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Foto de Capororoca

Foto: Martin Coronel Varela (CC BY) via GBIF

Capororoca

Rapanea umbellata

Myrsinaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 20 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: capororocão, caporoca, caporocão, capororoca-branca, capororoca-verdadeira, pororoca, pororoca-branca, pororoca-da-mata, capororoca-da-graúda, capororoca-da-preta, capororoca-do-graúdo, caapororoca, capororoca-vermelha, peroba-d'água, azeitona-brava, mangue, capororoca-de-folha-grande, jacaré-do-mato

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação de Cronquist, a espécie é uma angiosperma da classe Magnoliopsida (dicotiledôneas), ordem Primulales, família Myrsinaceae e gênero Rapanea. O nome aceito é Rapanea umbellata (Mart.) Mez, publicado em 1902, tendo como sinônimo botânico Myrsine umbellata Mart. O nome do gênero deriva de rapánea, denominação popular usada na Guiana. A espécie é bastante variável conforme o ambiente e a região, o que faz com que seja frequentemente confundida com outras do mesmo gênero, como R. balansae, R. gardneriana, R. guianensis, R. hermogenesii, R. leuconeura e R. venosa. As nervuras, em geral bem marcadas na face inferior da folha, ajudam a identificá-la. O gênero Rapanea tem distribuição pantropical, com cerca de 150 espécies espalhadas pelas Américas, África, Oceania e Ásia, das quais aproximadamente 24 ocorrem no Brasil.

Descrição botânica

Espécie perenifólia que pode se apresentar como arbusto, arvoreta ou árvore, atingindo nos exemplares maiores cerca de 20 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito quando adulta. O tronco costuma ser reto, às vezes levemente tortuoso, com fuste de até 8 m. A ramificação é simpódica ou racemosa, e a copa densa chega a 6 a 7 m de diâmetro no auge do desenvolvimento. A casca pode ter até 15 mm de espessura; externamente é cinza-clara a escura, áspera e, nas árvores velhas, com fendas profundas e descamação pulverulenta, enquanto internamente apresenta tom rósea-avermelhado a vermelho, textura arenosa e estrias incolores e pegajosas. As folhas são simples, alternas, espiraladas, oblongas, coriáceas e glabras, com base obtusa a revoluta, ápice agudo e margem lisa, medindo de 7 a 15 cm de comprimento por 3,5 a 5 cm de largura (podendo chegar a 23 cm de comprimento e 8 cm de largura no interior de florestas); o pecíolo tem de 1 a 1,5 cm, arroxeado nas folhas mais novas. As inflorescências são fasciculado-umbeladas, nascendo diretamente nos ramos lenhosos, com 5 a 22 flores por fascículo. As flores são unissexuais, de cor esverdeada a branco-amarelada. O fruto é uma drupa globosa de 3 a 6 mm de diâmetro, verde quando imatura e roxo-escura na maturação, com sementes pequenas e arredondadas de 2,5 a 3,5 mm.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícolaenergia
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,70 a 0,86 g/cm³), com alburno e cerne pouco distintos, ambos avermelhados, textura grossa, grã direita e baixa durabilidade mesmo quando protegida. Pouco aproveitada em serraria, é mais empregada em mourões, tesouras e outras peças de construções rústicas abrigadas das intempéries. Produz lenha e carvão de boa qualidade e racha com facilidade. Não serve para celulose e papel, por ter fibras curtas (0,68 mm) e alto teor de lignina (35,68%). A casca já foi importante fonte de tanino no Rio Grande do Sul. Na fitoterapia, o chá da casca é usado contra problemas do fígado e da pele, e o decocto, no tratamento da hanseníase e na limpeza de feridas e úlceras. É também planta melífera.

Aspectos ecológicos

Trata-se de espécie de sub-bosque, secundária inicial ou clímax exigente em sombra, com excelente regeneração natural em capoeiras e capoeirões e capaz de se estabelecer em clareiras pequenas, com menos de 60 m². Em encosta de Floresta Atlântica, em Peruíbe (SP), seu padrão de distribuição espacial mostrou-se aleatório. Ocorre em diversas formações da Mata Atlântica, como Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista (de araucária) e restingas, além de ambientes de Cerrado (savana e cerradão). As densidades variam bastante: de 1 a 70 indivíduos adultos por hectare nas florestas estacionais semideciduais, de 2 a 31 na floresta de araucária e de 10 a 380 por hectare no cerrado. Também aparece em matas ciliares, capões com Podocarpus lambertii, campos rupestres e formações de Clusia.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de março a dezembro e em julho em São Paulo, de maio a agosto no Paraná, de agosto a setembro no Rio Grande do Sul e de dezembro a janeiro em Minas Gerais. Os frutos amadurecem de junho a julho em Minas Gerais, de outubro a fevereiro no Paraná, de novembro a março em São Paulo e de janeiro a fevereiro no Rio Grande do Sul.

Fauna associada

É espécie dióica, polinizada principalmente pelo vento. A dispersão dos frutos e sementes é essencialmente zoocórica: entre os mamíferos destaca-se o bugio ou guariba (Alouatta guariba) e, entre as aves, sabiás (Turdus spp.), tucanos (Ramphastos spp.), jacus (Penelope spp.) e a gralha-amarela (Cyanocorax chrysops).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos quando passam do verde para o roxo. Após a colheita, são deixados de molho, macerados, lavados e secos em peneira em local ventilado; ao se soltar da semente, a polpa libera uma tinta vermelho-vinho que mancha as mãos. Há cerca de 15.300 sementes por quilo. Para superar a dormência, recomenda-se estratificação em areia úmida por 60 dias, já que o endocarpo impõe dormência efetiva, embora não impeça a embebição; na natureza, a germinação parece depender da degradação do endocarpo, estimulada pelas baixas temperaturas do inverno. A semente tem comportamento ortodoxo no armazenamento, ainda que haja relato de viabilidade de apenas 10 dias. A melhor germinação em laboratório (68,50%) foi obtida com sementes com tegumento a 20 ºC.

Produção de mudas

Depois da estratificação, peneiram-se as sementes para retirar a areia e semeiam-se em sementeiras. A repicagem das plântulas é feita cerca de 5 semanas após o início da germinação, para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou tubetes médios de polipropileno; pode ser realizada quando surgem as primeiras folhas definitivas ou quando a plântula atinge 3 a 5 cm. O sistema radicial é fasciculado. A germinação é epígea, fanerocotiledonar, com emergência iniciando de 26 a 56 dias após a semeadura; sem tratamento de dormência, esse início ocorre entre 120 e 180 dias. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 12 meses após a estratificação. A espécie apresenta incidência média de micorriza arbuscular.

Características silviculturais

Espécie heliófila e tolerante a baixas temperaturas, com crescimento monopodial e galhos finos, apresentando boa desrama natural em regeneração de densidade média. Pode ser cultivada a pleno sol, em plantio misto com pioneiras, em faixas abertas em capoeiras ou plantada em linhas. Tem boa capacidade de brotação a partir da touça ou cepa.

Crescimento e produção

São poucos os dados disponíveis sobre o crescimento da espécie em plantios.

Clima

A precipitação média anual vai de 1.100 mm, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, a 3.700 mm, na Serra de Paranapiacaba (SP). As chuvas são uniformemente distribuídas no Sul (exceto no norte do Paraná) e periódicas nas demais regiões; a deficiência hídrica vai de nula no Sul a moderada ou forte no inverno em parte de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. A temperatura média anual fica entre 13,4 ºC (Campos do Jordão, SP) e 23,7 ºC (Rio de Janeiro, RJ), com mínima absoluta de -7,7 ºC em Campos do Jordão, podendo chegar a -12 ºC na relva. O número de geadas varia de 0 a 30 por ano, com máximo de 81 no Planalto Sul-Brasileiro e em Campos do Jordão. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, As, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Cresce naturalmente em muitos tipos de solo, com drenagem boa a regular e textura de arenosa a argilosa. Embora se desenvolva em solos secos, muito rasos e de baixa fertilidade química, também é encontrada em várzeas.