é feita de 5 a 7 semanas após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa entre 21 e 55 dias após a semeadura, com poder germinativo bastante irregular, de 30% a 70%. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 6 meses depois da semeadura. No viveiro da Embrapa Florestas, usando terra de subsolo, observou-se desuniformidade entre as plântulas, crescimento atrasado e mortalidade considerável, ligada a problemas de viveiro e a características das raízes. Recomenda-se investigar a presença de fungos micorrízicos arbusculares nas raízes da espécie.
Trata-se de uma espécie heliófila que suporta baixas temperaturas. Seu hábito é irregular e variável, podendo chegar a forma satisfatória, com ramificação leve. Como a desrama natural é deficiente, exige podas de condução, decepa e poda dos galhos de forma periódica e frequente. Por suas características ecofisiológicas, mostra-se apropriada para plantios mistos.
Não existem dados sobre seu desenvolvimento em plantios, mas o crescimento é reconhecidamente lento. A espécie é rara em Mato Grosso do Sul e em Santa Catarina; em Mato Grosso do Sul, levantamentos recentes não a localizaram, embora sua ocorrência já tivesse sido registrada anteriormente.
A precipitação média anual varia de 1.300 mm, no extremo sul de Mato Grosso do Sul, a 2.300 mm, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. As chuvas são bem distribuídas na Região Sul (com exceção do norte do Paraná) e periódicas no extremo sul de Mato Grosso do Sul, onde há leve deficiência hídrica no inverno; na Região Sul essa deficiência é praticamente nula. A temperatura média anual fica entre 14,5 ºC (São Francisco de Paula, RS) e 18,7 ºC (São Miguel do Oeste, SC), com mínima absoluta de -9 ºC em Fraiburgo (SC), chegando a -12 ºC na relva. Ocorrem de 2 a 20 geadas por ano, com máximo de 40 na Região Sul. Pela classificação de Köppen, o clima é Cfa no extremo sul de Mato Grosso do Sul e Cfb no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Desenvolve-se melhor em solos profundos e úmidos, de textura argilosa a areno-argilosa. Solos rasos, com camadas de pedras ou lençol freático muito superficial não favorecem seu crescimento.