Foto: Gabriel M. Rolim (CC BY) via GBIF
Carnaúba
Copernicia prunifera
- 10 a 15 mAltura
- Médio portePorte
Também conhecida como: carnaubeira, carnaúba-verdadeira, carnaíba, carandaúba, árvore-da-vida
Botânica
Pertence à família Arecaceae (palmeiras) e ao gênero Copernicia, dedicado ao astrônomo Nicolau Copérnico. O epíteto específico prunifera faz referência aos frutos semelhantes a pequenas ameixas. É uma palmeira inerme na fase adulta e monoica, com inflorescências hermafroditas.
Palmeira solitária de estipe (tronco) cilíndrico, ereto, de 10 a 15 m de altura e 15 a 25 cm de diâmetro, marcado por cicatrizes anelares deixadas pelas folhas velhas, que persistem em forma de saia na porção superior. As folhas são palmadas (em leque), grandes, dispostas em coroa terminal, com pecíolos armados de espinhos nas margens e cobertas por uma camada de cera branca, a fonte da cera de carnaúba. As flores são pequenas, amareladas, reunidas em longas inflorescências ramificadas que se projetam entre as folhas. Os frutos são drupas globosas a ovoides, de cor verde a marrom-escura ou quase preta quando maduros, com cerca de 2 a 3 cm, contendo uma única semente.
Uso e ecologia
É a fonte da célebre cera de carnaúba, extraída do pó das folhas jovens, usada em cosméticos, polidores, vernizes, revestimento de frutas, cápsulas farmacêuticas e indústria alimentícia. O estipe fornece madeira durável e resistente, empregada em construções rurais, estacas, caibros e mourões. As folhas servem para cobertura de casas, artesanato, chapéus, esteiras e cestaria. Os frutos e o palmito têm uso alimentar local, e diversas partes têm emprego medicinal popular.
Espécie heliófila e pioneira, adaptada a solos periodicamente encharcados e a longos períodos de estiagem. Tolera salinidade e solos pesados, sendo importante na estabilização de várzeas e margens fluviais. Os carnaubais nativos compõem ecossistemas característicos do semiárido, com elevado valor ecológico e econômico para o Nordeste.
A floração ocorre principalmente na estação seca, em geral entre o fim do verão e o outono, e a frutificação se prolonga até a estação chuvosa.
Os frutos são consumidos por aves, morcegos, roedores e outros mamíferos, que atuam na dispersão das sementes. As inflorescências atraem abelhas e outros insetos polinizadores, tornando a espécie de interesse apícola.
Plantio e silvicultura
A propagação é feita por sementes, que apresentam germinação lenta e desuniforme. Recomenda-se a semeadura logo após a colheita de frutos maduros, com a remoção da polpa, pois as sementes perdem viabilidade com o armazenamento. A imersão prévia em água pode favorecer a germinação.
As mudas devem ser produzidas em sacos ou tubetes profundos, dado o desenvolvimento inicial de raiz pivotante. O crescimento das mudas é lento, exigindo permanência prolongada no viveiro antes do plantio definitivo.
Espécie rústica, indicada para plantios em várzeas e áreas sujeitas a alagamento sazonal no semiárido. É usada em recuperação de margens e em sistemas de manejo extrativista dos carnaubais. Requer pleno sol desde as fases iniciais.
O crescimento é lento, sobretudo na fase juvenil, podendo levar muitos anos para formar o estipe visível e atingir a fase produtiva.
Adaptada ao clima quente e semiárido, com estação seca prolongada e altas temperaturas. Tolera bem a deficiência hídrica e o encharcamento periódico.
Desenvolve-se em solos aluviais, argilosos e pesados das várzeas, tolerando encharcamento, salinidade e baixa drenagem, condições em que poucas outras espécies prosperam.