Caujujão
Styrax acuminatus
- até 15 mAltura
- Médio portePorte
Também conhecida como: cajujo, canela, canelinha, peito-de-pomba, pau-de-remo, pororoca, bajueiro, bejueiro, estoraque, estoraque-do-campo, estoraque-do-cerrado, estoraque-do-mato, estoraque-liso, laranjeira, jacupira, jacutinga, jaguatinga
Botânica
Pela classificação do APG III, o caujujão pertence à divisão Angiospermae, clado das asterídeas, ordem Ericales, família Styracaceae e gênero Styrax. O binômio que o identifica é Styrax acuminatus Pohl, publicado pela primeira vez em 1831 (in Pl. Bras. 2: 58, t. 138). Entre os sinônimos botânicos reconhecidos estão Strigilia acuminata (Pohl) Miers, Styrax alutaceum Seub. e Styrax acuminatus var. alutacens (Seub.) Perk. O nome do gênero, Styrax, vem da antiga denominação grega do estoraque (Styrax officinalis L.), enquanto o epíteto acuminatus faz referência ao formato acuminado das folhas.
Trata-se de uma planta que varia de arbustiva a arbórea, com folhagem perene (sempre-verde). Os indivíduos de maior porte chegam a cerca de 15 m de altura e 30 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo) quando adultos. O tronco costuma ser um tanto tortuoso e o fuste, em geral, é curto. A ramificação é cimosa; os ramos são aproximadamente cilíndricos, com cerca de 2 mm de largura, e quando jovens lembram varetas, recobertos por um tomento curto castanho-acinzentado formado por escamas pequenas e pelos estrelados. A casca atinge até 5 mm de espessura e, externamente (ritidoma), apresenta coloração cinzento-escura, superfície áspera e pequenas manchas brancas. As folhas têm pecíolo de 6 mm a 1,5 cm, com tomento acastanhado ou amarelado; a lâmina é ovado-lanceolada, oblongo-lanceolada ou lanceolada, medindo de 6 a 12 cm de comprimento por 2 a 3,5 cm de largura, com base arredondado-cuneada ou cuneada e ápice lenta e estreitamente acuminado, terminando em ponta aguda. É cartácea, de margem inteira, levemente ondulada e quase imperceptivelmente revoluta. A face superior é glabra e a inferior tem pilosidade acinzentada a cinza-nigrescente, com pelos estrelados; as nervuras são pouco salientes na face superior e bem mais evidentes na inferior, onde de 7 a 10 pares de nervuras laterais encurvadas se dirigem à margem e se unem perto dela, formando uma retícula. As folhas jovens são pilosas nos dois lados. As inflorescências são axilares, reunidas em racimos curtos de 1 a 3 flores, com o eixo coberto por pelos estrelados acinzentados ou amarelados. As flores são esbranquiçadas, pediceladas e medem de 1,3 a 1,6 cm. O fruto é obovoide, de 1,5 a 1,7 cm, com cálice persistente e encimado por um estilete curto, espessado e piloso. A semente é elipsoide, com aproximadamente 8,5 mm de comprimento por 3,5 mm de largura.
Uso e ecologia
A madeira do caujujão é leve a moderadamente densa (0,48 a 0,59 g/cm³), de cor marrom, com cerne castanho-claro levemente rosado, mais escuro que o alburno. Apresenta superfície lisa ao tato, brilho discreto, grã direita, textura muito fina e homogênea, gosto e cheiro pouco perceptíveis e veteado suave com leves tonalidades castanhas. É uma madeira branca, bastante macia e de fácil trabalhabilidade. Entre os usos indicados estão a serraria (própria para obras internas e carpintaria), a produção de celulose e papel e o aproveitamento energético, já que rende lenha de boa qualidade. É possível ainda que a espécie produza estoraque — bálsamo obtido da resina de arbustos da família Styracaceae — ou substância semelhante.
O caujujão é classificado como espécie secundária tardia. Apesar de apresentar dispersão ampla, sua presença costuma ser pouco expressiva, ocorrendo de preferência nas submatas dos pinhais do Planalto Sul-Brasileiro. Foi observado em diferentes formações da Mata Atlântica: na Floresta Estacional Decidual (formação Submontana), no noroeste do Rio Grande do Sul, com cerca de um indivíduo por hectare (DAP ≥ 5 cm); na Floresta Estacional Semidecidual, nas formações Aluvial (Paraná, até cinco indivíduos por hectare), Submontana (Minas Gerais) e Montana (São Paulo); na Floresta Ombrófila Densa do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, onde é rara; e na Floresta Ombrófila Mista (com araucária), formação Montana, no Paraná, com até sete indivíduos por hectare. Também aparece em matas ciliares no Paraná e em floresta de brejo no Estado de São Paulo.
É uma espécie hermafrodita. A floração varia conforme a região: de agosto a outubro no Rio de Janeiro, de setembro a outubro em Santa Catarina e de dezembro a abril no Paraná. Os frutos amadurecem de setembro a novembro em Santa Catarina, de setembro a janeiro no Paraná e de fevereiro a março no Rio de Janeiro.
A polinização é feita sobretudo por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão de frutos e sementes ocorre por autocoria (queda por gravidade) e por zoocoria (transporte por animais).
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos da própria árvore assim que começam a cair espontaneamente, ou recolhidos do solo após a queda. Em seguida, devem ser amontoados por alguns dias até que a polpa comece a se decompor, quando as sementes são extraídas em água corrente sobre uma peneira. Cada quilo reúne cerca de 7.554 sementes. Como tratamento pré-germinativo, recomenda-se imergir as sementes em ácido sulfúrico a 75% por 30 minutos e depois lavá-las em água corrente, ou escarificá-las mecanicamente por 2 segundos; ainda assim, no viveiro da Embrapa Florestas, em Colombo (PR), sementes recém-colhidas germinaram sem qualquer tratamento. As sementes têm comportamento fisiológico recalcitrante, o que dificulta o armazenamento.
Indica-se semear uma semente por recipiente, em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio. Quando necessária, a repicagem deve ocorrer de 5 a 6 semanas após a germinação, ou quando a plântula alcançar de 5 a 7 cm de altura. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares, e a emergência começa de 25 a 35 dias após a semeadura. O poder germinativo é elevado, chegando a 80%, e a permanência no viveiro é de pelo menos 6 meses.
O caujujão é uma espécie esciófila e tolerante a baixas temperaturas. Tem forma levemente tortuosa, com dominância apical bem definida, ramificação pesada e bifurcações, além de derrama natural fraca — por isso exige podas frequentes, tanto de condução quanto de galhos. Pode ser cultivado a pleno sol em plantios mistos e tem a capacidade de rebrotar da touça ou da cepa.
Há poucos dados sobre o comportamento da espécie em plantios, mas o crescimento registrado é lento.
A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 1.300 mm (São Paulo) a 1.900 mm (Rio Grande do Sul), com chuvas uniformes e deficiência hídrica nula no Planalto Sul-Brasileiro. A temperatura média anual oscila entre 15,7 °C (Lages, SC) e 20 °C (Campinas, SP); a média do mês mais frio vai de 10,9 °C (Lages, SC) a 17,6 °C (Campinas, SP) e a do mês mais quente, de 19,9 °C (Curitiba, PR) a 24,9 °C (São Paulo, SP). A mínima absoluta registrada foi de -10 °C, em Palmas (PR). As geadas são frequentes em todo o Planalto Sul-Brasileiro, com ocorrência média de 1 a 15 por ano e amplitude que chega a 33. Segundo a classificação de Köppen, ocorre nos tipos Aw no oeste de Minas Gerais; Cfa no centro-norte do Paraná, Vale do Itajaí (SC) e noroeste do Rio Grande do Sul; Cfb no centro-sul do Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul; Cwa em São Paulo; e Cwb em Minas Gerais e São Paulo.
A espécie ocorre naturalmente em terrenos de profundidade variável, dos rasos aos profundos, e de fertilidade diversa — na maioria das vezes solos pobres e ácidos. A textura varia de franca a argilosa, em condições úmidas e bem drenadas, com pH entre 3,5 e 5,5.