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Foto de Canela-imbuia

Foto: (c) Tomás Tamagno, some rights reserved (CC BY), uploaded by Tomás Tamagno (cc-by) via iNaturalist

Canela-imbuia

Nectandra megapotamica

Lauraceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: canela-bosta, canela-espirradeira, canela-de-urubu, canelinha, canela-merda, canela-preta, canela, canela-cheirosa, canela-ferrugem, canela-louro, canelinha-cheirosa, canelinha-imbuia

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas), ordem Magnoliales, família Lauraceae e gênero Nectandra, sendo seu nome aceito Nectandra megapotamica (Spreng.) Mez, publicado no Bull. Herb. Boissier em 1902. O nome do gênero combina as palavras gregas para néctar e homem, alusão às glândulas melíferas presentes nos estames e estaminódios da flor. Já o epíteto megapotamica une os termos gregos para grande e rio, referência ao Rio Grande do Sul. Em tupi-guarani, a planta é chamada de caá-ema, que quer dizer árvore-de-cheiro.

Descrição botânica

Árvore perenifólia que, quando adulta, pode chegar a cerca de 25 m de altura e 80 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é reto ou torcido, levemente canaliculado e dotado de sapopemas, por vezes grandes na base e cobertas de lenticelas arredondadas e salientes; o fuste costuma ser curto, com até 7 m de comprimento. A ramificação é racemoso-dicotômica e irregular, formando copa arredondada ou alongada com folhagem bastante densa, verde-escura nas folhas velhas e verde-clara nas novas; os ramos são finos, quase horizontais, e reúnem as folhas em tufos nas pontas. A casca chega a 10 mm de espessura, sendo a externa de cor castanha, quase lisa e revestida por grandes placas escamosas semelhantes às da canela-preta (Ocotea catharinensis) e da canela-sassafrás (Ocotea odorifera); ao se desprenderem, as escamas deixam cicatrizes características. A casca interna é parda a marrom-amarelada, de textura arenosa, estrutura compacta e odor forte, escurecendo para tom pardo-arroxeado em contato com o ar. As folhas são simples, alternas, espiraladas, de consistência subcoriácea a coriácea, oblongas a lanceoladas, acuminadas, glabras e aromáticas, com nervuras arqueadas e pouco salientes; a lâmina mede de 5 a 15 cm de comprimento por 1 a 4 cm de largura, e os pecíolos são escuros ou acinzentados, rugosos, canaliculados e glabros. A venação é broquidódroma, com as nervuras secundárias formando ângulos de 20º a 60º com a primária; maceradas, as folhas exalam o odor apimentado típico de algumas lauráceas. As inflorescências se agrupam na axila de catáfilos e sobre braquiblastos axilares, raramente em axilas de folhas normais, são multifloras, medem de 3 a 8 cm de comprimento, têm aspecto curtamente seríceo-puberulento e pedúnculo de 1,5 a 4 cm. As flores são numerosas, amarelas e pequenas, com cerca de 5 mm; a antese é diurna e as anteras só abrem no segundo dia, quando o estigma já não está receptivo. O fruto é uma baga elipsoide, escura ou violácea (raramente cinzenta), ovalada e glabra, de 1 a 1,5 cm de comprimento por 5 a 9 mm de diâmetro, com a cúpula recobrindo cerca de um quarto da baga. A semente é elipsoide, negra e lustrosa, medindo aproximadamente 1 cm.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalenergético
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa, com massa específica aparente de 0,70 a 0,80 g/cm³ a 12% de umidade, de cor amarela-pardacenta e uniforme, superfície irregularmente lustrosa e um tanto áspera, sem cheiro quando seca. É empregada maciça ou em chapas de corte plano ou rotativo para placas e compensados voltados a revestimentos internos e à fabricação de móveis. Nesse último uso, porém, há a limitação do cheiro desagradável da madeira, que pode reaparecer em ambientes úmidos pela absorção de umidade; já existem técnicas para neutralizá-lo, como a impermeabilização total dos poros. A lenha tem qualidade aceitável para energia, mas a espécie não serve à produção de celulose e papel. Estudos identificaram alcaloides, esteroides e triterpenoides na casca e, no lenho, alcaloides, antraderivados e, sobretudo, óleos essenciais. Na medicina popular, atribui-se às folhas ação antirreumática, enquanto os frutos seriam usados contra flatulência.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária inicial a secundária tardia, é uma árvore típica das fases finais da sucessão, que germina e cresce à sombra e costuma ocupar os estratos inferiores da floresta, onde tem ampla, expressiva e ao mesmo tempo irregular dispersão. Na Mata Atlântica está presente na Floresta Estacional Decidual, nas formações submontana e montana de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul (5 a 21 indivíduos por hectare); na Floresta Estacional Semidecidual, nas formações aluvial, submontana e montana de Minas Gerais, Paraná e São Paulo (1 a 181 por hectare); na Floresta Ombrófila Densa, no Rio de Janeiro; na Floresta Ombrófila Mista, nas formações aluvial e montana do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (5 a 50 por hectare); e na vegetação de restinga e dunas de Santa Catarina. No Cerrado, aparece na savana florestada (cerradão) de São Paulo. Também ocorre em ambientes fluviais ou ripários do Paraná, com 5 a 41 indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de fevereiro a dezembro em Minas Gerais, de fevereiro a abril no Paraná, de abril a maio em Santa Catarina, de abril a outubro em São Paulo e de agosto a outubro no Rio Grande do Sul. A frutificação, com frutos maduros, vai de maio a novembro em Minas Gerais, de outubro a novembro no Paraná e em Santa Catarina, de outubro a janeiro em São Paulo e de dezembro a abril no Rio Grande do Sul.

Fauna associada

Espécie monoica, apresenta dicogamia do tipo protoginia em seu sistema reprodutivo. A polinização é feita principalmente por insetos da ordem Thysanoptera. A dispersão de frutos e sementes ocorre essencialmente por zoocoria, com destaque para as aves; entre os mamíferos, os macacos-prego (Cebus apella) contribuem para a dispersão. Os frutos, fartamente consumidos por pássaros, tornam a planta interessante para projetos de recuperação ambiental.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando começam a cair sozinhos; a operação fica mais fácil estendendo-se uma lona sob a copa e sacudindo os ramos. Em seguida, despolpam-se os frutos em água corrente e secam-se as sementes à sombra. Cada quilo reúne de 1.400 a 3.500 sementes. Não há necessidade de tratamento pré-germinativo, mas mergulhar as sementes em água fria por 48 horas antes da semeadura acelera e uniformiza a germinação. A semente é recalcitrante e perde rapidamente a viabilidade: deve ser semeada logo após a colheita, pois começa a perder o poder germinativo em até três meses, e seu nível crítico de umidade fica entre 21% e 23%.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e repicar as plântulas, de 2 a 4 semanas após a germinação, para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes grandes de polipropileno. A germinação é hipógea ou criptocotiledonar, com a emergência iniciando de 20 a 60 dias após a semeadura; o poder germinativo é irregular, podendo alcançar 90%. As mudas atingem porte adequado para o plantio entre 9 e 12 meses após a semeadura.

Características silviculturais

Espécie esciófila, regenera-se com abundância à sombra e tolera baixas temperaturas. Seu hábito é irregular, exigindo poda de condução. Embora possa ser cultivada a pleno sol em plantios mistos, desenvolve-se melhor quando recebe sombreamento nas fases iniciais de crescimento.

Crescimento e produção

São escassos os dados de crescimento em plantios da canela-imbuia; o que se sabe é que seu crescimento é lento.

Clima

A precipitação média anual vai de 1.200 mm, no Paraná, a 2.000 mm, em Santa Catarina, com chuvas bem distribuídas na Região Sul (exceto norte e noroeste do Paraná) e periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica é nula na Região Sul (com a mesma exceção), de pequena a moderada no inverno do centro e leste de São Paulo, sul de Minas Gerais e sudoeste do Espírito Santo, e moderada no inverno do oeste paulista e do norte do Paraná. A temperatura média anual oscila entre 15,5 ºC (Caçador, SC) e 23,7 ºC (Rio de Janeiro, RJ); a média do mês mais frio fica entre 10,7 ºC e 21,3 ºC, e a do mês mais quente entre 19,4 ºC (Maringá, PR) e 26,5 ºC (Rio de Janeiro, RJ). A mínima absoluta registrada é de -10,4 ºC (Caçador, SC), podendo chegar a -15 ºC sobre a relva. O número de geadas anuais varia de 0 a 30 em média, com máximo absoluto de 57 em Santa Catarina. Pela classificação de Köppen, a espécie ocorre em climas Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Não demonstra preferência marcante por determinados tipos de solo, sobretudo no que diz respeito às propriedades físicas.