Foto: Jorge EFO Silva (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia
Capixingui
Croton floribundus
- 10 a 20 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: capexinguí, capoeira-preta, sangra-d'água, tapixingui, lixeira, sangue-de-dragão, sangue-de-drago, urucurana, velame, velame-de-cheiro
Botânica
O nome científico da espécie é Croton floribundus Lund ex Didr., publicado em 1857, e tem como sinônimos botânicos Croton asper Desv. e C. floribundus Spreng. Pertence à família Euphorbiaceae, ordem Euphorbiales. O gênero Croton vem do grego e significa carrapato, em referência à semelhança entre a semente e esse animal; os antigos gregos usavam o mesmo termo para a mamoneira (Ricinus communis), também euforbiácea, pelo mesmo motivo. Já o epíteto floribundus remete à floração abundante da planta.
Geralmente apresenta-se como um grande arbusto de 5 a 10 m de altura e 15 a 30 cm de DAP, mas na fase adulta pode crescer como árvore semicaducifólia de até 20 m de altura e 60 cm de DAP. O tronco é reto, cilíndrico e curto, com fuste de até 6 m. A ramificação é cimosa, formando copa arredondada e aberta, de ramos cilíndricos. A casca chega a 12 mm de espessura: a parte externa é cinzento-escura, lisa quando a planta é jovem e áspera quando adulta; a interna é róseo-clara e, ao ser ferida, libera um látex aquoso incolor que escurece rapidamente até ficar preto. As folhas são simples e alternas, com estípulas e limbo ovado a elíptico ou lanceolado, medindo de 8 a 12 cm de comprimento por 5 a 6 cm de largura, com base cordiforme ou obtusa e ápice agudo. A face superior é brilhante e verde-escura quando nova, tornando-se avermelhada a alaranjada antes de cair; a inferior é branca e coberta por pelos estrelados. Ambas as faces são bastante ásperas, lembrando lixa, o que originou o nome popular lixeira. Ao serem destacadas, as folhas também exsudam látex aquoso em abundância. As flores são amareladas e se agrupam em inflorescências de até 30 cm. O fruto é uma cápsula seca do tipo esquizocarpo, tricoca, com abertura explosiva e elástica, abrigando três sementes. Cada semente é arredondada, albuminosa, coriácea, preta e lembra uma pequena bolinha, com cerca de 4,7 mm de comprimento por 4,4 mm de largura.
Uso e ecologia
Por ter cor clara e resistência mecânica entre baixa e média, a madeira do capixingui tem aplicações limitadas, sendo recomendada para caixotaria leve, artefatos de madeira, tamancos e chapas de partículas; na construção civil serve para tábuas e revestimento interno, além de ser usada na fabricação de fósforos. Pode eventualmente servir como lenha, embora de qualidade ruim. É adequada para celulose e papel, pois desfibra com facilidade e tem fibra de 0,96 mm de comprimento. A madeira é moderadamente densa (0,50 a 0,60 g/cm³ a 15% de umidade), com alburno e cerne indistintos, de coloração bege-clara a bege-rosada e uniforme. Sua superfície é lisa e pouco lustrosa, com textura média, grã direita e sem cheiro ou gosto perceptíveis. A durabilidade natural é muito baixa diante de organismos xilófagos, mas a madeira absorve bem soluções preservantes sob pressão; por ser suscetível à deterioração biológica, exige tratamento preservante antes de usos expostos ao apodrecimento. Quanto à química, a casca contém cumarina, saponina e tanino, e o lenho também apresenta saponina; as sementes têm 23,7% de óleo e 79,4% de ácido linoleico. Na medicina popular, a casca é tida como anti-sifilítica, e as folhas são empregadas, inclusive na veterinária, contra úlceras; em infusão, toda a planta tem uso adstringente externo para limpeza de feridas e úlceras.
Trata-se de uma espécie pioneira, comum na vegetação secundária, em capoeiras e capoeirões, onde aparece em clareiras menores que 60 m². Também invade pastagens e suporta bem as alterações do ambiente. Ocupa apenas o estrato superior, com indivíduos agregados. Em um hectare de Floresta Estacional Semidecidual secundária em Campinas (SP), foram registradas 262 plantas entre plântulas e jovens. Não é uma árvore longeva, vivendo de 15 a 30 anos, ainda que bem mais que a crindiúva (Trema micrantha). Em levantamento à margem do Rio do Peixe (SP), encontraram-se 36 árvores por hectare junto ao rio e 9 na encosta.
A floração varia conforme a região: de julho a setembro em Minas Gerais, de outubro a dezembro no Paraná, de outubro a janeiro em São Paulo e de novembro a fevereiro no Rio de Janeiro. Os frutos amadurecem de novembro a abril em São Paulo e de fevereiro a março no Paraná. A reprodução começa cedo, por volta de 3 anos após o plantio.
É planta monóica: as flores masculinas ficam na parte de cima e as femininas na parte de baixo dos racemos pendentes das pontas dos ramos laterais. A polinização é feita por diversos insetos pequenos, por abelhas e também pelo vento. A dispersão é autocórica, principalmente barocórica, com lançamento explosivo das sementes em dias quentes, e a espécie integra o banco de sementes do solo; também é dispersa por aves granívoras e por formigas saúvas (Atta spp.) e quem-quens (Acromyrmex spp.). As folhas e inflorescências fazem parte da dieta do macaco-bugio (Alouatta fusca). As flores são melíferas, oferecendo pólen e néctar às abelhas.
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando começam a se abrir sozinhos e ficam verde-cinza, o que é fácil de perceber pelos estalos da deiscência explosiva nos dias de sol forte. As sementes são extraídas por trilhamento manual ou secagem ao sol. Cada quilo reúne de 24.900 a 30 mil sementes. Elas são termossensíveis e têm dormência endógena, exigindo alternância de temperatura para germinar melhor. A viabilidade é curta, em geral não passando de 4 meses; ainda assim, pelo teste de tetrazólio, 100% das sementes se mostraram viáveis após 22 meses.
Recomenda-se semear em sementeiras e depois repicar para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno médios, com a repicagem feita de 3 a 5 semanas após o início da germinação. Barbosa e colaboradores sugerem substrato com 50% de terra de barranco e 50% de plantmax para os tubetes. A germinação é epígea e ocorre entre 4 e 90 dias após a semeadura: em laboratório chegou a 78%, mas em viveiro costuma ficar baixa, em torno de 50%. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 4 meses após germinarem, e as de raiz nua pegam bem. As mudas dependem fortemente da associação com fungos micorrízicos arbusculares.
O capixingui é heliófilo e não tolera baixas temperaturas. Quando jovem, cresce de forma monopodial e tem boa desrama natural. O sistema indicado é o plantio puro a pleno sol. Após o corte, rebrota com vigor a partir da touça. Por ser pioneira de desenvolvimento rápido, é recomendada para colonizar áreas degradadas, oferecendo proteção ao solo e o microclima necessário ao estabelecimento de espécies de estágios sucessionais mais avançados. Na restauração de mata ciliar, é indicada para terrenos bem drenados.
Apresenta crescimento moderado, com incremento médio anual em volume com casca de até 6,40 m³/ha/ano em Telêmaco Borba (PR). Por outro lado, Kageyama e colaboradores classificam a espécie como de crescimento rápido, comprovado em vários plantios e na regeneração natural.
A precipitação média anual vai de 1.000 mm a 2.100 mm, com chuvas periódicas concentradas no verão e deficiência hídrica pequena, de estação seca pouco marcada. A temperatura média anual fica entre 18,3 ºC (Telêmaco Borba, PR) e 22,3 ºC (Jaú, SP); a média do mês mais frio varia de 13,5 ºC a 18,7 ºC e a do mês mais quente de 22,1 ºC (Lavras, MG) a 25,1 ºC (Jaú, SP). A mínima absoluta registrada foi de -7,1 ºC (Campo Mourão, PR). O número de geadas vai de 0 a 10 por ano, com máximo absoluto de 18 na Região Sul, predominando ausência ou baixa frequência de geadas. Os tipos climáticos de Koeppen são o subtropical úmido (Cfa), o subtropical de altitude (Cwa e Cwb) e o tropical (Aw).
Na natureza, ocorre principalmente em solos férteis, bem drenados e de textura que vai de areno-argilosa a argilosa, mas também é encontrada em solos de baixa fertilidade química e textura arenosa.