Foto: Donald Davesne (CC BY) via GBIF
Caju-do-cerrado
Anacardium humile
- 0,5 a 1 mAltura
- ArvoretaPorte
Também conhecida como: cajuzinho-do-cerrado, caju-rasteiro, cajuí, caju-do-campo, caju-de-árvore-do-campo
Botânica
Anacardium humile A.St.-Hil. pertence à família Anacardiaceae, a mesma do cajueiro comum (Anacardium occidentale), do aroeira e da mangueira. O gênero Anacardium reúne espécies americanas, das quais várias são típicas do Cerrado brasileiro. O epíteto humile (do latim, baixo, rasteiro) faz referência ao hábito subarbustivo da planta.
Subarbusto de pequeno porte, geralmente de 0,5 a 1 m de altura, com sistema subterrâneo lenhoso bastante desenvolvido (xilopódio), que rebrota após o fogo e a seca. Os ramos aéreos partem dessa estrutura subterrânea e morrem na estação seca, caracterizando uma planta geoxílica. As folhas são simples, alternas, coriáceas, de formato obovado a oblongo, com nervuras salientes na face inferior e ápice arredondado ou levemente emarginado. As inflorescências são panículas terminais com flores pequenas, de coloração esbranquiçada a rósea, perfumadas. O fruto verdadeiro é uma castanha reniforme (aquênio) presa à extremidade de um pseudofruto carnoso e suculento, o pedúnculo floral intumescido, semelhante ao caju comum porém menor, de cor amarela a avermelhada.
Uso e ecologia
O pseudofruto (pedúnculo carnoso) é comestível, consumido in natura ou processado em sucos, polpas, doces, geleias e licores, com sabor adocicado e levemente adstringente, rico em vitamina C e compostos antioxidantes. A castanha é comestível após torrefação, à semelhança da castanha-de-caju. Diversas partes da planta, em especial a casca e as folhas, têm uso na medicina popular como anti-inflamatório, adstringente e no tratamento de afecções digestivas e diabetes.
Espécie heliófila e pioneira, adaptada a ambientes abertos e sujeitos ao fogo. O xilopódio confere alta capacidade de rebrota após queimadas e períodos secos, sendo importante na ciclagem e na cobertura do solo em áreas de campo. Contribui para a manutenção da biodiversidade do Cerrado.
A floração costuma ocorrer no fim da estação seca e início das chuvas, e a frutificação se concentra ao longo da estação chuvosa, com pseudofrutos maduros geralmente entre os meses de setembro e dezembro, variando conforme a região.
As flores são visitadas por abelhas e outros insetos, conferindo potencial apícola. Os pseudofrutos e as sementes servem de alimento a aves, pequenos mamíferos e outros animais do Cerrado, que atuam na dispersão da espécie.
Plantio e silvicultura
A propagação é feita principalmente por sementes (castanhas), que apresentam dormência tegumentar; a escarificação ou a remoção parcial do tegumento favorece e uniformiza a germinação. As sementes devem ser semeadas logo após a coleta, pois perdem rapidamente a viabilidade.
As mudas podem ser produzidas em sacos ou tubetes com substrato bem drenado e arenoso. O desenvolvimento inicial é lento, com prioridade no crescimento do sistema subterrâneo. Recomenda-se pleno sol no viveiro para mudas rústicas.
Espécie de interesse para enriquecimento de áreas de Cerrado, fruticultura nativa e exploração extrativista. Por ser rasteira, presta-se a plantios em consórcio com outras nativas e a programas de uso sustentável da biodiversidade do Cerrado.
Crescimento lento, com grande investimento inicial no sistema radicular e no xilopódio. A planta pode levar alguns anos para iniciar a produção de frutos.
Adaptada ao clima tropical estacional do Cerrado, com estação seca pronunciada, tolerando altas temperaturas, déficit hídrico e fogo periódico.
Desenvolve-se em solos arenosos, ácidos, distróficos e bem drenados, típicos das áreas de campo e cerrado, sendo pouco exigente em fertilidade.