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Foto de Carne-de-vaca

Foto: Andres Cavallo (CC BY) via GBIF

Carne-de-vaca

Styrax leprosus

Styracaceae Mata AtlânticaPampa
  • até 18 mAltura
  • Médio portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: caujuja, pau-de-remo, cuia-do-brejo, benjoim, jaguatinga, maria-mole, maria-mole-graúda, azeitona-do-mato, cajujo, canela-seiva, carne-de-vaca-do-norte, quebra-machado, sete-sangrias

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a caujuja pertence à ordem Ericales (que no sistema de Cronquist correspondia a Ebenales), dentro do clado das asterídeas, e à família Styracaceae. Seu nome científico é Styrax leprosus Hooker et Arnott, descrito em 1834. A literatura registra como sinônimos Strigilia leprosa (Hook. et Arn.) Miers e Styrax leprosus f. latifolia Chodat et Hassler. O termo Styrax tem origem no árabe assthhirak, que quer dizer gota, em alusão à seiva exsudada por espécies do gênero como Styrax officinalis e S. benzoin; já o epíteto leprosus remete às escamas peltadas que recobrem partes da planta.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta perenifólia, variando de arvoreta a árvore, cujos exemplares de maior porte chegam por volta de 18 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito (DAP) quando adultos. O tronco costuma ser reto e cilíndrico, de seção irregular, com a base levemente reforçada por pequenas sapopemas e, com frequência, brotações epicórmicas; o fuste alcança até 12 m. A ramificação é dicotômica ou simpódica, formando copa alta, densa e de contorno irregular a cônico, com galhos jovens cobertos de pelos escamiformes prateados. A casca, de até 10 mm de espessura, tem superfície externa acinzentada com manchas castanho-claras e leves fissuras que se soltam em placas estreitas e compridas; internamente é rósea, da cor da carne, tornando-se amarelada perto do câmbio, de textura fibrosa e estrutura trançada. As folhas são simples, alternas, lanceoladas e discolores: verdes com pontos brancos na face superior e prateadas na inferior, de margem inteira a levemente ondulada, consistência cartácea, lâmina de 4 cm a 10 cm de comprimento por 2 cm a 4 cm de largura, pecíolo curto de cerca de 6 mm, concentradas nas pontas dos galhos. A inflorescência é um racemo axilar de 3 cm a 6 cm, reunindo de 1 a 15 flores bissexuais, brancas e prateadas por fora, com corola de 10 mm a 13 mm. O fruto é bacáceo, oblongo-obovado, de 8 mm a 15 mm de comprimento por 4 mm a 8 mm de largura, com cálice persistente e uma única semente. A semente é elipsoide, mede 8,5 mm por 3,5 mm e tem testa vermelho-clara, fina e quebradiça.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícolaenergético
Produtos e utilizações

A madeira é leve a moderadamente densa (0,48 a 0,59 g/cm³), de cor marrom, com cerne castanho-claro levemente rosado e mais escuro que o alburno. Tem superfície lisa, brilho discreto, grã direita, textura fina e homogênea, sem gosto ou cheiro marcantes e veteado suave. É fácil de trabalhar, recebe bem lustre, verniz e pintura, oferece boa resistência à flexão e seca sem maiores problemas, mantendo estabilidade. Em contrapartida, não resiste ao contato com o solo ou com a umidade, apodrecendo com facilidade, o que recomenda tratamentos prévios de impregnação — facilitados por sua grande capacidade de absorção. É indicada para carpintaria geral, tabuado, caixotaria, obras internas, remos, cabos de ferramentas, vassouras e escovas, podendo servir ainda para lâminas e contraplacados. Presta-se também à produção de pasta para papel e fornece lenha de boa qualidade. Da casca a planta exsuda uma leve resina aromática, ainda pouco estudada; outras espécies de Styrax do sudeste asiático produzem a resina conhecida como benjuí, de propriedades estimulantes, antissépticas, antirreumáticas e expectorantes.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária tardia, é árvore típica e quase exclusiva do Planalto Meridional do Sul do Brasil, onde cresce de preferência no interior dos pinhais, nos capões das estepes gramíneo-lenhosas e na orla das florestas. De caráter higrófilo, ocupa os estratos médios e superiores das florestas altas em sítios úmidos e tem ampla dispersão pela Região Sul, sem se tornar abundante. Ocorre na Floresta Estacional Decidual (formações Submontana e Montana, no Rio Grande do Sul, com até dez indivíduos por hectare), na Floresta Ombrófila Densa (Paraná, Santa Catarina — onde é muito rara — e na formação Montana do Planalto de Ibiúna, em São Paulo) e na Floresta Ombrófila Mista com araucária (Paraná e Rio Grande do Sul, com até 13 indivíduos por hectare e DAP acima de 6,4 cm). Aparece ainda na Estepe ou Campos do Sul do Brasil, em ambientes ripários (até dois indivíduos por hectare no Paraná), em campos rupestres de Minas Gerais e em capões de Podocarpus lambertii e florestas turfosas no Rio Grande do Sul.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: novembro a dezembro em São Paulo, novembro a abril no Paraná, dezembro a janeiro em Minas Gerais, dezembro a março em Santa Catarina e janeiro a março no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem de abril a junho e de novembro a dezembro no Rio Grande do Sul, e de maio a dezembro no Paraná.

Fauna associada

Espécie monoica, tem a polinização realizada principalmente por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão é autocórica do tipo barocórica (pela gravidade) e, sobretudo, zoocórica, com participação da fauna.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando começam a cair naturalmente, ou recolhidos do chão após a queda. Em seguida, ficam amontoados por alguns dias até a polpa iniciar a decomposição, quando as sementes são extraídas em água corrente dentro de uma peneira. Cada quilo reúne cerca de 7.554 sementes. Como tratamento pré-germinativo, recomenda-se imersão em ácido sulfúrico a 75% por 30 minutos seguida de lavagem em água corrente, ou escarificação mecânica de dois segundos; no viveiro da Embrapa Florestas, porém, sementes recém-colhidas germinaram sem qualquer tratamento. As sementes são recalcitrantes e mantêm a viabilidade por apenas 30 dias.

Produção de mudas

Indica-se semear uma semente por recipiente, em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou em tubetes de polipropileno médios. Quando preciso, a repicagem é feita de 5 a 6 semanas após a germinação, ou assim que a plântula atingir 5 cm a 7 cm. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 25 e 35 dias após a semeadura e poder germinativo alto, de até 80%. As mudas permanecem no viveiro por pelo menos 6 meses.

Características silviculturais

A caujuja é uma espécie esciófila e tolerante a baixas temperaturas. Cresce com forma levemente tortuosa, dominância apical definida, ramificação pesada e bifurcações, e tem desrama natural fraca, exigindo podas frequentes de condução e de galhos. Pode ser plantada a pleno sol em consórcios mistos e rebrota da touça ou da cepa.

Crescimento e produção

Não há informações sobre o desempenho da espécie em plantios, mas seu crescimento é considerado lento.

Clima

A precipitação média anual nas áreas de ocorrência vai de 1.150 mm no Rio Grande do Sul a 3.700 mm na Serra de Paranapiacaba (SP), com chuvas bem distribuídas na Região Sul (salvo o norte do Paraná) e periódicas nas demais áreas. A deficiência hídrica é nula em boa parte da Região Sul, no centro-leste paulista e na Serra da Bocaina; pequena no verão no sul gaúcho; de pequena a moderada no inverno no sul de Minas; e moderada no inverno no norte do Paraná. A temperatura média anual fica entre 13,4 ºC (Campos do Jordão, SP) e 20,6 ºC (Londrina, PR), com mínima absoluta de até -10,4 ºC em Caçador (SC) e, em pontos do Planalto Sul-Brasileiro, podendo chegar a -17 ºC junto à relva. Registram-se de 0 a 30 geadas anuais em média (máximo de 81), com possibilidade de neve. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Cfa, Cfb e Cwb.

Solos

É frequente em solos úmidos, orgânicos e encharcados durante a maior parte do ano, sendo escassa em terrenos bem drenados.