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Foto de Capororoca-do-cerrado

Foto: (c) Judy Gallagher, some rights reserved (CC BY-SA), uploaded by Judy Gallagher (cc-by-sa) via iNaturalist

Capororoca-do-cerrado

Rapanea guianensis

Primulaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: capororoca, capororoca-comum, tapiroroca, cajueiro-bravo, cafezinho, jacaré, capiroroca, pororoca, capororoca-branca, carne-de-vaca, mangue

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema APG III, a espécie é classificada entre as Angiospermas, clado das Asterídeas, ordem Ericales, família Primulaceae (em Cronquist aparecia em Mirsinaceae) e gênero Rapanea. O binômio é Rapanea guianensis (Aubl.) Kuntze, descrito originalmente em 1775 (Hist. pl. Guiane 1: 121). Entre seus sinônimos botânicos estão Myrsine guianensis (Aubl.) O. Kuntze e Myrsine monticola Mart. O nome do gênero deriva de "rapánea", como a planta é chamada popularmente na Guiana, e o epíteto guianensis remete ao fato de o exemplar-tipo ter sido coletado naquele país.

Descrição botânica

De hábito que varia entre arbustivo e arbóreo, é uma planta perenifólia, de folhagem sempre verde. Os maiores exemplares chegam a cerca de 25 m de altura e 50 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo) quando adultos, embora também existam formas arbustivas com pouco mais de 1 m. O tronco costuma ser tortuoso, com fuste curto, e a ramificação é dicotômica, com a copa exibindo ramos terminais que conservam os pedicelos da última floração. A casca atinge até 5 mm de espessura, sendo a externa (ritidoma) cinza, percorrida por fissuras sinuosas e descontínuas. As folhas são simples, com lâmina de consistência cartácea a coriácea, de 9 a 18,2 cm de comprimento por 3,7 a 7,1 cm de largura, glabra, de formato elíptico a obovado, ápice obtuso a arredondado (raramente emarginado) e base aguda a cuneada; na face inferior há canais secretores curtos e pouco evidentes, além de pontuações abundantes, enquanto as nervuras secundárias passam quase despercebidas em ambas as faces. A inflorescência é umbeliforme e se estende até a parte basal dos ramos. As flores, tanto masculinas quanto femininas, têm corola branca ou creme-esverdeada. O fruto é uma drupa esférica de cerca de 3,5 mm de diâmetro, de coloração que vai do vermelho-escuro ao quase preto, e as sementes, também esféricas, medem por volta de 4 mm.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalalimentícioapícola
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa, com massa específica aparente entre 0,50 e 0,88 g/cm³ a 15% de umidade. O alburno é branco-arroxeado e o cerne, róseo-acastanhado e uniforme. A superfície é irregularmente lustrosa e lisa ao toque, de textura média e grã direita, sem gosto ou cheiro perceptíveis. Sua durabilidade natural é baixa, apodrecendo com rapidez quando exposta ao tempo. Em geral, é aproveitada localmente em obras internas, como esteios, e externas, como estaqueamento. Por se lascar com facilidade, fornece lenha e carvão de boa qualidade, mas é inadequada para celulose e papel. A forragem contém de 10% a 15% de proteína bruta e de 4% a 9% de tanino, e os frutos são empregados como condimento, em conserva de vinagre. As flores são melíferas. Em Minas Gerais, o macerado das cascas é usado na medicina popular como anti-inflamatório para picadas de insetos, além de na limpeza de tumores e feridas (registro de pesquisa, sem valor de prescrição médica). As folhas apresentam 1,26 mg/dm² de cera bruta e 30,65% de alcanos.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie pioneira a secundária inicial, típica da vegetação secundária e rara no interior da floresta primária densa. Tem capacidade de colonizar áreas degradadas, tendo sido observada ocupando uma voçoroca em Itutinga (MG). Ocorre na Mata Atlântica, na Floresta Estacional Semidecidual (formações aluvial, submontana e montana) e na Floresta Ombrófila Densa (formações submontana e montana), onde chega a seis indivíduos por hectare. No Cerrado, aparece em campo cerrado (até 20 indivíduos por hectare), campo sujo, cerrado rupestre (até oito por hectare), cerrado stricto sensu (até 200 por hectare) e cerradão (de seis a 78 por hectare). Também é encontrada em matas ciliares, brejos de altitude nordestinos, campos de murundu, campos rupestres, capões de restinga, encraves de cerrado, florestas de brejo e em vegetação de restinga, onde pode alcançar até 152 indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

Em geral a espécie é dioica, mas a presença de frutos esparsos em alguns indivíduos com flores masculinas sugere que possa ser polígamo-dioica (trioica). A floração vai de dezembro a janeiro em Pernambuco, ocorre em janeiro no Ceará e de março a outubro em São Paulo. Os frutos amadurecem de janeiro a abril em Pernambuco e em maio no Ceará, enquanto em São Paulo são vistos em diferentes épocas do ano. No Distrito Federal, a frutificação não acontece todos os anos.

Fauna associada

A polinização é feita por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão dos frutos e sementes ocorre essencialmente por zoocoria, ou seja, por meio de animais.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos quando mudam de verde para arroxeado. Após a colheita, ficam de molho em água para amolecer a polpa e facilitar a retirada das sementes; em seguida são macerados e lavados em peneira sob água corrente, para separar a semente da polpa. Depois disso, espalham-se as sementes na peneira para secar em local arejado. Vale notar que, ao extrair a semente da polpa, libera-se uma tinta vermelho-vinho que mancha as mãos. Cada quilo reúne de 80.000 a 80.600 sementes. As sementes apresentam dormência tegumentar, que pode ser superada com imersão em ácido sulfúrico concentrado a 100% por 5 minutos. A viabilidade tende a ser longa, já que integram o banco de sementes do solo; armazenadas em temperatura ambiente, conservam o poder germinativo por mais de um ano.

Produção de mudas

Depois da estratificação, as sementes são peneiradas para retirar a areia e então semeadas em sementeiras. A repicagem das plântulas é feita cerca de 5 semanas após o início da germinação, transferindo-as para sacos de polietileno de 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou tubetes de polipropileno de 290 mL; o momento ideal é quando o hipocótilo exibe as primeiras folhas definitivas ou as plântulas atingem de 3 a 5 cm. O sistema radicial é fasciculado. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares; em sementes não tratadas costuma ser baixa e lenta, mas as tratadas germinam entre 15 e 25 dias, alcançando até 70%. As mudas estão prontas para o campo em cerca de 8 meses. Recomenda-se sombreamento de 30% durante a fase de viveiro.

Características silviculturais

Espécie heliófila, com tolerância média a baixas temperaturas. Seu crescimento é monopodial, com galhos finos, e apresenta boa derrama natural na regeneração, onde aparece em densidade média. É indicada para plantios em clareiras ou para o enriquecimento de capoeiras.

Crescimento e produção

Há poucos registros sobre o desenvolvimento da espécie em plantio, mas o crescimento é considerado lento.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência varia de 650 mm, em Pernambuco, a 3.200 mm, em São Paulo, com chuvas periódicas. A deficiência hídrica vai de pequena a moderada no inverno no Distrito Federal e sul de Goiás, é moderada no oeste paulista, norte do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul, e de moderada a forte no oeste de Minas Gerais. A temperatura média anual situa-se entre 17,5 °C (Viamão, RS) e 25,3 °C (Floresta, PE); a do mês mais frio vai de 13,2 °C (Jaguariaíva, PR) a 23,8 °C (Barbalha, CE) e a do mês mais quente, de 21,2 °C (Guaramiranga, CE) a 26,8 °C (Barbalha, CE). A mínima absoluta registrada foi de -3 °C, em Jaguariaíva (PR). As geadas variam de 0 a 12 ocorrências médias, com máximo de 28 na região de Jaguariaíva, embora na maior parte de sua distribuição sejam raras ou inexistentes. Segundo Köppen, ocorre nos climas Af, Am, As, Aw, Cfa, Cwa e Cwb.

Solos

Cresce naturalmente em solos de fertilidade média, ricos em alumínio e de textura arenosa a areno-pedregosa. No Cerrado mineiro, esses solos têm pH entre 4,6 e 4,9.