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Carvalho-brasileiro

Roupala cataractarum

Proteaceae Mata Atlântica
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: carvalho-verde, carvalho, carvalho-nacional, carvalho-vermelho

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Segundo o sistema de classificação fundamentado no The Angiosperm Phylogeny Group (APG III), a espécie pertence à divisão Angiospermae, ao clado das eudicotiledôneas e à ordem Proteales, dentro da família Proteaceae e do gênero Roupala. O binômio Roupala cataractarum foi descrito por Sleumer, com publicação inicial em Bot. Jahrb. 76: 163, em 1954. O nome do gênero, Roupala, corresponde a uma designação popular usada na Guiana, enquanto o epíteto cataractarum faz alusão às Cataratas de Foz do Iguaçu, no Paraná.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore de folhagem perenifólia (sempre-verde). Os exemplares de maior porte alcançam por volta de 25 m de altura e 60 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, tomado a 1,30 m do solo) quando adultos. O tronco varia de reto a um pouco tortuoso, com fuste que chega a 12 m. A ramificação é simpódica e irregular, formando copa elevada, arredondada, densa e com ramos sem pelos. A casca atinge espessura de até 15 mm; sua face externa (ritidoma) é áspera, escura e se solta em placas de formato irregular. As folhas são coriáceas, glabras, elípticas e de tamanho e forma variados, com 10 cm a 20 cm de comprimento e 4 cm a 8 cm de largura, sustentadas por pecíolo de 2 cm a 4 cm. As inflorescências surgem em racemos axilares tomentosos, medindo de 8 cm a 20 cm. As flores são perfumadas, tomentosas e ferrugíneas, beges externamente e brancas por dentro, dispostas geralmente aos pares e raramente isoladas, com pedicelo de 1,5 mm a 3 mm. O fruto é um folículo lenhoso e deiscente, oblongo e levemente comprimido nas laterais, de superfície lisa e cor castanha, com 2,5 cm a 4,0 cm de comprimento e 1,4 cm de largura, abrigando de 1 a 3 sementes. A semente é alada e elipsoide, com base e ápice afilados; a asa é papirácea, lisa, bege e semitransparente, com 10 mm a 25 mm de comprimento, e no centro abriga um núcleo seminal cordiforme, castanho-esverdeado, opaco e de leve brilho.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinal
Produtos e utilizações

A madeira do carvalho-verde é densa, com massa específica aparente entre 0,75 g/cm³ e 1,03 g/cm³ a 15% de umidade. O alburno e o cerne variam de róseo-violáceos a pardo-avermelhado-violáceos, com manchas esbranquiçadas, amareladas ou branco-rosadas. A superfície é lisa e quase sem brilho, a textura é média e a grã pode ser direita ou ondulada, sem gosto ou cheiro marcantes. A madeira serrada e roliça presta-se à construção civil e naval, sendo aplicada em móveis em geral e em peças como caibros, esquadrias, estacas, forros, ripas, tabuados, tacos, vigas, dormentes, folheados, caixas e objetos de adorno; na Região Metropolitana de Curitiba (PR) é aproveitada também em cabos de ferramentas e utensílios domésticos. Como fonte de energia, fornece lenha de boa qualidade, mas é inadequada para a produção de celulose e papel. No uso medicinal, indígenas de diferentes etnias do Paraná e de Santa Catarina preparam chá dos galhos para tratar febre, diarreias com melena (evacuação dolorosa com sangue nas fezes) e distúrbios do trato urinário. As informações sobre o emprego medicinal constituem apenas registro factual da pesquisa e não devem orientar prescrições nem substituir o atendimento médico.

Aspectos ecológicos

Quanto à sucessão ecológica, o carvalho-verde classifica-se como espécie secundária tardia. No Planalto Sul-Brasileiro é rara e pouco comum, aparecendo de forma esparsa em matas e capoeiras da Bacia do Alto Uruguai. Está associada ao bioma Mata Atlântica, ocorrendo na Floresta Estacional Decidual (Floresta Tropical Caducifólia), nas formações Submontana e Montana do Rio Grande do Sul; na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Atlântica) do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, onde é rara; e na Floresta Ombrófila Mista (com presença de araucária), na formação Montana do Paraná, com frequência de até dois indivíduos por hectare. Na Argentina, integra a Selva Misionera.

Floração e frutificação

A espécie é hermafrodita. No Paraná, a floração ocorre de junho a setembro, enquanto no Rio Grande do Sul vai de setembro a dezembro. Os frutos amadurecem de maio a outubro no Rio Grande do Sul e de outubro a janeiro no Paraná.

Fauna associada

A polinização é feita sobretudo por insetos e beija-flores. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, isto é, realizada pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos na transição da fase esverdeada e carnosa para a tonalidade castanho-parda ou castanho-esverdeada de consistência lenhosa-coriácea, antes que comecem a abrir e liberar as sementes. Após a colheita, são mantidos em local arejado para que completem a deiscência e permitam a retirada das sementes. Cada quilo reúne de 53.000 a 71.119 sementes. Não é necessário tratamento pré-germinativo. Em câmara fria, as sementes preservam a viabilidade por cerca de 12 meses, com pequena perda do poder germinativo.

Produção de mudas

Recomenda-se a semeadura em sementeiras, com posterior repicagem das plântulas para sacos de polietileno de 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio, realizada de 4 a 6 semanas após a germinação. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares, e a emergência inicia entre 25 e 60 dias após a semeadura. O poder germinativo é variável, chegando a 70%. As mudas ficam aptas ao plantio por volta de 9 meses após a semeadura.

Características silviculturais

O carvalho-verde é semi-heliófilo, exigindo sombreamento moderado durante a fase jovem, e tolera bem o frio. Seu hábito é variável e irregular, sem dominância apical bem definida, e não realiza desrama natural, demandando podas de condução e de galhos de forma periódica e frequente. Pode ser cultivado em plantio misto a pleno sol, em conjunto com espécies pioneiras ou secundárias iniciais, e em linhas, em faixas abertas no interior de vegetação arbórea já estabelecida. A espécie rebrota da touça após o corte.

Crescimento e produção

Existem poucos registros sobre o desenvolvimento da espécie em plantios.

Clima

A precipitação anual média varia de 1.400 mm a 1.900 mm, ambas no Paraná, com regime de chuvas uniforme e deficiência hídrica nula. A temperatura média anual situa-se entre 15,5 °C (Caçador, SC) e 20,3 °C (Florianópolis, SC); a do mês mais frio fica entre 10,7 °C (Caçador, SC) e 16,3 °C (Florianópolis, SC), e a do mês mais quente, entre 19,9 °C (Curitiba, PR) e 25,5 °C (Foz do Iguaçu, PR). A mínima absoluta registrada foi de -10,4 °C, em Caçador (SC). As geadas são frequentes, com média de 2 a 30 por ano e amplitude que chega a 57 ocorrências em Santa Catarina. Pela classificação de Köppen, predominam os tipos Cfa (subtropical de verão quente) no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, Cfb (temperado de verão ameno) no Paraná e Cwb (subtropical de altitude, com inverno seco e verão ameno) em São Paulo.

Solos

Desenvolve-se em matas de encosta com boa drenagem ou em solos pedregosos.