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Foto de Carne-de-vaca

Foto: Ghart27 (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia

Carne-de-vaca

Clethra scabra

Clethraceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 30 mAltura
  • Grande portePorte
MadeireirasMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: canjuja, guaperê, pau-de-cera, vassourão, vermelhão, cangalheira-falsa, caujuja, canela-abacate, folha-de-bolo, canjujeira, cangalheira, cangalheiro, cangalheiro-falso, caúna, falsa-cangalheira, pau-de-cinzas

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas), ordem Ericales e família Clethraceae, no gênero Clethra. Seu nome aceito é Clethra scabra Pers., publicado em 1805, tendo como sinônimo botânico Clethra brasiliensis Cham. et Schlecht. O nome do gênero, Clethra, é a denominação grega do amieiro (Alnus, Betulaceae), pois a espécie-tipo, Clethra alnifolia, possui folhas muito semelhantes às dessa planta; já o epíteto scabra deriva do latim scaber, que quer dizer áspero ao toque, em referência à textura da folha. O gênero reúne cerca de 30 espécies, e Clethra scabra é tradicionalmente subdividida em três variedades (scabra, venosa e laevigata), distinguidas pela textura e pelo tipo de tomento das folhas, embora a literatura aponte que essa separação seja difícil de fazer na prática.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta de hábito variável, podendo ser arbusto, arvoreta ou árvore, com folhagem perene a semidecídua. Os exemplares de maior porte chegam a cerca de 30 m de altura e 60 cm de diâmetro do tronco (medido a 1,30 m do solo) quando adultos. O tronco varia de levemente tortuoso a cilíndrico, com fuste de até 12 m. A ramificação é simpódica e a copa, pequena e arredondada a um pouco alongada, exibe folhagem densa e nitidamente discolor: verde-escura na parte de cima e acinzentada na de baixo; os ramos novos apresentam tomento fulvo. A casca tem até 8 mm de espessura, com a parte externa de cor cinza-rosada a acastanhada, aspecto levemente verrucoso, fendas longitudinais e desprendimento pulverulento, textura curto-fibrosa e estrutura laminada; internamente é rosada a avermelhada, de textura curto-fibrosa e estrutura trançada. As folhas são simples, alternas, subcoriáceas, de formato oblongo-agudo, oblanceolado a subespatulado, com base atenuada e ápice arredondado, obtuso ou agudo. A lâmina mede de 6 a 14 cm de comprimento por 3 a 9 cm de largura, é glabra na face superior e densamente revestida de pelos simples (fulvo-tomentosa) na inferior; o pecíolo é longo, de 1,4 a 1,8 cm, e a margem é inteira ou serreada a partir do terço médio. Apresenta de 8 a 9 pares de nervuras peninérveas, com retículo de vênulas bem visível, e indumento ferrugíneo no pecíolo e no ramo terminal. As inflorescências são racemos axilares e terminais, corimbiformes ou em panículas frouxas, de 12 a 16 cm de comprimento. As flores são pequenas (1,5 a 2 mm), curto-pediceladas, alvo-tomentosas, com corola branca de lobos obovados. O fruto é uma cápsula subglobosa trilobada de 0,3 a 0,4 cm de diâmetro, contendo numerosas sementes ovais a subarredondadas, planas, discoidais, aladas e membranáceas, de margem lacerada e cerca de 0,1 a 0,15 cm de comprimento.

Uso e ecologia
madeireirorecuperação de áreasapícolaenergético
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,53 a 0,62 g/cm³ a 15% de umidade), com alburno rosado e cerne castanho-claro; tem superfície lisa ao toque, brilho discreto, textura fina, grã direita e sabor e cheiro pouco perceptíveis. Pode ser empregada em desdobro, tabuado, caixotaria leve, carpintaria, marcenaria, vigamentos, obras internas e externas, esteios, mourões, cabos de ferramentas e miolos de compensados. A lenha e o carvão obtidos são de boa qualidade, e a madeira também serve à fabricação de papel. Como planta melífera, produz néctar e pólen. Quanto à composição química, foram identificados alcaloides, saponina e substâncias tanantes.

Aspectos ecológicos

É uma espécie pioneira a secundária inicial, frequentemente considerada invasora de campos. Aparece em vegetação secundária (capoeiras), em terrenos úmidos de capões, faxinais e topos de morro. No bioma Mata Atlântica ocorre na Floresta Estacional Semidecidual (formações Submontana, Montana e Alto-Montana, em Minas Gerais, com 1 a 19 indivíduos por hectare), na Floresta Ombrófila Densa (formações das Terras Baixas a Alto-Montana, no Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, chegando a 53 indivíduos por hectare), na Floresta Ombrófila Mista ou de Araucária (formações Aluvial, Montana e Alto-Montana, no Paraná e em Santa Catarina, com 13 a 33 indivíduos por hectare), nas áreas de contato entre Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Ombrófila Mista, no sul de Minas Gerais, e na restinga, em São Paulo. No bioma Cerrado é registrada no cerrado lato sensu, em São Paulo, e no cerradão, em Minas Gerais e São Paulo. Ocorre ainda em ambientes ripários de Minas Gerais, Paraná e São Paulo e, raramente, nos campos rupestres da Serra da Bocaina (MG).

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de novembro a abril no Rio Grande do Sul, de fevereiro a maio em Santa Catarina, de dezembro a abril no Paraná e de dezembro a fevereiro em São Paulo. Os frutos amadurecem de fevereiro a maio em São Paulo, de março a maio no Paraná e de maio a junho em Santa Catarina.

Fauna associada

A espécie é hermafrodita e tem como principais polinizadores as abelhas sem ferrão (Meliponinae), incluindo Melipona bicolor, Melipona marginata, Nannotrigona testaceicornis, Partamona helleri, Plebeia droryana, Plebeia remota, Scaptotrigona bipunctata, Schwarziana quadripunctata e Tetragonisca angustula, além de diversos pequenos insetos. A dispersão das sementes é autocórica, ocorrendo tanto por gravidade (barocoria) quanto pelo vento (anemocoria).

Plantio e silvicultura
Sementes

As infrutescências devem ser colhidas diretamente da árvore assim que os primeiros frutos começam a abrir espontaneamente. Em seguida, são levadas ao sol para que terminem de abrir e liberem as sementes, que são minúsculas: há cerca de 4 milhões delas por quilo. Não é preciso aplicar tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento recalcitrante e perdem rapidamente a viabilidade, não se prestando ao armazenamento prolongado.

Produção de mudas

Por serem muito pequenas, as sementes devem ser semeadas em sementeiras e, depois, as plântulas repicadas para sacos de polietileno de pelo menos 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio; a repicagem é feita quando as mudas atingem de 4 a 5 cm de altura. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), começando entre 20 e 58 dias após a semeadura, com poder germinativo irregular. As mudas alcançam 20 cm de altura cerca de 5 a 6 meses depois da semeadura. A espécie se dá bem em substrato arenoso com alto teor de alumínio e deve ser mantida sob sombrite com 50% de luminosidade.

Características silviculturais

É uma planta heliófila e tolerante a baixas temperaturas. Seu hábito é tortuoso, sem dominância apical definida, com ramificação pesada, bifurcações e multitroncos; como a desrama natural é fraca, exige podas frequentes de condução e de galhos. Recomenda-se para plantio puro ou misto a pleno sol, e rebrota bem a partir do toco ou da touça.

Crescimento e produção

O crescimento é lento, com produção volumétrica estimada em até 5,35 m³ por hectare ao ano aos 8 anos de idade.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 900 mm, na Bahia, a 3.700 mm, na Serra de Paranapiacaba (SP). As chuvas são uniformemente distribuídas na Região Sul (exceto no norte do Paraná) e periódicas nas demais áreas. A deficiência hídrica é nula no Sul (salvo o norte do Paraná), na Serra da Bocaina (MG) e na Serra da Cantareira (SP); de pequena a moderada no inverno do centro e leste de São Paulo, sul de Minas Gerais e sudoeste do Espírito Santo; e moderada no inverno do leste de Minas Gerais e da região central da Bahia. A temperatura média anual oscila entre 13,4 ºC (Campos do Jordão, SP) e 23,7 ºC (Rio de Janeiro, RJ), com média do mês mais frio de 8,2 ºC a 21,3 ºC e do mês mais quente de 19,9 ºC a 26,5 ºC. A mínima absoluta registrada foi de -10,4 ºC (Caçador, SC), podendo chegar a -17 ºC na relva. O número de geadas varia de 0 a 30 por ano, com máximo absoluto de 81 no Planalto Sul-Brasileiro e em Campos do Jordão (SP). Pela classificação de Köppen, abrange os tipos Af, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Cresce naturalmente sobre os mais variados tipos de solo.