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Foto de Canela-de-veado

Foto: Julia Ariadna (CC0) via GBIF

Canela-de-veado

Helietta apiculata

Rutaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasRecuperação de áreas

Também conhecida como: amarelinho, canela-de-cutia, carrapateiro, cun-cun, osso-de-burro

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Segundo a classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a canela-de-veado pertence à ordem Sapindales e à família Rutaceae, dentro do clado das eurosídeas II. Seu nome científico é Helietta apiculata Benth., descrito em 1882. A espécie já recebeu outras denominações ao longo do tempo, hoje consideradas sinônimos, como Esenbeckia cuspidata, Helietta cuspidata e Helietta longifoliata. O nome do gênero Helietta foi cunhado por Tulasne em homenagem ao médico francês Lewis Théodore Hélie, que estudou as propriedades tônicas da arruda (Ruta).

Descrição botânica

Árvore perenifólia que, na fase adulta, pode alcançar cerca de 25 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito. O tronco é cilíndrico, podendo ser reto, mas com mais frequência tortuoso, com pequenas sapopemas na base nos indivíduos de maior porte e fuste de até 10 m. A ramificação é racemosa, dicotômica e ascendente, formando uma copa pequena, pouco densa e de folhagem rala. A casca chega a 12 mm de espessura: por fora é pardo-acinzentada a marrom-amarelada, semi-áspera e fissurada, soltando-se em placas retangulares ou lascas, e revela tom ocre-amarelado quando raspada; por dentro é fibrosa, muito amarela e bastante dura. As folhas são opostas e trifoliadas, com pecíolo fino de 2 a 4 cm; os três folíolos, estreitamente elípticos ou oblanceolados, medem de 3 a 7 cm de comprimento por 1 a 2 cm de largura, com ápice mucronado e pontos translúcidos. As flores surgem em panículas terminais de 6 a 9 cm, são numerosas, pequenas, amarelas ou brancas e pouco vistosas, com cinco pétalas de 3 a 5 mm. O fruto é ovóide, seco e alado, formado por até cinco sâmaras amareladas de cerca de 2 cm que se desprendem pela base, com 3 a 5 asas. A semente é ovóide, com aproximadamente 5 mm de diâmetro.

Uso e ecologia
madeireirorecuperação de áreasmedicinalapícola
Produtos e utilizações

A madeira da canela-de-veado é densa, com massa específica aparente entre 0,75 e 0,98 g/cm³ a 15% de umidade (densidade básica de 0,78 g/cm³). O alburno é branco-amarelado e o cerne varia do branco-palha ao amarelo-claro, com manchas e estrias finas pouco contrastadas. Apresenta grã direita ou irregular, superfície lisa e lustrosa, sem cheiro ou gosto marcantes, e suas propriedades físico-mecânicas vão de medianas a altas. Em laboratório, mostrou baixa resistência ao apodrecimento e ao cupim de madeira seca, e tende a rachar com facilidade na secagem; quando polida, oferece acabamento delicado. No aspecto, lembra o guarantã (Esenbeckia leiocarpa), também da família Rutaceae. É empregada na fabricação de cabos de ferramentas, implementos agrícolas, lançadeiras, peças torneadas, dormentes e em carpintaria; o cerne, muito procurado por sua resistência e durabilidade, presta-se a peças pequenas e a mourões de cerca. Em construção civil, serve para vigas, caibros, tacos e esquadrias, além de carrocerias e móveis. A madeira também é excelente combustível para lenha e carvão, com ótimo rendimento, e fornece celulose para papel de baixa qualidade.

Aspectos ecológicos

Trata-se de espécie secundária, do estágio inicial ao tardio. Sua ocorrência é irregular e descontínua, tornando-se mais densa em capoeirões de solos muito úmidos ou rochosos, onde costuma aparecer associada ao jerivá (Syagrus romanzoffiana). É pouco comum na floresta primária, podendo surgir nas bordas e atuar como invasora de campos. Está presente no bioma Mata Atlântica, em formações de Floresta Estacional Decidual e Semidecidual e na Floresta Ombrófila Mista com araucária (até cinco indivíduos por hectare em Santa Catarina), e no bioma Cerrado, tanto em cerrado stricto sensu quanto em cerradão, em Mato Grosso do Sul e São Paulo. Também ocorre em ambientes ripários e em florestas de pau-ferro (Myracrodruon balansae) no Rio Grande do Sul, onde chega a sete indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A floração ocorre de outubro a abril em Santa Catarina, de novembro a dezembro em São Paulo e no Rio Grande do Sul, e de dezembro a fevereiro no Paraná. Os frutos amadurecem de janeiro a maio no Paraná e no Rio Grande do Sul, e de março a abril em São Paulo.

Fauna associada

É espécie monóica, polinizada principalmente por abelhas e por diversos pequenos insetos. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, feita pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos são colhidos secos, quando atingem coloração amarelada. Cada quilo reúne de 49.700 a 63.000 sementes, que não exigem qualquer tratamento antes da semeadura. A viabilidade das sementes se mantém por cerca de 4 a 5 meses.

Produção de mudas

A semeadura é feita em sementeiras e, em seguida, as plântulas são repicadas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes grandes de polipropileno, de 4 a 8 semanas após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 20 e 30 dias após a semeadura e taxa elevada.

Características silviculturais

Espécie heliófila que suporta baixas temperaturas. Na fase jovem cresce de forma monopodial, mesmo a pleno sol, e apresenta boa desrama natural em plantios mistos e razoável em plantios puros. Pode ser cultivada a pleno sol em plantio misto, associada a espécies pioneiras, e tem capacidade de rebrotar da touça.

Crescimento e produção

O crescimento é lento. Em plantios mistos no Paraná, aos 9 anos de idade, alcançou cerca de 10,3 m de altura média e diâmetros entre 11,5 e 12,2 cm, com produção volumétrica de até 4,96 m³ por hectare ao ano.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 1.100 mm, em São Paulo, a 2.000 mm, no Paraná e em Santa Catarina, com chuvas bem distribuídas na maior parte da Região Sul e mais concentradas no noroeste do Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e oeste de São Paulo. A temperatura média anual fica entre 16,6 ºC (Guarapuava, PR) e 22 ºC (Caarapó, MS), com mínima absoluta de -8,4 ºC, podendo chegar a -12 ºC na relva, e até 27 geadas por ano no Paraná. Os tipos climáticos de Köppen abrangem Aw, Cfa, Cfb e Cwa.

Solos

Planta agressiva, porém não invasora: comporta-se como precursora em solos rasos e tolera bem curtos períodos de falta de umidade. No Alto Uruguai é a principal pioneira de áreas rochosas ainda não ocupadas pela floresta, cumprindo papel semelhante ao da aroeira (Schinus terebinthifolius) em outras regiões do Rio Grande do Sul, ao colonizar solos pedregosos e preparar o terreno para espécies mais exigentes. Pode ser plantada em solos pobres em fertilidade, erodidos e de pouca profundidade.