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Foto de Camboatá-branco

Foto: Carol Fontes (CC0) via GBIF

Camboatá-branco

Matayba elaeagnoides

Sapindaceae Mata AtlânticaCerradoPampa
  • até 20 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: miguel-pintado, camboatá, cragoatã-branco, cambuatá-branco, caqui-do-mato, marinheirinho, pau-crioulo, covantã, covatã, covatão, pingaleiro, craguatam, cuvantã, pau-pomba, pau-pombo

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertence à família Sapindaceae, ordem Sapindales, e foi descrita por Radlkofer em 1879. O nome do gênero Matayba deriva de matataíba, como a árvore era chamada pelos índios Galibis, enquanto o epíteto elaeagnoides faz referência à semelhança com o gênero Elaeagnus, da família Elaeagnaceae. Em tupi-guarani, a planta é chamada de caá-boatã, expressão que significa árvore de folhagem áspera. Recebe diferentes nomes populares conforme a região: cragoatã-branco no Mato Grosso; camboatá, cambuatá-branco, caqui-do-mato, marinheirinho e pau-crioulo em Minas Gerais; camboatá, covantã, covatã, covatão, miguel-pintado e pingaleiro no Paraná; camboatá e camboatá-branco no Rio Grande do Sul; camboatá em Santa Catarina; e ainda craguatam, cuvantã, pau-pomba e pau-pombo em São Paulo.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore ou arbusto de folhagem permanente, cujos exemplares de maior porte alcançam aproximadamente 20 m de altura e 60 cm de diâmetro à altura do peito quando adultos. O tronco costuma ser levemente tortuoso e semicilíndrico, com fuste curto de no máximo 6 m; na casca externa não é incomum observar anéis circulares formados pela ação de insetos. A ramificação é dicotômica e simpódica, formando uma copa baixa e densa, de folhagem verde-clara, especialmente nas folhas mais jovens. A casca chega a 17 mm de espessura, sendo dura por fora, pouco áspera e marcada por fissuras finas e longitudinais que ficam marrons ao serem raspadas; a parte interna é cor de marfim, levemente aromática, de textura arenosa e estrutura compacta. As folhas são compostas, alternas e pinadas (de imparipinadas a paripinadas), medindo de 8 a 25 cm, com 4 a 13 folíolos elípticos a elíptico-oblongos de 2,5 a 10 cm de comprimento por 1,1 a 3,4 cm de largura, coriáceos, glabros e de margem inteira. As inflorescências formam panículas axilares de 2 a 8 cm, menores que as folhas e com muitas flores. As flores são bem pequenas (2 a 5 mm), de cor verde-esbranquiçada, pilosas e com cinco pétalas. O fruto é uma cápsula ovoide e triangular, pilosa e com cálice persistente, medindo de 7 a 14 mm por 5 a 12 mm, contendo de 1 a 2 sementes. As sementes são elipsoides, negras e brilhantes, com cerca de 1 cm de comprimento e recobertas por arilo em mais de dois terços de sua superfície.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícola
Produtos e utilizações

Por ter fuste curto, seu aproveitamento comercial em madeira serrada e roliça é limitado, mas a espécie é empregada em construções civis, obras internas e ripas. Sua madeira é moderadamente densa (0,81 a 0,85 g/cm³), de textura fina e grã direita, com alburno marrom-claro levemente rosado e cerne que varia de pardacento a pardo-rosado. Fornece excelente lenha para caldeiras e é bastante usada na produção de carvão no Rio Grande do Sul e no Paraguai, embora não sirva para celulose e papel. A forragem possui de 9,3% a 12,6% de proteína bruta e de 6,5% a 7,2% de tanino, o que a torna pouco adequada como forrageira. É planta melífera, produzindo néctar e pólen. Na medicina popular, o chá da casca ou da raiz é usado contra azia e problemas no fígado, além de ser indicado para dores no coração, tumores e reumatismo, atuando ainda como tônico, digestivo, antitérmico e estimulante da resistência do organismo.

Aspectos ecológicos

Classifica-se como espécie secundária inicial, secundária tardia ou clímax exigente em luz. O miguel-pintado aparece na vegetação secundária a partir da fase de capoeirão e, conforme essa vegetação avança, ganha densidade e porte, podendo se tornar abundante na floresta secundária, sobretudo no início das encostas. É encontrado na Mata Atlântica em diferentes formações: na Floresta Estacional Decidual das formações submontana e montana do Rio Grande do Sul (até cinco indivíduos por hectare); na Floresta Estacional Semidecidual das formações aluvial, submontana e montana de Minas Gerais, Paraná e São Paulo (de 1 a 20 adultos por hectare); na Floresta Ombrófila Densa montana de Minas Gerais e São Paulo (até 37 indivíduos por hectare); e na Floresta Ombrófila Mista, ou Floresta de Araucária, montana do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (de 2 a 66 indivíduos por hectare). Também ocorre em zonas de contato entre formações florestais, em restinga em São Paulo, no Cerrado de São Paulo, na Estepe ou Campos do Pampa gaúcho e em ambientes ripários do Distrito Federal, Minas Gerais e Paraná.

Floração e frutificação

A floração acontece de setembro a novembro em São Paulo, de setembro a dezembro no Paraná e de outubro a dezembro no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os frutos amadurecem de dezembro a janeiro em Santa Catarina e São Paulo, de dezembro a fevereiro no Rio Grande do Sul e de janeiro a fevereiro no Paraná.

Fauna associada

É uma espécie monoica. A polinização é feita por abelhas sem ferrão (como Melipona marginata, Nannotrigona testaceicornis, Paratrigona subnuda, Plebeia droryana, Scaptotrigona bipunctata, Schwarziana quadripunctata, Trigona hyalinata e Trigona spinipes) e por moscas-das-flores (Diptera: Syrphidae). A dispersão é nitidamente zoocórica, com destaque para as aves, que se alimentam do arilo das sementes sem digeri-las, e também para as formigas.

Plantio e silvicultura
Sementes

A espécie produz, todos os anos, uma quantidade moderada de sementes viáveis, amplamente espalhadas pelas aves. A coleta normalmente é feita no solo, com as sementes já maduras, das quais se deve remover o arilo. Cada quilo contém de 3.250 a 8.700 sementes. Não há necessidade de tratamento pré-germinativo. As sementes são recalcitrantes e começam a perder o poder de germinação entre 90 e 180 dias após a colheita.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sacos de polietileno ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio. Quando necessária, a repicagem pode ser feita entre 35 e 45 dias após a semeadura. A germinação é hipógea ou criptocotiledonar, com emergência entre 10 e 50 dias e poder germinativo irregular, de 40% a 80%. As mudas alcançam tamanho ideal para o plantio cerca de seis meses depois da semeadura.

Características silviculturais

Quando jovem, é uma planta de luz difusa ou mesmo esciófila, regenerando-se com facilidade à sombra, e tolera baixas temperaturas. Possui ramificação pesada e não faz desrama natural, exigindo poda de condução. Não é indicada para plantio a céu aberto; o ideal é plantá-la em vegetação matricial arbórea, como capoeiras ou capoeirões, abrindo-se picadas. Apresenta brotação vigorosa a partir da touça ou cepa.

Crescimento e produção

São escassos os dados sobre seu desenvolvimento em plantios, mas o crescimento é considerado de lento a moderado.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.200 mm em Minas Gerais a 2.000 mm no Rio Grande do Sul, com chuvas bem distribuídas na Região Sul (exceto no norte do Paraná) e periódicas nos demais locais. A deficiência hídrica é nula no Sul (fora o norte paranaense) e oscila de pequena a forte conforme a região e a estação. A temperatura média anual fica entre 14,7 ºC (Bom Jesus, RS) e 25,6 ºC (Chapada dos Guimarães, MT), com mínima absoluta de -10,4 ºC em Caçador (SC), podendo chegar a -17 ºC em pontos do Planalto Sul-Brasileiro. As geadas variam de 0 a 13 por ano, com máximo de 35 no Sul. Ocorre sob os climas Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb de Köppen.

Solos

Cresce naturalmente em solos bastante variados, incluindo os de baixa fertilidade química, com poucos cátions trocáveis, alto teor de alumínio e pH baixo. Também se adapta a solos úmidos, profundos e bem drenados, mas não se desenvolve em terrenos muito secos ou de drenagem excessivamente rápida.