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Foto de Carobão

Foto: Cecilia Fer Díaz (CC BY) via GBIF

Carobão

Aralia warmingiana

Araliaceae Mata AtlânticaCaatinga
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: tingui-brabo, lagarto, sabugueiro, parapariguaçu, paraparaí-guaçu, gameleiro

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a espécie é uma angiosperma do clado Euasterídeas II, ordem Apiales (chamada Umbelales no sistema de Cronquist), pertencente à família Araliaceae. A espécie foi descrita como Aralia warmingiana (Marchal) J. Wen, publicada em Brittonia 45 (1): 54, no ano de 1993. Já recebeu outros nomes botânicos, hoje considerados sinônimos: Pentapanax warmingianus (Marchal) Harms, Coemansia warmingiana March. e Sciadodendron excelsum Griseb. O nome do gênero, Aralia, deriva da própria família Araliaceae.

Descrição botânica

Árvore de folhas caducas. Os maiores indivíduos chegam a cerca de 25 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo) quando adultos; no Paraguai há registros de até 40 m de altura e 120 cm de DAP. O tronco é largo e levemente cônico, e a silhueta da árvore lembra a do cinamomo-gigante (Melia azedarach forma "gigante"), sobretudo nos exemplares jovens. A ramificação é cimosa e a copa, rala e irregular, formada por folhas grandes que dão à planta um aspecto característico. A casca atinge até 30 mm de espessura; externamente é áspera e fissurada no sentido do comprimento, com sulcos largos e profundos e numerosas lenticelas na base do tronco, enquanto a casca interna é branca e tem sabor próprio. As folhas são alternas, grandes e tripinadas, com 20 cm a 90 cm de comprimento por 15 cm a 35 cm de largura, dispostas em 3 a 5 pares de pinas primárias de 10 cm a 20 cm de largura, cada uma com 3 a 11 pares de pinas. Os folíolos, de 1 a 7 pareados em cada pina, são ovados, de 2 cm a 8 cm de comprimento por 1,5 cm a 4 cm de largura, com ponta larga. A inflorescência é um racimo de até 20 cm formado por muitas umbelas, cada uma com 10 a 50 flores. As flores são hermafroditas, actinomorfas, brancas e de até 1 cm de diâmetro. O fruto é uma drupa obovoide com 6 a 7 ângulos obtusos, base aguda e ápice coroado pelo estilete persistente; em corte transversal mostra 6 a 7 pirênios, é monospérmico e tem endosperma farináceo. As sementes são brancas e medem de 4 mm a 5 mm de comprimento.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinal
Produtos e utilizações

A madeira é leve a moderadamente densa, com massa específica aparente de 0,48 g/cm³ a 0,54 g/cm³. O alburno é branco-amarelado e o cerne tem coloração mais intensa; a madeira possui bom brilho natural e tom claro. A secagem natural em fornos é rápida, sem complicações e com boa estabilidade no pátio. É fácil de serrar e de trabalhar, oferecendo bom acabamento com ferramentas de carpintaria. Tem caráter decorativo e serve para fins ornamentais, como encapados e lâminas, além de forros, caixas leves, brinquedos e lápis; na Argentina é aproveitada no desbobinado rotativo e em chapas para madeira compensada destinada a revestimentos. Também é indicada para a fabricação de papel, embora a lenha seja de baixa qualidade. Na medicina popular, as flores são usadas por suas propriedades analgésicas.

Aspectos ecológicos

O carobão é geralmente classificado como espécie pioneira, ainda que alguns autores o descrevam como espécie clímax exigente de luz. Apesar de ter ampla distribuição geográfica, é extremamente raro em toda a sua área de ocorrência. Costuma surgir em formações secundárias, como capoeiras e capoeirões, mas exemplares adultos também aparecem no interior da floresta primária densa. Ocupa a Floresta Estacional Decidual nas formações submontana e montana (Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul) e a Floresta Estacional Semidecidual nas mesmas formações (Minas Gerais, Paraíba, Paraná e São Paulo). Surge ainda em brejos de altitude do Nordeste, como no Pico do Jabre, na Serra do Teixeira (PB), e em áreas de contato entre Caatinga e Floresta Estacional Decidual, no sertão dos Canudos (BA), além de vegetação sobre afloramentos calcários em Minas Gerais. No México, vegeta na costa do Pacífico, em selvas baixas caducifólias e em matas de galeria às margens de rios de solos arenosos profundos.

Floração e frutificação

A floração vai de novembro a janeiro em Minas Gerais e de dezembro a fevereiro no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem em maio em Minas Gerais e de maio a junho no Rio Grande do Sul.

Fauna associada

A polinização é feita sobretudo por diversas espécies de abelhas e por pequenos insetos variados. A dispersão dos frutos e sementes é zoocórica, realizada por várias aves, e a espécie pode até ter sido disseminada por alguma ave migratória vinda da América Central. Os frutos são suculentos e bastante procurados por pássaros.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando ficam roxo-escuros, quase pretos, e começam a cair naturalmente. Cada quilo reúne cerca de 97 mil sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. A viabilidade em armazenamento é curta, durando menos de 4 meses.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeira e, depois, repicar as plântulas para sacos de polietileno ou tubetes pequenos de polipropileno, de 3 a 5 semanas após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 30 e 60 dias após a semeadura e taxa geralmente acima de 50%. As mudas ficam aptas ao plantio cerca de 9 meses depois.

Características silviculturais

Espécie heliófila e de tolerância mediana ao frio. Apresenta crescimento monopodial e boa desrama natural. Para o plantio, recomenda-se o sistema misto.

Crescimento e produção

Não existem dados sobre o crescimento da espécie em plantios, mas seu desenvolvimento é rápido: pode alcançar com facilidade 4 m de altura aos 2 anos de idade.

Clima

A precipitação média anual varia de 800 mm, na Paraíba, a 1.900 mm, no Paraná, com chuvas bem distribuídas no Paraná e periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica vai de pequena a moderada no inverno em São Paulo, é moderada no sudeste de Minas Gerais e atinge de moderada a forte na Bahia. A temperatura média anual fica entre 20,1 ºC (Foz do Iguaçu, PR) e 24,0 ºC (Jacobina, BA); a média do mês mais frio varia de 14,5 ºC a 21,2 ºC e a do mês mais quente, de 22,9 ºC (Campo Mourão, PR) a 25,6 ºC (Jacobina, BA). A temperatura mínima absoluta registrada foi de -7,1 ºC, em Campo Mourão (PR), com geadas ausentes a pouco frequentes no Paraná. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Aw (tropical com inverno seco) no nordeste de Goiás, Triângulo Mineiro, Serra do Teixeira (PB) e Rio Grande do Norte; BSwh (semiárido) no sertão de Canudos (BA); Cfa (subtropical úmido de verão quente) no centro-oeste do Paraná, no Rio Grande do Sul e no nordeste de São Paulo; e Cwa (subtropical de inverno seco e verão quente e chuvoso) em São Paulo.

Solos

A espécie é indiferente às características físicas e químicas dos solos.