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Foto de Capitão-do-campo

Foto: Thomaz Ricardo Favreto Sinani (CC BY) via GBIF

Capitão-do-campo

Terminalia argentea

Combretaceae AmazôniaCerradoMata AtlânticaPantanal
  • até 22 mAltura
  • Grande portePorte
Raras / ameaçadasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: capitão, capitão-do-cerrado, capitão-do-mato, pau-garrote, macruá, cuiarana, cachaporra-do-gentio

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Combretaceae e à ordem Myrtales, o capitão-do-campo tem como nome científico aceito Terminalia argentea Mart., publicado em 1824. Terminalia sericea Cambess. figura como sinônimo botânico. O nome do gênero remete às folhas reunidas na ponta dos ramos, enquanto o epíteto argentea descreve o aspecto prateado e sedoso da folhagem. A designação popular capitão-do-campo reflete o fato de ser uma das árvores de maior porte do Cerrado.

Descrição botânica

Árvore decídua que, na fase adulta, chega a cerca de 22 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo); em ambientes desfavoráveis do Cerrado, porém, encontram-se indivíduos de apenas 2 m de altura e 8 cm de DAP. O tronco é um pouco tortuoso, com fuste em geral curto, de no máximo 5 m. A ramificação é dicotômica e a copa, frondosa, com ramos superiores recobertos por tomento prateado e brilho sedoso. A casca, de até 10 mm de espessura, tem ritidoma cinza-amarelado, ligeiramente reticulado e escamoso. As folhas são simples, alternas e espiraladas, de consistência cartácea a subcoriácea, com formato que vai de oblongo a amplamente lanceolado e ápice longo-acuminado, agrupadas no fim dos ramos; a lâmina mede de 6 cm a 16 cm de comprimento por 3 cm a 9 cm de largura, com nervação camptobroquidódroma e domácias marsupiformes em tufos de pelos nas axilas das nervuras; o pecíolo tem de 0,8 cm a 3 cm. As inflorescências formam espigas capituliformes reunidas no ápice dos ramos, com 1,2 cm a 5,9 cm de comprimento e raque prateado-tomentosa. As flores são hermafroditas, de 0,6 cm a 1 cm de diâmetro, com pétalas reduzidas ou ausentes e coloração creme a amarelo-esverdeada. O fruto é uma drupa seca, indeiscente, monospérmica e alada, do tipo autogiro rotativo, transverso-oblongo, de coloração ocre a tabaco com manchas ferrugíneas; mede de 13,35 mm a 21,45 mm de comprimento, de 34,30 mm a 54,80 mm de largura e de 4,8 mm a 7,8 mm de espessura, geralmente com 3 a 4 alas cartáceas. A semente é fusiforme, de tegumento amarelo-dourado quando seco e bege a marrom-claro quando hidratado, com 7,75 mm a 11,30 mm de comprimento e 1,55 mm a 2,95 mm de largura.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícolaartesanato
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa, resistente e de durabilidade natural média, com alburno castanho-claro distinto do cerne. É empregada na construção civil, em vigas, caibros, ripas, tábuas de assoalho e esquadrias, além de fornecer lenha de boa qualidade; já para celulose e papel é considerada inadequada. Os frutos, depois de secos, servem para confecção de peças artesanais. Na medicina popular, a casca do tronco é adstringente e cicatrizante, usada contra aftas, tumores e tosse, e a planta exsuda uma goma-resina de ação purgativa. A espécie tem ainda potencial apícola no Cerrado de Minas Gerais.

Aspectos ecológicos

Classificada como pioneira, embora alguns autores não lhe atribuam caracterização sucessional definida, é frequente sobretudo na Savana Florestada (Cerradão), onde se apresenta de forma descontínua, formando agrupamentos mais ou menos densos em certos pontos e ausentando-se por completo em outros. No Cerrado stricto sensu pode atingir frequências de até 33 indivíduos por hectare, enquanto em formações florestais a densidade é bem menor. Também integra matas ciliares no Distrito Federal, em Goiás, em Mato Grosso do Sul e em São Paulo, além de campos de murundu e áreas de transição entre cerradão e floresta estacional.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de abril a setembro no Pará, de junho a novembro em Minas Gerais, de julho a setembro em Mato Grosso do Sul, de agosto a setembro no Distrito Federal e em setembro no Paraná. Os frutos amadurecem de julho a setembro em Mato Grosso do Sul, de julho a novembro no Distrito Federal, de agosto a novembro no Pará, de setembro a outubro em Mato Grosso e em outubro em Minas Gerais.

Fauna associada

A polinização é realizada principalmente por abelhas de diversas espécies e por outros insetos pequenos. A dispersão das sementes é anemocórica: a estrutura alada do fruto permite que ele seja levado pelo vento. Os saguis aproveitam a resina exsudada pela planta.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a cair espontaneamente, ou recolhidos no chão logo após a queda, descartando-se os malformados, lesionados ou predados. Retirar a semente do interior do fruto é trabalhoso e exige métodos mecânicos, com auxílio de alicate ou martelo. Cada quilo reúne de 2.096 a 2.800 frutos. Recomenda-se a escarificação das sementes como tratamento pré-germinativo. Mantidas no interior do fruto, em local seco e fresco, conservam a viabilidade por mais de 8 meses; após o beneficiamento, devem ser guardadas em sacos plásticos e em câmara fria, com temperatura entre 6 ºC e 9 ºC e umidade relativa de 75%.

Produção de mudas

A semeadura deve ser feita diretamente em sacos de polietileno ou tubetes de tamanho médio, sendo útil cortar as expansões laterais do fruto para facilitá-la. A germinação é semi-hipógea, considerada intermediária entre os padrões epígeo e hipógeo, com cotilédones fanerocotiledonares na superfície do solo. Uma característica marcante das mudas é a formação de uma tuberosidade na transição entre o hipocótilo e a raiz, estrutura adaptativa de alto poder de rebrota diante de herbivoria ou fogo. A taxa de germinação é baixa, de até 42%, e as mudas levam cerca de 6 meses para ficarem prontas; a repicagem deve ser evitada, pois as plântulas formam um tubérculo semelhante ao xilopódio dos subarbustos.

Características silviculturais

Heliófila e sensível ao frio, a espécie tende a apresentar forma ruim e ramificação pesada, o que torna necessária a desrama. Recomenda-se o plantio misto, a pleno sol. No Paraná, consta da lista vermelha de plantas ameaçadas na categoria em perigo, havendo suspeita de que esteja extinta na região Sul, onde há apenas um registro, de 1959, no município de Sengés.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre o desempenho da espécie em plantios, mas o crescimento conhecido é lento.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 900 mm, em Minas Gerais, a 2.300 mm, no Amapá, com chuvas periódicas e deficiência hídrica que varia de pequena a forte conforme a região e a estação. A temperatura média anual fica entre 18,1 ºC (Diamantina, MG) e 26,1 ºC (Marabá, PA), com mínima absoluta de -3,7 ºC registrada em Coxim, MS. Geadas são ausentes na maior parte da distribuição e raras em São Paulo. Pela classificação de Köppen, abrange os tipos Am, Aw, Cwa e Cwb.

Solos

Prefere terrenos profundos e bem drenados, mostrando-se adaptada a solos secos, pedregosos e de baixa fertilidade.