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Foto de Canudo-de-pito

Foto: Melburnian (CC BY-SA 3.0) via Wikimedia

Canudo-de-pito

Escallonia bifida

Escalloniaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 7 mAltura
  • Pequeno portePorte
MelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: esponja-do-mato, cabo-de-pito, pau-de-pito, piteira, escalônia

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema do The Angiosperm Phylogeny Group (APG II), Escallonia bifida pertence ao clado das Euasterídeas II, com posicionamento de ordem ainda incerto, embora aparentemente próximo às Apiales; no antigo sistema de Cronquist era enquadrada em Rosales e a família Escalloniaceae correspondia a Saxifragaceae. O gênero é Escallonia e a espécie foi descrita como Escallonia bifida Link & Otto ex Engl. Tem ampla sinonímia botânica, sendo Escallonia montevidensis (Cham. & Schl.) a forma mais citada na literatura. O nome do gênero homenageia Don Antonio Escallón, botânico discípulo de José Celestino Mutis e primeiro a registrar a planta em Nova Granada (atual Colômbia), enquanto o epíteto bifida, do latim, significa 'partida em dois', em referência ao ápice das folhas, que frequentemente é retuso, com um pequeno recorte aberto.

Descrição botânica

Trata-se de um arbusto ou arvoreta perenifólia que, em exemplares adultos maiores, chega a cerca de 7 m de altura e 30 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco tem seção de irregular a cilíndrica, costuma ser inclinado e muito ramificado, com vários troncos partindo da base, raízes subterrâneas e ramificação irregular e simpódica. A copa é baixa, densa e em forma de umbela, sustentada por ramos finos e arroxeados. A casca alcança até 10 mm de espessura: por fora apresenta cor ferrugem, é fendilhada e descama em pequenas ripas; por dentro é cor de marfim, fibrosa e de estrutura trançada. As folhas são simples, alternas, espiraladas e oblongas, com base aguda e revoluta, ápice arredondado e margem finamente serrilhada; medem de 3 cm a 7 cm de comprimento por 1 cm a 2 cm de largura, são peninérveas, de pecíolo curto (2 mm a 6 mm) e consistência subcoriácea, mais escuras na face superior. As inflorescências formam panículas multiflorais e tirsóides, ora hemisféricas ou subcorimbosas e densas, ora mais alongadas ou frouxas, com 3 cm a 7 cm de comprimento. As flores são bissexuais, brancas, de sépalas pilosas, medindo de 3 mm a 8 mm. O fruto é uma cápsula seca, obovado-globosa e de deiscência septicida, com cerca de 3,5 mm de diâmetro, contendo sementes pequenas, oblongas, sulcadas no sentido do comprimento e agudas nas duas extremidades.

Uso e ecologia
apícolarecuperação de áreasenergético
Produtos e utilizações

É uma planta melífera de destaque, fornecendo néctar, pólen e mel de excelente qualidade, comercializado sobretudo em Prudentópolis, no sul do Paraná, conhecida como a capital do mel do estado. A madeira é moderadamente densa (0,60 g/cm³) e presta-se à produção de celulose e papel, além de render lenha de qualidade aceitável; por outro lado, não tem aproveitamento como madeira serrada ou roliça nem valor econômico nesse sentido. A espécie é indicada para fins ambientais, com potencial para recuperar terrenos de drenagem lenta e restaurar ambientes fluviais ou ripários, onde tolera inundações periódicas e longos períodos de encharcamento.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie pioneira de ampla e marcante dispersão. É comum nas bordas de florestas, inclusive nas associadas a campos, e em locais de solos úmidos, onde pode tornar-se muito abundante e formar agrupamentos. Aparece no bioma Mata Atlântica, na Floresta Ombrófila Densa (formação Alto-Montana, no Maciço do Itatiaia, em Minas Gerais) e na Floresta Ombrófila Mista com araucária (formações Montana e Alto-Montana, na região de Campos do Jordão, SP, e no Planalto Sul-Brasileiro, com até seis indivíduos por hectare). No bioma Cerrado, ocorre em savana ou cerrado stricto sensu, no sul de Minas Gerais. Também é encontrada em ambientes fluviais ou ripários, no Paraná e no Estado do Rio de Janeiro.

Floração e frutificação

A floração vai de dezembro a abril no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, e de dezembro a junho no Paraná. Os frutos amadurecem em fevereiro no Rio Grande do Sul e de fevereiro a junho no Paraná.

Fauna associada

É uma espécie monóica cuja polinização depende principalmente de abelhas, com destaque para a abelha-europeia ou africanizada (Apis mellifera), além de vários insetos pequenos. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, feita pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

A maturação dos frutos é irregular, de modo que se colhem tanto frutos maduros, de cor verde-escura, quanto imaturos, de cor verde-clara. Um beneficiamento parcial das sementes é possível macerando os frutos em água e deixando-as decantar: as sementes afundam enquanto o material inerte fica na superfície, facilitando a separação; em seguida, o material é seco à sombra, em local ventilado. Há cerca de 2,5 milhões de sementes por quilo. Não é necessário tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento ortodoxo quanto ao armazenamento. Em laboratório, o teste de germinação deve ser feito de preferência em substrato de papel mata-borrão a 25 ºC, podendo também usar 20 ºC, com as contagens realizadas entre o 9º e o 19º dia após a semeadura.

Produção de mudas

A semeadura é feita sobretudo em sementeiras, com posterior repicagem para sacos de polietileno ou tubetes pequenos de polipropileno, de 3 a 5 semanas após a germinação. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar, com emergência entre 22 e 70 dias após a semeadura; o poder germinativo é bastante variável e irregular, ficando entre 5 % e 61 %. As mudas atingem tamanho de plantio cerca de 3 meses após a semeadura.

Características silviculturais

A espécie vai de heliófila a esciófila e tolera baixas temperaturas. Por crescer de forma simpodial e emitir muitas brotações na região do colo, forma vários troncos e exige desbrota nos primeiros anos; sem essa intervenção, desenvolve touceiras sem um tronco principal definido. Recomenda-se plantio puro a pleno sol, aproveitando sua capacidade de brotar da touça ou cepa.

Crescimento e produção

O crescimento da espécie é lento. Em plantios mistos no Paraná, no espaçamento 5 m x 5 m e em Latossolo Vermelho distroférrico, registrou-se 100 % de sobrevivência aos 4 e aos 7 anos, com altura média de 3,70 m e DAP médio de 5,6 cm aos 4 anos, passando a 4,60 m de altura e 8,4 cm de DAP aos 7 anos.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.300 mm, no Paraná, a 2.100 mm, em Minas Gerais. As chuvas são uniformemente distribuídas na Região Sul (exceto no norte do Paraná) e no sudeste de São Paulo, e periódicas no sul de Minas Gerais e na região serrana do Rio de Janeiro. A deficiência hídrica é nula na Região Sul (salvo o norte do Paraná), na serra fluminense e no sudeste paulista, e de pequena a moderada no inverno, no sul de Minas Gerais. A temperatura média anual fica entre 13,2 ºC (São Joaquim, SC) e 18,9 ºC (Torres, RS); a média do mês mais frio entre 8,2 ºC (Campos do Jordão, SP) e 15,4 ºC (Caparaó, MG); e a do mês mais quente entre 17,2 ºC (São Joaquim, SC) e 23,3 ºC (Torres, RS). A temperatura mínima absoluta chega a -10,4 ºC (Caçador, SC) no Sul e a -7,7 ºC (Campos do Jordão, SP) no Sudeste, podendo atingir cerca de -17 ºC na relva, em alguns pontos do Planalto Sul-Brasileiro. O número de geadas vai de 0 a 30 por ano, com máximo absoluto de 81 na Região Sul e em Campos do Jordão, e há possibilidade de neve na área de ocorrência, sendo que em São Joaquim, SC, neva quase todos os anos. Pela classificação de Köppen, abrange os tipos Cfa, Cfb e Cwb.

Solos

Na natureza, a espécie cresce em solos hidromórficos, como Gleissolo Melânico Alumínico, Gleissolo Háplico Tb Distrófico e Cambissolo Húmico Alumínico gleico, e também em solos mais bem drenados, principalmente o Cambissolo Húmico Alumínico. Esses solos costumam ter baixo teor de cátions trocáveis, alto teor de alumínio e pH baixo.