voltar ao catálogo
Foto de Catanduva

Foto: Thomaz de Carvalho Callado (CC BY) via GBIF

Catanduva

Pityrocarpa moniliformis

Fabaceae CaatingaMata Atlântica
  • até 9 mAltura
  • Pequeno portePorte
MadeireirasRecuperação de áreas

Também conhecida como: amorosa, angico-de-bezerro, angico-surucucu, folha-miúda, jurema-preta, rama-de-bezerro, catanduba, carrasco, quipembé

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a espécie pertence à divisão Angiospermae, clado Eurosídeas I, ordem Fabales (tratada como Rosales no sistema de Cronquist) e família Fabaceae (Leguminosae para Cronquist), subfamília Mimosoideae, gênero Pityrocarpa. Seu nome científico completo é Pityrocarpa moniliformis (Benth.) Luckow & Jobson, descrito originalmente em Systematic Botany, 32(3): 569-575. Antes era conhecida pela sinonímia Piptadenia moniliformis Benth. Quanto à etimologia, a origem do nome do gênero Pityrocarpa é incerta, enquanto o epíteto moniliformis remete a algo constrito em intervalos regulares, lembrando um cordão de contas, característica observada no fruto.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta decídua que pode assumir porte arbustivo ou arbóreo e não possui espinhos. Os indivíduos de maior porte chegam a cerca de 9 m de altura e 30 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, aferido a 1,30 m do solo) quando adultos. O tronco costuma ser tortuoso, com fuste bastante curto, e a ramificação é dicotômica, formando copa arredondada. A casca atinge até 5 mm de espessura, com ritidoma (casca externa) levemente rugoso e de tom esbranquiçado. As folhas são compostas e bipinadas, apresentando de 1 a 4 pares de pinas, cada uma com 6 a 12 pares de folíolos ovados que medem entre 0,5 cm e 2 cm de comprimento. As inflorescências aparecem como espigas cilíndricas de 5 cm a 9 cm de comprimento, solitárias ou em pares, em posição terminal ou axilar. As flores exalam aroma e nascem branco-esverdeadas, tornando-se amareladas ou quase amarronzadas com a idade. O fruto é uma vagem plana, coriácea, marrom, curvada e estreitada entre as sementes, alcançando até 13 cm de comprimento; ela se abre por apenas um dos lados para liberar as sementes, que são brancas, ovais e achatadas.

Uso e ecologia
madeireiroenergéticoapícolaforrageirorecuperação de áreasagroflorestal
Produtos e utilizações

A madeira da catanduva é densa, com massa específica aparente de 0,84 a 0,937 g/cm³, alburno e cerne não diferenciados de cor castanho-clara, textura média, grã revessa, resistência mecânica mediana e boa durabilidade natural. Por suas dimensões reduzidas, é usada apenas em pequenas obras de construção civil, marcenaria leve e na confecção de cabos de ferramentas; não serve para celulose e papel. Como combustível, fornece lenha de boa qualidade e carvão, com poder calorífico de 18.644,5 kJ/kg e teor de cinzas de 0,65. As folhas e os ramos finos servem de forragem palatável para bovinos, caprinos e ovinos; na região de Xingó (Alagoas, Bahia e Sergipe), 13 de 32 produtores rurais entrevistados citaram que caprinos consomem voluntariamente plântulas, folhas novas e maduras. A espécie tem grande potencial apícola, produzindo muito néctar e um mel suave de cor castanho-clara e ótima qualidade no Ceará e no Maranhão; em Picos (PI), o mel apresentou 77,2% de pólen da espécie, e a floração dura cerca de um mês. A casca contém tanino, e a planta é indicada para recuperação de áreas muito degradadas e melhoria do solo.

Aspectos ecológicos

Classificada como espécie pioneira, a catanduva é típica da Caatinga, onde aparece em grande quantidade, com distribuição mais ou menos contínua e irregular, preferindo formações secundárias e áreas abertas. É também frequente no sopé de serras de clima ameno e na faixa de transição entre o litoral e o sertão nordestino. Quanto às formações vegetacionais, ocorre na Savana-Estépica (Caatinga do Sertão Árido) em Alagoas, Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte; na Floresta Estacional Decidual da Mata Atlântica, nas Terras Baixas do Rio Grande do Norte e na formação Submontana do norte de Minas Gerais; e na Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas do Rio Grande do Norte, com até oito indivíduos por hectare. Também é encontrada em campo rupestre (MG), campo de dunas arenosas (Barra, BA), carrasco (CE), na transição carrasco/caatinga (PI) e na Floresta Estacional Decidual do nordeste de Goiás.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de novembro a dezembro no Piauí, de janeiro a março no Ceará, de março a junho na Bahia e de julho a outubro no Maranhão. Os frutos amadurecem de julho a setembro no Ceará e em setembro no Rio Grande do Norte.

Fauna associada

A espécie é hermafrodita e tem nas abelhas seus principais polinizadores, com destaque para Apis mellifera e a abelha-tiúba-do-maranhão (Melipona fasciculata). A dispersão de frutos e sementes é autocórica, do tipo barocórica, ou seja, ocorre pela ação da gravidade.

Plantio e silvicultura
Sementes

As vagens devem ser colhidas diretamente da planta assim que começam a abrir espontaneamente e, em seguida, expostas ao sol para completar a abertura e soltar as sementes. Cada quilo reúne cerca de 26 mil sementes. Elas apresentam dormência decorrente da impermeabilidade do tegumento, que pode ser quebrada por imersão em ácido sulfúrico a 95% ou em água quente — a 80 ºC por 1 a 2,5 minutos, ou a 100 ºC por 10 a 15 minutos. Considerando custo e riscos, o tratamento com água a 80 ºC é preferível ao ácido sulfúrico, ainda que possa exigir maior densidade de semeadura. As sementes têm comportamento fisiológico ortodoxo e conservam a viabilidade por longos períodos de armazenamento.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita em sementeiras, com repicagem posterior — recomendada entre 15 e 30 dias após a semeadura — para sacos de polietileno ou tubetes grandes de polipropileno. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar e a emergência começa entre 10 e 25 dias após a semeadura. Em sementes com dormência superada, o poder germinativo fica entre 74% e 88%, caindo para 4% a 12% nas que não receberam tratamento. As mudas alcançam tamanho adequado para o plantio definitivo entre 4 e 5 meses. As raízes da catanduva fixam nitrogênio, associando-se a bactérias do gênero Rhizobium e formando nódulos.

Características silviculturais

É uma espécie heliófila que não suporta baixas temperaturas. Demanda poda de condução e de galhos e rebrota com vigor a partir da touça. Desenvolve-se bem em plantios puros densos a pleno sol, podendo ser semeada diretamente no local definitivo. Em sistemas agroflorestais, é indicada para quebra-ventos em faixas arbóreas entre cultivos e como componente de pastagens arbóreas mistas; contudo, tem comportamento invasor a ponto de ser vista por pecuaristas como praga séria em áreas de pastagem.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre o desempenho da catanduva em plantios, mas seu crescimento inicial é rápido, atingindo com facilidade 2 m de altura aos 2 anos de idade.

Clima

A precipitação média anual vai de 580 mm, na Bahia, a 1.725 mm, no extremo norte do litoral da Paraíba, com extremos entre 33 mm e 2.194,8 mm; as chuvas são periódicas em toda a área de ocorrência. A deficiência hídrica varia de pequena a moderada na faixa costeira do Rio Grande do Norte, de moderada a forte no oeste da Bahia e forte no restante. A temperatura média anual fica entre 22,4 ºC (Montes Claros, MG) e 29,4 ºC (Picos, PI), com mínima absoluta registrada de 6,5 ºC em Montes Claros (MG), em 30 de junho de 1979; não há ocorrência de geadas. Pela classificação de Köppen, predominam os climas Am (Paraíba), As (Pernambuco e Rio Grande do Norte), Aw (Ceará, nordeste de Goiás, sul do Maranhão e norte de Minas Gerais) e BSh (Alagoas, Bahia, Ceará, norte de Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe).

Solos

Prefere terrenos de várzeas aluviais de alta fertilidade, ainda que com elevado teor de areia.