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Foto de Carvalho-brasileiro

Foto: João Medeiros (CC BY 2.0) via Wikimedia

Carvalho-brasileiro

Roupala brasiliensis

Proteaceae Mata AtlânticaCerrado
  • 9 a 20 m, podendo atingir 30 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: aderno, aderno-faia-vermelho, carne-de-macaco, carvalho-rosa, carvalho-do-campo, catucaém-vermelho, cedro-faia, cigarreira, guaxica, louro-faia, canjica, carne-de-vaca, carvalho, carvalho-nacional, caxicaém-mirim, pau-de-concha, tacajé, carvalho-vermelho, carvalho-do-brasil, carvalho-do-capão, catinga-de-varrão, faia-nacional, catinga-de-barrão, catucaém, caxicaém, faia, faieira, parreirinha-do-mato, pau-carvalho, patuquiri, pau-concha, pau-concha-roxo, putuquiri, tucajê

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação de Cronquist, Roupala brasiliensis pertence à divisão Magnoliophyta (Angiospermae), classe Magnoliopsida (Dicotiledonae), ordem Proteales e família Proteaceae. A espécie foi descrita por Klotzsch em 1841. São reconhecidos como sinônimos botânicos Roupala velutina (Kl.) Meisn., Roupala heterophylla Pohl. e Roupala meisneri Sl. O nome genérico Roupala vem da Guiana, onde é de uso corrente, enquanto o epíteto brasiliensis aponta para o Brasil, país onde o exemplar-tipo foi coletado.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore semicaducifólia que normalmente alcança de 9 a 20 m de altura e 30 a 50 cm de diâmetro à altura do peito (DAP), podendo chegar, quando adulta, a 30 m de altura e 100 cm de DAP; no Cerrado, contudo, mantém porte reduzido. O tronco é reto a um pouco tortuoso, com fuste de 6 a 12 m. A ramificação é simpódica e irregular, formando copa alta, arredondada, densa e sempre verde, com ramos pilosos. A casca chega a 15 mm de espessura: a externa é castanho-acinzentada, lisa a áspera, com lenticelas largas e salientes dispostas em fileiras horizontais e superfície que se desprende em placas irregulares; a interna é bege a alaranjada, fibrosa, trançada, arenosa e de odor forte e marcante. As folhas são simples, alternas, coriáceas e bastante variáveis em forma, recorte, dimensão e pilosidade, indo do verde-oliva ao glabro e podendo assumir tom ferrugíneo. Elípticas, com ápice acuminado terminando em ponta aguda e base mais larga, medem de 8 a 14 cm de comprimento por 4 a 8 cm de largura, com pecíolo de 3 a 6 cm. As folhas jovens são tomentosas e de cor avermelhado-amarelada; as adultas, glabras, lustrosas na face superior e opacas na inferior, com nervuras proeminentes e reticuladas, margem geralmente ondulada e, quando esmagadas, odor forte semelhante ao da casca. As flores são brancas por dentro e bege por fora, odoríferas, tomentosas e ferrugíneas, agrupadas em racemos axilares de 8 a 20 cm. O fruto é um folículo oblongo, levemente comprimido lateralmente, lenhoso e deiscente, de superfície serícea e cor castanho-esverdeada a olivácea, com 2,5 a 4,0 cm de comprimento e 1,4 cm de largura, abrigando de 1 a 3 sementes. A semente é alada, elipsoide, com ápice e base atenuados; a asa é papirácea, lisa, bege e semitransparente, com 10 a 25 mm de comprimento, e o núcleo seminal, central, é cordiforme e castanho-esverdeado-opaco.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícola
Produtos e utilizações

A madeira do carvalho-brasileiro é densa, com massa específica aparente de 0,75 a 1,03 g/cm³ a 15% de umidade. O alburno e o cerne têm coloração que vai do róseo-violáceo ao pardo-avermelhado-violáceo, com manchas esbranquiçadas, amareladas ou branco-rosadas. A superfície é lisa e quase sem brilho, a textura é média e a grã, direita ou ondulada, sem gosto ou cheiro distintos. A madeira lembra a dos gêneros Fagus, Quercus e Cedrela — o que explica nomes populares como carvalho, faia e cedro-faia —, sendo mais parecida com a de Quercus rubra em estrutura, aspecto macroscópico (raios medulares visíveis no corte transversal) e densidade. Tem boa durabilidade natural, embora seja de difícil trabalhabilidade, e apresenta aparência atraente depois de laminada, com belos desenhos no corte radial. É empregada na construção civil e naval, em mobiliário em geral e em peças como caibros, esquadrias, estacas, forros, ripas, tabuados, tacos, vigas, dormentes, folheados, caixas e objetos de adorno. A lenha e o carvão são de boa qualidade, mas a espécie não serve para celulose e papel. Quanto aos compostos, há presença pouco intensa de óleos essenciais na casca e traços no lenho, saponina intensa na casca e pouco intensa no lenho, e tanino pouco intenso tanto na casca quanto no lenho. Povos indígenas de várias etnias do Paraná e de Santa Catarina utilizam os galhos no tratamento de febre, de diarreia com cólica intestinal e presença de sangue nas fezes, e de problemas urinários.

Aspectos ecológicos

No processo de sucessão, a espécie comporta-se como secundária inicial a secundária tardia ou clímax exigente de luz. É comum em florestas secundárias, regenera-se naturalmente em florestas semidevastadas e até em plantios de Pinus de região temperada após o segundo desbaste, sendo que os indivíduos adultos costumam vir acompanhados de muitos exemplares jovens. Ocorre principalmente na Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária), na formação Montana, e na Floresta Estacional Semidecidual Montana e Submontana; é muito rara na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica) e aparece também no Cerrado, no Cerradão e nos campos rupestres ou de altitude. As densidades são bastante variáveis: em uma área de Floresta Estacional Semidecidual em Uberlândia (MG) foram amostrados 272 indivíduos, equivalentes a 1.813 indivíduos por hectare, distribuídos em 10 classes de altura e 11 de diâmetro; já em outros levantamentos em Minas Gerais e em São Paulo, na mesma formação, encontraram-se apenas 1 a 12 indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A espécie é hermafrodita. A floração ocorre de outubro a novembro em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, e de novembro a fevereiro no Paraná. O início do processo reprodutivo se dá por volta dos 3 anos de idade em solos férteis e a partir dos 6 anos em solos pouco férteis. Os frutos amadurecem de abril a julho.

Fauna associada

A polinização é feita sobretudo por insetos ou beija-flores, enquanto a dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, ou seja, realizada pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

A colheita deve ser feita quando os frutos passam da cor esverdeada e textura carnosa para tom castanho-pardo ou castanho-esverdeado e consistência lenhosa-coriácea, no começo da deiscência e da liberação das sementes. Após a coleta, os frutos são mantidos em ambiente ventilado para concluir a abertura e permitir a extração das sementes; cada quilo de frutos rende cerca de 380 g de sementes. Há de 53 mil a 71.119 sementes por quilo. A espécie não tem dormência, mas, para acelerar a germinação, recomenda-se imergir as sementes em água fria por 24 a 48 horas. Em câmara fria, as sementes conservam a viabilidade por 12 meses sem grande perda do poder germinativo.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e, depois, repicar as plântulas para sacos de polietileno de 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio, fazendo a repicagem de 4 a 6 semanas após a germinação. A germinação é epígea e começa entre 25 e 60 dias após a semeadura, com poder germinativo variável de até 70%. As mudas ficam prontas para o plantio por volta de 9 meses após a semeadura.

Características silviculturais

O carvalho-brasileiro é uma espécie semi-heliófila, que requer sombreamento de intensidade média na fase juvenil e tolera baixas temperaturas. Seu hábito é variável e irregular, sem dominância apical definida, e não realiza desrama natural, exigindo podas de condução e de galhos de forma periódica e frequente. Pode ser implantado em plantio misto a pleno sol, associado a espécies pioneiras ou secundárias iniciais, e em linhas, em faixas abertas na vegetação arbórea matricial. Rebrota da touça após o corte.

Crescimento e produção

O desempenho da espécie em plantios experimentais ainda é pouco conhecido e seu crescimento é considerado lento. A maior produção volumétrica registrada foi de 5,10 m³/ha/ano aos 12 anos de idade, em Campo Mourão (PR).

Clima

A precipitação média anual nas áreas de ocorrência vai de 1.100 mm, no Rio de Janeiro, a 3.700 mm, na Serra de Paranapiacaba (SP). As chuvas são uniformemente distribuídas na Região Sul (exceto no norte do Paraná) e concentradas no verão nas demais regiões. A deficiência hídrica é nula no Sul (salvo no norte do Paraná), pequena no inverno no norte paranaense, moderada no norte do Espírito Santo (com estiagem de até 3 meses) e forte no centro e nordeste de Minas Gerais (com estação seca de até 6 meses). A temperatura média anual varia de 15,5 ºC (Caçador, SC) a 25,6 ºC (Chapada dos Guimarães, MT); a média do mês mais frio fica entre 10,7 ºC e 22,8 ºC, e a do mês mais quente, entre 19,9 ºC (Curitiba, PR) e 27,2 ºC. A temperatura mínima absoluta chega a -10,4 ºC (Caçador, SC), podendo atingir -15 ºC junto à relva. O número de geadas por ano é de 0 a 30 em média, com máximo absoluto de 57 na Região Sul. Os tipos climáticos de Köppen abrangem tropical (Af e Aw), subtropical úmido (Cfa), subtropical de altitude (Cwa e Cwb) e temperado úmido (Cfb).

Solos

Na natureza, a espécie ocorre em solos de baixa fertilidade química. Em plantios experimentais, porém, desenvolve-se melhor em solos de boas propriedades físicas, de textura franca a argilosa, bem drenados e com alta fertilidade química.