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Foto de Carvalho-do-cerrado

Foto: Nossedotti (Anderson Brito) (CC0) via Wikimedia

Carvalho-do-cerrado

Roupala montana

Proteaceae AmazôniaCerradoMata Atlântica
  • até 12 mAltura
  • Médio portePorte
Raras / ameaçadasMadeireirasMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: pau-conserva, carne-de-vaca, caxuá, farinha-seca, carvalho, canjica, catinga-de-barrão, carvalho-do-brasil, faeira, faieira, louro-faia

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Seguindo a classificação do The Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a espécie pertence à divisão Angiospermae, ao clado das eudicotiledôneas, à ordem Proteales e à família Proteaceae. Seu nome científico é Roupala montana Aublet, publicado em Pl. Guian. 1:83, t.32, em 1775. Entre os sinônimos botânicos estão Roupala brasiliensis Klotzsch e Roupala ochrantha Mart. O termo genérico Roupala corresponde a um nome popular empregado nas Guianas, enquanto o epíteto montana faz referência às terras altas, com o sentido de planta rústica.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta que varia de arbusto a árvore semidecídua. Os exemplares de maior porte chegam a cerca de 12 m de altura e 32 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, tomado a 1,30 m do solo) quando adultos, mas nos campos rupestres da Serra da Bocaina (MG) há indivíduos de apenas 1,50 m. O tronco é tortuoso, com fuste de até 7,50 m. A ramificação é cimosa, e os ramos jovens apresentam-se glabros ou com pilosidade ferrugínea. A casca pode alcançar 15 mm de espessura, sendo a casca externa (ritidoma) áspera a fendilhada. As folhas são alternas, podendo ser simples ou compostas (estas mais frequentes em plantas jovens); o limbo varia de 5,5 a 15,5 cm de comprimento por 3 a 10 cm de largura, de formato largo-elíptico a lanceolado, com margem inteira, serreada ou denteada, ápice agudo-acuminado, base decorrente no pecíolo e nervação plana, sobre pecíolo de 2 a 5 cm. A espécie chama atenção por sua notável plasticidade foliar: um mesmo indivíduo pode reunir folhas simples e compostas, paripinadas e imparipinadas, de bordas lisas e/ou serrilhadas, com ou sem pelos. A inflorescência é um tirso solitário ou geminado, axilar e terminal, de 14 a 22 cm de comprimento, reunindo de 20 a 100 flores. As flores são monoclamídeas, actinomorfas, de cor creme, recurvas na antese e com aproximadamente 5 mm. O fruto é um folículo de 2,7 a 3,8 cm de comprimento por 1 a 1,5 cm de largura, oval, de elíptico a obovado, comprimido, oblíquo e estipitado, contendo de 1 a 2 sementes. As sementes são aladas, de cor castanha, medindo de 2,1 a 2,6 cm por 0,7 a 1,2 cm, com núcleo central cordiforme.

Uso e ecologia
madeireiroapícolarecuperação de áreasenergéticoartesanato
Produtos e utilizações

A madeira é densa, com massa específica aparente de 0,93 g/cm³ a 12% de umidade e densidade básica de 0,77 g/cm³. O cerne é marrom e contrasta com o alburno marrom-avermelhado-claro. Apresenta grã direita, textura grossa, brilho moderado, cheiro imperceptível e gosto indistinto; a figura tangencial tem aspecto áspero devido ao parênquima radial, e a figura radial mostra faixas largas contrastadas de aparência bastante característica, com anéis de crescimento distintos. Quanto à preservação sob pressão, o alburno é facilmente tratado com creosoto e CCA-A, ao passo que o cerne resiste ao tratamento com CCA-A. A secagem em estufa é muito rápida, com tendência moderada a forte de encanoamento e torcimento médio. No trabalho mecânico, comporta-se bem com plaina e lixa (acabamento regular) e de forma regular no torno e na broca (bom acabamento). A madeira serrada e roliça é empregada em construção civil, móveis, objetos domésticos decorativos, peças torneadas e lâminas, e fornece lenha e carvão de boa qualidade; não serve, porém, para celulose e papel. A planta também é melífera, produzindo pólen. No artesanato, galhos secos, folhas e frutos integram os arranjos conhecidos como "flores do planalto", vendidos em feiras de Brasília (DF).

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária inicial, é uma espécie muito comum nas savanas e cerrados do Brasil, tendo sido observada regenerando-se em pastagem de Brachiaria decumbens, em Assis (SP). No Cerrado, ocorre em savana ou cerrado stricto sensu (com frequência de até 470 indivíduos por hectare), em savana florestada ou cerradão (até 32 indivíduos por hectare), em campo cerrado e em campo sujo de cerrado, além de ambientes fluviais ou ripários, campos de murundu e, raramente, campos rupestres. Na Mata Atlântica, aparece na Floresta Estacional Semidecidual (formações montana e alto-montana, em Minas Gerais, com até 34 indivíduos por hectare), na Floresta Ombrófila Densa (formações submontana e alto-montana, no Maciço do Itatiaia) e na Floresta Ombrófila Mista com araucária (formação alto-montana, no mesmo maciço). Na Amazônia, é registrada na Floresta Ombrófila Aberta, no Acre. Na Bolívia, é comum em bosque estacional, savana úmida e savana arborizada de cerrado.

Floração e frutificação

A floração ocorre de maio a agosto no Distrito Federal, de agosto a setembro em São Paulo e de setembro a outubro em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná. No Distrito Federal, os frutos amadurecem entre outubro e maio.

Fauna associada

Espécie monoica, tem como principais polinizadores a abelha-africanizada (Apis mellifera), diversos insetos de pequeno porte e beija-flores. A dispersão de frutos e sementes é autocórica, ocorrendo tanto por gravidade (barocórica) quanto pelo vento (anemocórica).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos quando passam da coloração esverdeada e da consistência carnosa para tom castanho-pardo e textura lenhosa-coriácea, no início da deiscência e da liberação das sementes. Depois de colhidos, são mantidos em local ventilado para concluir a abertura e permitir a retirada das sementes. Cada quilo reúne cerca de 50 mil sementes. Para acelerar a germinação, indica-se mergulhá-las em água fria por 24 a 48 horas. Em câmara fria, conservam a viabilidade por até 12 meses sem grande perda do poder germinativo.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e, em seguida, repicar as plântulas para sacos de polietileno de 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio, fazendo a repicagem de 4 a 6 semanas após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência iniciando entre 25 e 60 dias após a semeadura e poder germinativo variável, de até 70%. As mudas ficam prontas para o plantio por volta de 9 meses depois da semeadura.

Características silviculturais

O carvalho-do-cerrado é heliófilo e medianamente tolerante a temperaturas baixas. Seu hábito é variável e irregular, sem dominância apical definida, e como não realiza desrama natural exige podas de condução e de galhos, frequentes e periódicas. Pode ser cultivado em plantio misto a pleno sol, em consórcio com espécies pioneiras ou secundárias iniciais, e tem capacidade de brotar da touça. Embora conste como vulnerável na lista da flora ameaçada de extinção do Estado de São Paulo, é muito comum nos remanescentes de Cerrado paulistas.

Crescimento e produção

Não existem dados sobre o desempenho da espécie em plantios, mas seu crescimento é considerado lento.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 830 mm, na Chapada Diamantina (BA), a 2.600 mm, no Amapá, com chuvas uniformemente distribuídas em Jaguariaíva (PR) e periódicas nos demais locais. A deficiência hídrica é nula em Jaguariaíva, de pequena a moderada no Acre, Amapá e Rondônia, e de moderada a forte no inverno no oeste de Minas Gerais, sul de Goiás e centro de Mato Grosso; é também de moderada a forte no oeste da Bahia e forte no norte de Minas Gerais e na Chapada Diamantina. A temperatura média anual oscila entre 16,6 ºC (Resende, RJ) e 26,5 ºC (Macapá, AP), com média do mês mais frio de 12,8 ºC a 25,7 ºC e do mês mais quente de 19,7 ºC a 27,9 ºC; a mínima absoluta registrada é de -3 ºC em Jaguariaíva. O número de geadas anuais varia em média de 0 a 12, chegando a até 28 na região de Jaguariaíva, mas em quase toda a área de distribuição as geadas são ausentes ou pouco frequentes. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Am, Aw, Cfa, Cwa e Cwb.

Solos

A espécie se desenvolve naturalmente em solos de baixa fertilidade química, sem, contudo, acumular alumínio nas folhas.