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Foto de Castanha-do-maranhão

Foto: Aleksey (CC0) via GBIF

Castanha-do-maranhão

Pachira glabra

Malvaceae Mata Atlântica
  • até 6 mAltura
  • Pequeno portePorte
FrutíferasMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: castanha-da-praia, castanha-do-pará-branca, embiruçu-da-casca-lisa, amendoim-de-árvore, cacau-do-maranhão, cacau-selvagem, castanha, mamorana

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Seguindo a classificação do sistema APG III, a espécie pertence à ordem Malvales e à família Malvaceae — que, na proposta de Cronquist, era tratada como Bombacaceae. O gênero é Pachira e o binômio aceito é Pachira glabra, descrito por Pasquale e publicado pela primeira vez em 1868. A espécie reúne sinônimos botânicos como Bombax columellatum, Bombax glabrum, Bombacopsis glabra e a forma Pachira glabra Pasq., sendo este último o mais citado na literatura, embora a sinonímia da espécie seja bastante extensa. O epíteto glabra remete a 'sem pelos'.

Descrição botânica

É uma árvore perenifólia, de folhagem sempre-verde. Os exemplares de maior porte alcançam cerca de 6 m de altura e 40 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo) quando adultos. O tronco costuma ser tortuoso e mais grosso na base, com fuste geralmente curto, e a ramificação é dicotômica, formando copa ampla. A casca é delgada, com até 5 mm de espessura; o ritidoma (casca externa) é verde, liso e marcado por lenticelas brancas. As folhas são alternas, compostas e digitadas, reunindo de 5 a 8 folíolos elípticos, esparsamente pubescentes, de margem inteira e estípulas caducas, com 10 a 27 cm de comprimento e até 10 cm de largura. As flores aparecem isoladas ou em pequenos grupos, são hermafroditas e pentâmeras, esbranquiçadas, com numerosos estames longos dispostos em pincel, podendo chegar a 20 cm de largura. Os frutos são cápsulas ovoides, semilenhosas e deiscentes, de até 12 cm de comprimento, permanecendo verdes mesmo maduras, e cada uma costuma conter em média 20 sementes. As sementes são subglobosas e estriadas, de cor castanha, recobertas por densa e longa pilosidade, com até 2 cm de diâmetro.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasalimentício
Produtos e utilizações

A madeira é muito leve, com alburno e cerne pouco distintos e de tonalidade esbranquiçada; é mole, de tecido frouxo e baixa durabilidade natural. Por essas características, presta-se à fabricação de objetos leves, como caixotes, réguas e brinquedos, mas não é indicada para produção de energia nem para celulose e papel. As sementes (ou castanhas) são comestíveis, sobretudo torradas, e chegam a ser usadas como substituto do cacau por apresentarem sabor parecido. Com folhas e flores grandes, é também muito empregada como planta ornamental em quase todo o país, salvo nas áreas mais frias.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária inicial, a castanha-da-praia ocorre principalmente em formações secundárias de várzeas aluviais e em terços iniciais de encostas, sendo rara no interior da floresta primária densa. No bioma Mata Atlântica, está associada à Floresta Ombrófila Aberta (faciações da Floresta Ombrófila Densa), em Alagoas, e à Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Atlântica), nas formações de Terras Baixas e Submontana, no Rio de Janeiro.

Floração e frutificação

A floração ocorre de setembro a novembro, em São Paulo. Os frutos amadurecem entre janeiro e fevereiro, registrados em Alagoas e em São Paulo.

Fauna associada

A polinização é feita por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão de frutos e sementes se dá sobretudo por autocoria, ou seja, pela ação da gravidade. Por oferecer alimento abundante à fauna, é indicada para recuperação de áreas degradadas e de preservação permanente.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos da própria árvore assim que começam a abrir, ou recolhidos do chão após a queda. Colhidos ainda na planta, convém expô-los ao sol para que terminem de abrir e liberem as sementes. Cada quilograma reúne cerca de 380 sementes. Não é necessário tratamento pré-germinativo, já que elas não têm dormência. O comportamento fisiológico é recalcitrante: mantêm a viabilidade por até 6 meses.

Produção de mudas

Recomenda-se semear uma única semente diretamente em saco de polietileno, usando como substrato uma mistura de areia e solo na proporção 1:2 adubada com NPK (4-14-8, a 2 kg por m² de solo), ou em tubetes grandes de polipropileno. A germinação é epígea e as plântulas, fanerocotiledonares; a emergência começa entre 5 e 10 dias após a semeadura, com faculdade germinativa alta, de 95% a 100%. Em viveiro, apresenta incidência média de micorriza arbuscular. A espécie também se propaga por estacas. É de fácil multiplicação e suas mudas se desenvolvem bem a pleno sol, tolerando sombreamento de 30% a 50%.

Características silviculturais

Espécie heliófila, que suporta apenas geadas fracas. Tem hábito de crescimento monopodial, com galhos inseridos em pseudoverticilos, e não realiza desrama natural. Pode ser cultivada em plantios mistos e é muito utilizada em regiões litorâneas como cerca-viva, graças à facilidade com que suas estacas dão origem a novas plantas.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre seu desempenho em plantios, mas o crescimento é considerado moderado. Em plantio misto em Rolândia (PR), aos 7 anos e com espaçamento de 5 x 5 m, registrou 100% de sobrevivência, 5,25 m de altura média e 10,1 cm de DAP médio, em Latossolo Vermelho distroférrico.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 1.000 mm, no Rio de Janeiro, a 2.700 mm, em São Paulo, com regime de chuvas periódicas e deficiência hídrica moderada entre o litoral de Pernambuco e o Rio de Janeiro. A temperatura média anual varia de 19,3 °C (São Paulo, SP) a 25,5 °C (Recife, PE); a média do mês mais frio fica entre 15,8 °C e 23,9 °C, e a do mês mais quente entre 22,4 °C e 26,7 °C. A mínima absoluta registrada foi de 1,1 °C, em Ubatuba (SP), em 6 de junho de 1964; fora de sua área natural, porém, chega a tolerar até -2 °C, como no norte do Paraná. Geadas estão ausentes em seu habitat natural, embora possa suportar geadas fracas quando cultivada em outras regiões. Pela classificação de Köppen, ocorre nos climas Af (do litoral de São Paulo ao Paraná), Am (no Pará, em Pernambuco e no centro-oeste do Rio de Janeiro), As (em Alagoas) e Aw (no Maranhão e no Rio de Janeiro).

Solos

Cresce naturalmente em várzeas aluviais, em solos com pH entre 4,6 e 5,2.