Foto: Monkey Safari Tur (CC0) via GBIF
Cambuci
Campomanesia phaea
- 5 a 10 mAltura
- Médio portePorte
Também conhecida como: cambucizeiro, cambuci-verdadeiro
Botânica
Pertence à família Myrtaceae, uma das mais ricas da Mata Atlântica, e ao gênero Campomanesia, que reúne espécies frutíferas como a gabiroba. A espécie foi descrita originalmente como Abbevillea phaea e posteriormente recombinada em Campomanesia phaea.
Árvore de pequeno a médio porte, geralmente de 5 a 10 m de altura, com copa arredondada e densa. O tronco é relativamente fino, com casca pardacenta e levemente descamante. As folhas são simples, opostas, de lâmina elíptica a oblonga, coriáceas, verde-escuras e brilhantes na face superior, com glândulas oleíferas translúcidas típicas das mirtáceas, exalando aroma característico quando amassadas. As flores são solitárias ou em pequenos grupos nas axilas das folhas, hermafroditas, com pétalas brancas e numerosos estames também esbranquiçados, vistosas e perfumadas. O fruto é uma baga achatada, com depressão no ápice (formato que lembra um pequeno disco ou OVNI), de casca verde a verde-amarelada quando madura, polpa suculenta, aromática, de sabor ácido e levemente adstringente, contendo poucas sementes.
Uso e ecologia
O fruto é a principal utilidade da espécie. De sabor ácido e aroma intenso, raramente é consumido in natura ao natural, sendo muito apreciado no preparo de sucos, sorvetes, geleias, licores, doces, mousses e caipirinhas. É um fruto símbolo da gastronomia paulistana e da Rota Gastronômica do Cambuci, na região serrana de São Paulo. A árvore também tem valor ornamental pela copa densa e floração branca perfumada.
Espécie clímax a secundária tardia, típica do interior da floresta madura, considerada de interesse para a recuperação de áreas degradadas da Mata Atlântica e para o enriquecimento de florestas em estágio avançado. Por ser endêmica e ter sofrido com a fragmentação de seu habitat, possui importância para a conservação da biodiversidade regional.
Floração concentrada na primavera, geralmente entre setembro e novembro; frutificação no verão e início do outono, entre janeiro e março, podendo variar conforme a altitude e o ano.
As flores, ricas em estames e perfumadas, atraem abelhas e outros insetos polinizadores, tendo potencial apícola. Os frutos servem de alimento para aves e pequenos mamíferos da fauna florestal.
Plantio e silvicultura
A propagação é feita predominantemente por sementes, que são recalcitrantes e perdem rapidamente a viabilidade quando desidratadas, devendo ser semeadas logo após a extração e a despolpa dos frutos maduros. A germinação costuma ser relativamente rápida e com boas taxas quando as sementes são frescas.
As sementes devem ser semeadas em substrato fértil e bem drenado, em sementeiras ou diretamente em sacos/tubetes. Recomenda-se ambiente com sombreamento parcial nas fases iniciais. As mudas atingem porte adequado para plantio definitivo em cerca de um ano.
Indicada para plantios de recuperação de áreas degradadas da Mata Atlântica, sistemas agroflorestais, pomares domésticos e arborização. Adapta-se bem a plantios mistos sob algum sombreamento nas fases jovens, característico de espécie de interior de floresta.
Crescimento lento a moderado. O início da produção de frutos ocorre tipicamente a partir do terceiro ao quinto ano após o plantio.
Prefere clima ameno e úmido, subtropical a tropical de altitude, típico das regiões serranas da Mata Atlântica, com boa distribuição de chuvas. Tolera bem o frio das serras do Sudeste.
Desenvolve-se melhor em solos profundos, férteis, ricos em matéria orgânica e bem drenados, embora se adapte a solos de fertilidade média desde que com boa umidade.