Cauvi
Pseudopiptadenia warmingii
- até 35 mAltura
- Muito grandePorte
Também conhecida como: angico, caoví, caubi, cambuim-angico, cambuí-vinhático
Botânica
Pelo sistema de classificação APG II, a espécie pertence ao clado das Eurosídeas I, ordem Fabales, família Fabaceae (chamada Leguminosae no sistema de Cronquist) e subfamília Mimosoideae. O nome científico aceito é Pseudopiptadenia warmingii (Bentham) G.P.Lewis & M.P.Lima, publicado em 1991 nos Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (30:54). Já recebeu outros nomes ao longo do tempo, hoje considerados sinônimos: Mimosa warmingii Benth., Newtonia glaziovii (Harms) Burkart, Newtonia warmingii (Bentham) G.P.Lewis comb. nov. e Piptadenia glaziovii Harms. O nome do gênero Pseudopiptadenia faz referência à semelhança com o gênero Piptadenia, enquanto o epíteto warmingii homenageia o naturalista Warming, que pesquisou a região de Lagoa Santa, em Minas Gerais.
Árvore semidecídua no inverno, cujos exemplares adultos podem alcançar cerca de 35 m de altura e 100 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é elevado e reto, por vezes tortuoso, com base reforçada por sapopemas bem desenvolvidas de 2 a 3 m de altura; o fuste atinge até 15 m. A ramificação é cimosa e grossa, de pontas finas, e a copa é ampla, em forma de leque, com folhagem verde-clara e pouco densa. A casca chega a 10 mm de espessura: a parte externa (ritidoma), nas árvores adultas, é acinzentada e rugosa, apresentando leves fissuras longitudinais e desprendendo-se em placas grossas, irregulares, pequenas e retangulares; a casca interna é bege-clara, com estrias mais claras ou escuras. As folhas são compostas e alternas, com 6 a 10 pares de pinas, estípulas pouco visíveis, glândula peciolar séssil arredondada ou ovalada e outras menores na raque; o conjunto pecíolo mais raque mede de 7 a 15 cm e cada pina, de 4,5 a 6 cm. Os folíolos são lineares, agudos a falciformes, herbáceos e discolores (glabros na face superior e pilosos na inferior), com 16 a 20 pares por pina, medindo de 4 a 7 mm de comprimento por 1 a 1,8 mm de largura. A inflorescência forma espigas alongadas axilares de 4,5 a 15 cm. As flores são brancas, de aroma adocicado, com 4 a 13 mm de comprimento. O fruto é um legume folicular oblongo, comprimido, de superfície reticulada e margens espessadas, coriáceo, levemente arqueado e pardo-escuro, com abertura pela sutura placentar; seu tamanho varia bastante, ficando em geral entre 12 e 35 cm de comprimento por 1,5 a 5 cm de largura, e abriga de 3 a 10 sementes cada. As sementes são ovaladas a quase circulares, muito achatadas lateralmente, de margem fina e estreitamente alada, com tegumento delgado e semitransparente de tom pardo-esverdeado, medindo de 2,5 a 3 cm de largura por 1,5 a 2 cm de altura e 1,5 a 2 mm de espessura.
Uso e ecologia
A madeira é moderadamente densa (0,75 g/cm³ a 15% de umidade), com cerne bege-rosado uniforme que escurece para castanho-claro e alburno pouco diferenciado, bege-claro levemente rosado. Tem textura média, superfície um pouco áspera e de brilho discreto, grã irregular e cheiro e gosto imperceptíveis. Apresenta resistência média a organismos xilófagos, com durabilidade comparável à da peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron); por ter os poros parcialmente obstruídos por óleo-resina, absorve mal as soluções preservantes sob pressão. Possui retratibilidade média e resistência mecânica entre alta e média. É empregada na construção civil em esquadrias, vigas, caibros, mourões, ripas, tábuas e tacos de assoalho, além de carrocerias e implementos agrícolas, e rende excelente lenha e carvão. Não serve, porém, para celulose e papel. Pelo porte e pela folhagem, também é indicada como planta ornamental.
É uma espécie secundária inicial, considerada rara, de ocorrência restrita, descontínua e isolada. Está associada ao bioma Mata Atlântica, na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Atlântica), nas formações Submontana e Montana, presente na Bahia, em Minas Gerais, no Paraná, no Rio de Janeiro, em Santa Catarina e em São Paulo.
A floração ocorre em outubro na Bahia e no Rio de Janeiro; de outubro a dezembro em Santa Catarina; de outubro a janeiro no Paraná; e em novembro em São Paulo. Os frutos amadurecem em julho em Santa Catarina e entre agosto e setembro no Paraná.
Trata-se de espécie monóica, polinizada sobretudo por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão é autocórica, do tipo barocórica, ou seja, pela ação da gravidade. O muriqui (Brachyteles arachnoides) se alimenta de suas flores.
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos quando mudam do verde para o marrom-escuro e, em seguida, abertos em local arejado para a retirada das sementes. Cada quilo reúne cerca de 7.500 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. O comportamento é recalcitrante: as sementes perdem rapidamente a capacidade de germinar quando armazenadas em ambiente comum.
Recomenda-se semear uma semente por recipiente, em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro (ou laminados de 18 cm por 8 cm), ou ainda em tubetes grandes de polipropileno. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com início da emergência entre 7 e 30 dias após a semeadura e taxa de 50% a 80%. As mudas ficam prontas para plantio cerca de 9 meses depois da semeadura. A espécie associa-se a bactérias do gênero Rhizobium.
O cauvi é uma planta heliófila e medianamente tolerante ao frio. Tem crescimento simpodial, com forma variável e irregular e dominância apical que aumenta com a idade. É indicado para plantio misto a pleno sol. No sul da Bahia, costuma ser mantido como árvore de sombra nas plantações de cacau.
Há poucos registros de plantios da espécie, mas o crescimento observado é lento.
A precipitação média anual nas áreas de ocorrência varia de 1.100 mm, em Minas Gerais, a 3.700 mm, na Serra de Paranapiacaba (SP). As chuvas são uniformemente distribuídas no leste do Paraná e de Santa Catarina e no sudeste paulista, uniformes ou periódicas na faixa costeira do sul da Bahia e periódicas nos demais locais. A deficiência hídrica é nula no leste do Paraná e de Santa Catarina e no sudeste de São Paulo; nula ou pequena no litoral do sul da Bahia; e moderada, no inverno, no sudeste de Minas Gerais e no nordeste do Rio de Janeiro. A temperatura média anual oscila entre 19,3 ºC (São Paulo, SP) e 24,3 ºC (Ilhéus, BA); a média do mês mais frio varia de 15,8 ºC a 22,1 ºC e a do mês mais quente, de 22,4 ºC a 26,5 ºC (Joinville, SC). A mínima absoluta registrada foi de -0,9 ºC (Morretes, PR). Na Região Sul podem ocorrer até três geadas por ano, embora normalmente sejam ausentes ou raras. Segundo a classificação de Köppen, abrange os tipos Af (tropical superúmido), Aw (tropical com inverno seco), Cfa (subtropical úmido) e Cwa (subtropical com inverno seco).
Cresce naturalmente em terrenos úmidos, de fertilidade química média, com textura arenosa e drenagem lenta.