Canela-fedorenta
Ocotea corymbosa
- até 30 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: canela, canela-preta, canela-bosta, canelão, canela-de-porco, canela-sebo, canela-de-corvo, canela-gualca, canela-parda, canelinha, canelinha-do-cerrado, canela-fedida, canelão-preto, canelinha-de-folha-mole
Botânica
Pertencente à família Lauraceae e ao gênero Ocotea, a espécie tem como nome científico aceito Ocotea corymbosa (Meissn.) Mez, descrita em 1889. Pela classificação do APG II, situa-se na ordem Laurales, dentro do clado das magnoliídeas (em sistemas anteriores, como o de Cronquist, aparecia em Magnoliales). Já recebeu outros nomes ao longo do tempo, hoje tratados como sinônimos: Mespilodaphne corymbosa Meissn., Ocotea pseudoacuminata Coe-Teixeira e Ocotea sansimonensis Coe-Teixeira. O nome do gênero, Ocotea, tem origem em uma designação usada na Guiana, enquanto o epíteto corymbosa faz referência ao formato em corimbo da inflorescência.
Árvore semidecídua que, quando adulta, pode chegar a cerca de 30 m de altura e 70 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é reto ou apenas um pouco tortuoso, com fuste de até 15 m, e a ramificação é dicotômica. A casca atinge cerca de 10 mm de espessura, sendo a parte externa (ritidoma) áspera e de tom marrom-escuro. As folhas são simples e alternas, com lâmina de 5 a 12 cm de comprimento por 2 a 5 cm de largura, de formato ovado a elíptico (variando de estreito a largo) ou subovado, raramente subobovado; o ápice é acuminado, curto ou longo, e a base cuneada e decorrente; a textura vai de cartácea a coriácea, muitas vezes com manchas. A face superior é glabra, com reticulação densa e nervuras maiores em relevo; a inferior é levemente pubescente a quase glabra, com 5 a 9 pares de nervuras laterais salientes e nervura central proeminente; o pecíolo mede de 8 a 20 mm. A inflorescência é uma panícula axilar, multiflora e levemente pubescente, reunida no ápice e na base dos raminhos, geralmente do mesmo tamanho ou um pouco maior que as folhas, com a masculina pouco mais longa que a feminina; o pedúnculo chega a 1 cm e é coberto por pelos curtos. As flores masculinas têm cerca de 3,5 mm por 3 mm, com pelos esparsos e curtos de cor castanho-avermelhada; as femininas apresentam pistilo glabro de estilete curto e robusto. O fruto é bacáceo, ovado e apiculado, de 7 a 9 mm de comprimento por 3 a 4 mm de largura, assentado sobre uma cúpula hemisférica e afunilada de aproximadamente 10 mm por 5 mm. A semente é elíptica, marrom-escura, com 2 a 5 mm de comprimento e 1 a 2,5 mm de diâmetro.
Uso e ecologia
A madeira é moderadamente densa, fácil de trabalhar, resistente e durável; em contato com a umidade, porém, exala um odor desagradável (que explica boa parte de seus nomes populares). É indicada para construção civil, sobretudo em aplicações internas, e possui descrição anatômica detalhada já documentada. Como combustível, fornece lenha de qualidade apenas regular. Não serve para a produção de celulose e papel. No paisagismo, é bastante ornamental graças ao formato da copa, à folhagem delicada e à floração vistosa, sendo já utilizada na arborização urbana de várias cidades paulistas.
Classifica-se como espécie secundária inicial ou clímax exigente de luz. É comum no sub-bosque da Floresta Ombrófila Mista e também foi registrada em regeneração sobre pastagem de Brachiaria decumbens, no Cerrado, em Assis (SP). Na Mata Atlântica, aparece na Floresta Estacional Decidual em formação Montana no oeste mineiro; na Floresta Estacional Semidecidual (formações Submontana, Montana e Alto-Montana) em Minas Gerais e São Paulo, com até 46 indivíduos por hectare; na Floresta Ombrófila Densa (formação Montana) no Espírito Santo, em Minas Gerais e no Planalto de Ibiúna (SP), com até oito indivíduos jovens por hectare, além da formação Alto-Montana no Paraná; e na Floresta Ombrófila Mista, nas formações Montana (Paraná) e Alto-Montana (Minas Gerais). No Cerrado, ocorre no cerrado stricto sensu (SP), no cerradão (Minas Gerais e São Paulo) e no campo cerrado (SP). É encontrada ainda em ambientes ripários no Distrito Federal, em Minas Gerais, no Paraná e em São Paulo, em campos de murundu em Uberlândia (MG) e em floresta de brejo em São Paulo.
A floração varia bastante conforme a região: de maio a julho em Mato Grosso do Sul; de julho a fevereiro em São Paulo; em dezembro no Rio Grande do Sul; de dezembro a janeiro no Paraná; e de dezembro a fevereiro em Minas Gerais. Em São Paulo, os frutos amadurecem entre setembro e dezembro.
Espécie dioica, é polinizada principalmente por abelhas. A dispersão de frutos e sementes é feita por animais, com destaque para diversas espécies de aves.
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando atingem a maturação, indicada pela coloração verde-clara, antes de caírem sozinhos ou serem levados pelas aves. Em seguida, são deixados ao sol para que seque a fina camada de polpa suculenta em torno da semente. Cada quilo reúne de 3.500 a 4.200 sementes. Não é preciso tratamento pré-germinativo, embora deixá-las de molho em água fria por 48 horas antes da semeadura torne a germinação mais rápida e uniforme. A viabilidade das sementes é curta, inferior a 90 dias.
A semeadura deve ser feita em sementeiras semissombreadas, com posterior repicagem. Recomenda-se repicar as plântulas quando alcançarem de 4 a 6 cm de altura; elas ficam aptas ao plantio em 8 a 12 meses. A germinação é hipógea ou criptohipógea, com emergência entre 20 e 90 dias e taxa de germinação em geral baixa, de até 40%. A espécie apresenta incidência média de micorriza arbuscular.
Trata-se de espécie heliófila que suporta temperaturas baixas. O hábito é variável, indo do crescimento monopodial à ramificação irregular, com bifurcações e brotos ladrões na base do colo; por isso, convém aplicar poda de condução, para formar um único fuste, e poda anual dos galhos. Regenera-se muito bem por rebrota de touças e raízes, sobretudo no cerradão.
Há poucas informações sobre o desempenho da espécie em plantios. O que se sabe é que o crescimento é lento, raramente passando de 2,5 m de altura aos 2 anos.
A precipitação média anual nas áreas de ocorrência vai de 900 mm, em Minas Gerais, a 1.700 mm, no Paraná. As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano na Região Sul (com exceção do norte do Paraná) e mais concentradas em períodos definidos nas demais regiões. A deficiência hídrica é nula no Sul (salvo o norte paranaense), de pequena a moderada no inverno do Distrito Federal e do sul de Minas, e de moderada a forte no inverno do oeste mineiro. A temperatura média anual fica entre 16,5 ºC (Curitiba, PR) e 25,6 ºC (Chapada dos Guimarães, MT); a média do mês mais frio varia de 12,2 ºC a 22,8 ºC e a do mês mais quente de 19,9 ºC a 27,2 ºC nas mesmas localidades. A mínima absoluta registrada foi de -7,1 ºC, em Campo Mourão (PR). O número de geadas por ano é de 0 a 9 em média, podendo chegar a 22 no Paraná. Conforme Köppen, ocorre nos climas Af, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.
Aparece com mais frequência em solos ácidos e álicos, bem drenados, de textura arenosa e baixa fertilidade química. Não tolera terrenos encharcados.