Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF
Canela-branca
Nectandra lanceolata
- 10 a 15 mAltura
- Médio portePorte
Também conhecida como: ajuba, louro-amarelo, louro-amargoso, louro-besuntão, louro-do-brejo, louro-fedorento, louro-goiaba, louro-preto, pau-de-santana, canela, canela-amargosa, canela-vermelha, canela-da-várzea, canela-cedro, canela-fedorenta, canela-gigante, canela-goiaba, canela-inhuveira, canela-nhuveira, canela-parda, canelão, canela-loura, canela-louro, canela-nhoçara, canela-pitanga, canela-sassafrás, canela-do-brejo, espora-de-galo
Botânica
A canela-branca tem como nome científico Nectandra lanceolata Nees et Martius ex Nees, descrita em 1833. Pertence à família Lauraceae e, na classificação de Cronquist, está posicionada na ordem Myrtiflorae, classe Magnoliopsida (dicotiledôneas), divisão Magnoliophyta (angiospermas). Já foi tratada na literatura sob os sinônimos Nectandra leucothyrsus e Nectandra pichurim. O nome do gênero, Nectandra, une os termos gregos para néctar e homem, em referência às glândulas melíferas presentes nos estames e estaminódios; o epíteto lanceolata, do latim, alude ao formato lanceolado das folhas.
Trata-se de uma árvore perenifólia que, em geral, mede de 10 a 15 m de altura e apresenta DAP de 20 a 50 cm, podendo, quando adulta, alcançar 25 m e até 120 cm de DAP. O tronco é reto, com leve tortuosidade, e o fuste, costumeiramente curto e suavemente acanalado, chega a 8 m. A ramificação é grossa e farta, formando copa larga, irregular e densa, na qual costumam aparecer folhas avermelhadas; os ápices dos ramos exibem indumento ferrugíneo. A casca atinge 20 mm de espessura: por fora é pardo-acinzentada, de quase lisa a áspera, com muitas lenticelas e, por vezes, recoberta de líquens; por dentro é amarela, riscada de estrias escuras, com odor característico que lembra fezes, e escurece depressa ao contato com o ar. As folhas são simples, alternas, elíptico-lanceoladas, de até 20 cm de comprimento por 6 cm de largura, com a face superior glabra e a inferior pilosa-tomentosa; as novas trazem indumento ferrugíneo, e a presença frequente de folhas avermelhadas auxilia na identificação. As flores, branco-amareladas e vistosas, surgem numerosas em panículas axilares ou terminais de 3 a 10 cm, também com indumento ferrugíneo. O fruto é uma baga elipsoide, escura quando madura, de 10 a 20 mm de comprimento por 9 a 13 mm de diâmetro, com cúpula discoide que recobre cerca de um quarto da semente. A semente é marrom, estriada de preto, medindo de 8 a 15 mm.
Uso e ecologia
A madeira é moderadamente densa (massa específica aparente de 0,70 g/cm³ a 15% de umidade; massa específica básica de 0,47 a 0,48 g/cm³), com alburno e cerne de cor amarela uniforme, fácil de trabalhar. Suas características e aplicações assemelham-se às da canela-loura (Nectandra angustifolia). Serrada ou em forma roliça, presta-se à construção civil, sendo empregada como caibro, ripa, forro, tabuado, taco, esquadrias, móveis e obras internas. Também rende lenha e carvão de boa qualidade. Para celulose e papel, porém, a espécie não é adequada.
Classificada como secundária tardia, a canela-branca é comum na vegetação secundária. Habita a Floresta Ombrófila Mista (com araucária), onde ocupa o segundo estrato arbóreo, o chamado estrato das canelas; aparece ainda na Floresta Estacional Semidecidual (formações submontana e aluvial) e na Floresta Estacional Decidual baixo-montana, sendo mais rara na Floresta Ombrófila Densa Submontana (Mata Atlântica). Fora do país, ocorre no Campo Alto Arbóreo paraguaio. Quanto à densidade, inventários na Selva Misionera, em Misiones (Argentina), registraram de 7 a 27 exemplares por hectare, enquanto na Floresta Estacional Decidual do noroeste do Rio Grande do Sul foram contados 14 indivíduos por hectare.
A floração ocorre em agosto no Rio de Janeiro; de agosto a outubro em São Paulo; de setembro a dezembro no Paraná; e de outubro a janeiro no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os frutos amadurecem de outubro a março em São Paulo, em janeiro no Rio de Janeiro, de janeiro a março no Paraná e no Rio Grande do Sul, em março em Minas Gerais e de março a abril no Espírito Santo. Em plantios, a reprodução começa por volta dos 13 anos.
Planta hermafrodita, é polinizada sobretudo por abelhas e borboletas. A dispersão é zoocórica, realizada principalmente por diversas aves, que se alimentam dos frutos e atuam como seus principais disseminadores.
Plantio e silvicultura
Para a colheita, deixa-se o fruto de molho em água e extrai-se a semente por maceração; retirada a polpa, ela deve secar em local ventilado. Cada quilo reúne de 980 a 1.800 sementes. Como apresentam dormência dupla, recomenda-se, antes da semeadura, escarificá-las em ácido sulfúrico concentrado por 5 minutos e, em seguida, estratificá-las em areia úmida por 30 dias, em camada única. As sementes são recalcitrantes, com viabilidade curta quando guardadas fora de ambiente controlado.
Aconselha-se semear em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio. A repicagem, quando preciso, deve ocorrer de 3 a 5 semanas após a germinação. A germinação é hipógea e começa entre 30 e 120 dias depois da semeadura, com poder germinativo de até 60%. Cerca de 9 meses após o plantio das sementes, as mudas alcançam tamanho ideal para ir a campo.
Espécie semi-heliófila, suporta sombreamento leve quando jovem e tolera bem o frio: em florestas naturais, exemplares adultos resistem a mínimas de até -11 ºC. Seu crescimento é monopodial, com ramificação lateral discreta e desrama natural apenas razoável, o que torna recomendável a poda dos galhos. Pela sua posição sucessional, o plantio puro a pleno sol é pouco indicado, ainda que em solos férteis o desempenho seja satisfatório; melhor opção é o plantio misto, junto a espécies pioneiras ou em vegetação matricial arbórea, em faixas abertas na floresta. A árvore rebrota da touça após o corte.
Há poucos registros experimentais sobre o desenvolvimento da espécie, mas os dados disponíveis apontam para um crescimento moderado.
A precipitação anual média associada à espécie vai de 1.100 mm, no Rio de Janeiro, a 2.300 mm, em Santa Catarina, com chuvas bem distribuídas no Sul e concentradas no verão no Sudeste. A deficiência hídrica é nula no Sul e de pequena a moderada no inverno, com 2 a 3 meses de seca no norte do Espírito Santo e sul do Mato Grosso do Sul. A temperatura média anual varia de 13,2 ºC (São Joaquim, SC) a 23,7 ºC (Rio de Janeiro, RJ), com mínima absoluta de -11,6 ºC em Xanxerê (SC), podendo chegar a -15 ºC na relva. O número de geadas vai de 0 a 30 por ano, com máximo de 81 no Sul e em Campos do Jordão (SP). Os tipos climáticos de Köppen abrangem o temperado úmido (Cfb), o subtropical úmido (Cfa), o subtropical de altitude (Cwb) e o tropical (Aw).
A canela-branca aparece naturalmente em diversos tipos de solo. Em plantios experimentais, seu melhor crescimento foi obtido em solos de alta fertilidade química, bem drenados e de textura argilosa.