Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF
Canelão
Nectandra membranacea (Swartz) Grisebach
- até 35 mAltura
- Muito grandePorte
Também conhecida como: louro, louro-graveto, canela-caqui-branca, canela-fogo, canela-amarela, canela-branca, canela-branca-miúda, canela-nhoçara, canela-sassafrás, canela-da-várzea, canela, canela-do-brejo, canela-jacu, injuva, injuva-branca
Botânica
Seguindo o sistema de classificação APG II, o canelão pertence à divisão Angiospermae, clado das magnoliídeas e ordem Laurales (que, na classificação de Cronquist, aparece como Magnoliales). Está enquadrado na família Lauraceae, no gênero Nectandra, sendo a espécie Nectandra membranacea (Swartz) Grisebach, publicada em 1860 (Fl. Brit. W. I. 282). Entre seus sinônimos botânicos mais citados na literatura estão Nectandra cuspidata Nees var. macrocarpa Nees, Nectandra leucothysus Meissner e Nectandra bondari Coe-Teixeira, embora a espécie tenha sinonímia bem mais extensa. O nome do gênero deriva dos termos gregos néctar (néctar) e anér (homem): dos nove estames férteis, os três mais internos trazem, das costas até a base, duas glândulas produtoras de mel dispostas nas axilas, característica também presente nos três estaminódios.
Trata-se de uma árvore perenifólia. Na fase adulta, os exemplares maiores costumam chegar a cerca de 20 m de altura e 80 cm de DAP (diâmetro medido a 1,30 m do solo), mas, ao longo de sua ampla distribuição, há indivíduos que alcançam até 35 m. O tronco é reto ou, com mais frequência, ligeiramente tortuoso, e o fuste geralmente é curto, com no máximo 6 m. A ramificação é cimosa ou dicotômica, formando uma copa globoso-elíptica, irregular e tortuosa, com folhagem verde-brilhante e pouco densa; os ramos novos têm extremidades inicialmente angulosas. A casca atinge até 10 mm de espessura, com ritidoma (casca externa) marrom, áspero e marcado por grandes manchas de liquens acinzentados. As folhas são alternas, simples, inteiras e de textura cartáceo-coriácea, com lâmina de 4 a 28 cm de comprimento por 2 a 9 cm de largura, de formato amplamente elíptico-lanceolado a lanceolado, ápice acuminado (curto a longo) e base atenuada a quase arredondada; a face superior é glabrescente a glabra, com nervuras sulcadas, e a inferior apresenta pelos esparsos, nervuras salientes (3 a 7 pares de laterais) e domácias com vestígios de fóveas em algumas axilas; o pecíolo, fino e canaliculado, mede de 13 a 20 mm. A inflorescência é robusta, subapical e axilar, em panículas multifloras com indumento puberulento cinza-claro e pedúnculo de 2 a 6 cm. As flores são hermafroditas e perfumadas, de 2 a 4,5 mm de diâmetro, com estigma capitado. O fruto é uma baga subglobosa e depresso-elíptica, de 8 a 15 mm de comprimento por 10 a 15 mm de largura, assentada sobre cúpula rasa, obtriangular e lenticelada; a semente é elipsoide e mede até 2 cm.
Uso e ecologia
A madeira é leve a moderadamente densa, de cor clara, com alburno e cerne pouco distintos, textura média e grã direita; tem resistência mecânica mediana, baixa durabilidade natural e é bastante macia, serrando e trabalhando-se com facilidade. É empregada na fabricação de móveis, lâminas faqueadas decorativas, vigamentos e forros de telhados, tabuado em geral, construção civil, tamancos, mata-juntas, esquadrias e caixotaria. A madeira também é considerada adequada para celulose e papel, e fornece lenha de qualidade razoável. Em plantios mistos no Paraná (Rolândia), no espaçamento 5 x 5 m e em Latossolo Vermelho distroférrico, registrou-se 100% de plantas vivas, com altura média de 6,40 m e DAP de 11,2 cm aos 4 anos, passando a 9,06 m de altura e 19,0 cm de DAP aos 7 anos.
É considerada uma espécie pioneira. Distribui-se de modo mais ou menos contínuo, porém irregular, por toda a sua extensa área de ocorrência, sendo encontrada preferencialmente em capoeiras e capoeirões. No bioma Mata Atlântica, associa-se à Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Atlântica), nas formações de Terras Baixas, Submontana, Montana e Alto-Montana, registrada no Paraná, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
A floração ocorre de janeiro a abril no Rio Grande do Sul, de janeiro a maio em São Paulo, em fevereiro no Espírito Santo e de maio a julho no Paraná. Os frutos amadurecem em setembro no Paraná e de outubro a dezembro em São Paulo.
A polinização é feita principalmente por abelhas, borboletas e diversos insetos de pequeno porte. Os frutos são muito apreciados por pássaros de pequeno e médio porte, que atuam como prováveis dispersores das sementes.
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando começam a cair espontaneamente, ou recolhidos do chão logo após a queda. Em seguida, são guardados em sacos plásticos e mantidos amontoados até a polpa se decompor parcialmente, o que facilita a retirada das sementes por lavagem. Cada quilo reúne cerca de 1.300 sementes. Por apresentarem dormência dupla, recomenda-se escarificá-las em ácido sulfúrico concentrado por 5 minutos, combinada com estratificação em areia úmida por 30 dias, empregando-se apenas uma camada de sementes. As sementes são recalcitrantes e perdem viabilidade em até 3 meses, devendo ser semeadas logo após a colheita.
A semeadura é feita diretamente em sacos de polietileno de pelo menos 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubetes grandes de polipropileno. A germinação é hipógea ou criptocotiledonar, com emergência entre 28 e 60 dias após a semeadura e poder germinativo irregular, chegando a 50%. As mudas atingem porte ideal para plantio entre 9 e 12 meses depois da semeadura.
A espécie é essencialmente heliófila e tolera moderadamente o frio. Como tem hábito irregular, exige poda de condução. Pode ser cultivada a pleno sol, em plantio misto.
O crescimento é lento, mas figura entre os mais expressivos do grupo das canelas. Em Rolândia (PR), atingiu produção volumétrica de até 7,35 m³/ha/ano aos 7 anos de idade.
A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 1.100 mm, no Rio de Janeiro, a 2.700 mm, em São Paulo, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano (exceto no noroeste do Paraná). A deficiência hídrica é nula em trechos do litoral do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, e moderada no inverno do noroeste paranaense. A temperatura média anual varia de 18,9 ºC (Torres, RS) a 23,7 ºC (Rio de Janeiro, RJ); a média do mês mais frio fica entre 14,8 ºC e 21,3 ºC e a do mês mais quente entre 23,3 ºC e 26,7 ºC, com mínima absoluta de -2,8 ºC registrada em Blumenau (SC). As geadas são pouco frequentes (média de 0 a 0,8 por ano e máximo de três no Paraná e em Santa Catarina). Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af (tropical superúmido) no litoral paranaense e paulista, Cfa (subtropical úmido) no leste de Santa Catarina e extremo nordeste do Rio Grande do Sul, Cwa (subtropical com inverno seco e verão chuvoso) no Mato Grosso do Sul e Cwb (subtropical de altitude com inverno seco) em São Paulo.
Cresce naturalmente em solos úmidos de meia encosta e em fundos de vale. Apresenta melhor desempenho em solos de várzea, terrenos aluviais, baixadas no início das encostas e demais áreas de declive suave.