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Cajá

Spondias mombin L.

Anacardiaceae AmazôniaCerradoMata Atlântica
  • até 30 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: cajá-da-mata, cajazeira, taperebá, taperebá-de-anta, taperebá-de-veado, cajazeira-brava, cajazeiro, cajá-miúdo, cajazeiro-miúdo, cajá-cajazeiro, taberibá, cajarana, cajá-mirim, cajá-pequeno, taperibá, acaiá, caiá

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo Sistema de Classificação de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (Angiospermae), classe Magnoliopsida (Dicotyledonae), ordem Sapindales e família Anacardiaceae, sendo classificada no gênero Spondias. A espécie é Spondias mombin L., descrita em Sp. pl. 371, em 1753, tendo Spondias lutea L. como sinônimo botânico. O nome do gênero, Spondias, faz referência à ameixa, enquanto o nome popular cajá tem origem no tupi acaya, que quer dizer caiá.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore decídua, que perde as folhas durante a estação seca, fenômeno mais marcante entre julho e setembro. Quando adultos, os maiores exemplares chegam a cerca de 30 m de altura e 120 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo). O tronco é reto e exibe saliências variadas de cortiça que, à distância, lembram espinhos ou acúleos. A ramificação é esparsa e pouco adensada nos indivíduos adultos, e ainda mais rala nos jovens; a copa tem formato esférico, equivalente em proporção ao fuste, com galhos horizontais e ascendentes. A casca atinge até 50 mm de espessura: externamente é castanho-esbranquiçada a cinza-clara, rugosa, com saliências parecidas com espinhos e lenticelas, desprendendo-se em placas grossas; a casca interna é rosa-clara, levemente amarga e sem odor próprio, liberando um pouco de látex quase incolor quando cortada. As folhas são compostas, alternas e imparipinadas, com 5 a 11 pares de folíolos espiralados e peciolados, de peciólulo curto de 5 cm; os folíolos podem ser opostos ou alternos e têm lâmina oblonga, cartácea, de 5 a 11 cm de comprimento por 2 a 5 cm de largura, com margem inteira, ápice agudo e base arredondada desigual, glabra em ambas as faces; a nervação é do tipo camptódromo-cladódromo, com 16 a 18 pares de nervuras secundárias, e o ráquis mede de 20 a 30 cm de comprimento, sem glândulas. As inflorescências surgem em panículas masculinas e femininas nas axilas das folhas novas, com 15 a 30 cm de comprimento. As flores masculinas são actinomorfas, de 6 a 8 mm de diâmetro, com pétalas creme-esverdeadas; as femininas, de 8 a 9 mm, assemelham-se às masculinas, porém têm anteras sem pólen e ovário bem desenvolvido. Segundo Mitchell e Daly, as flores seriam hermafroditas, mas protândricas, com a liberação do pólen antecedendo o amadurecimento do ovário. Os frutos aparecem em infrutescências pêndulas de até 30 cm; são drupas ovóides de 3 a 6 cm de comprimento, com pericarpo glabro e liso, de odor agradável, e polpa comestível amarela e ácida; o endocarpo é fibroso, súbero-lenhoso, com cinco lóculos unispermos, lembrando uma esponja dura. A semente é um caroço grande, branco, suberoso e enrugado.

Uso e ecologia
madeireiroalimentíciomedicinalapícolapaisagismorecuperação de áreas
Produtos e utilizações

Embora tenha pouca aplicação como madeira serrada ou roliça, o material pode ser moldado e torneado, prestando-se à caixotaria, à fabricação de fósforos, à marcenaria, à carpintaria e ao aeromodelismo; na Região Norte é bastante usada na construção de pequenas embarcações. Também serve como combustível e é adequada para a produção de polpa de papel branco. A madeira é leve, com massa específica aparente de 0,41 a 0,51 g/cm³ a 12% de umidade e massa específica básica de 0,38 g/cm³; o alburno não se distingue do cerne, ambos branco-amarelados, com vasos e raios bastante visíveis. Apresenta sabor adstringente característico, brilho mediano, grã reta, textura média, durabilidade natural mediana e fácil trabalhabilidade. O fruto é comestível e empregado em vinhos, sorvetes, refrescos, sucos, licores, doces, geléias e compotas, com destaque para seu uso como refrigerante de sabor excelente, razão pela qual é muito cultivado no Norte e no Nordeste; na ponta das raízes forma-se um tubérculo que, em tempos de grandes secas no Ceará, era colhido para fabricar farinha. Análises fitoquímicas das folhas e ramos verdes apontam taninos elágicos e precursores como geraniina e galoil-geraniina, além de ésteres do ácido caféico, substâncias com propriedades adstringentes, antibacterianas, moluscicidas e antivirais. Na medicina popular, o cozimento das folhas serve de gargarejo adstringente para inflamações da boca e da garganta e, por via oral, no tratamento caseiro da prostatite. Do súber do tronco, conhecido como caraça-de-cajazeira, artesãos extraem peças grossas para esculturas, carimbos e xilogravura.

Aspectos ecológicos

É uma espécie secundária tardia, encontrada em formações secundárias e em áreas de antigos sítios agrícolas. Ocorre na Mata Atlântica, em Floresta Estacional Decidual (Terras Baixas e Submontana, em Goiás e no Rio Grande do Norte, com até seis indivíduos por hectare), em Floresta Estacional Semidecidual (formações Aluvial e Submontana, na Bahia e em Mato Grosso do Sul) e em Floresta Ombrófila Densa (Terras Baixas e Montana, no Ceará, no Rio de Janeiro e em Sergipe); em Ilhéus (BA), foram registrados cinco indivíduos emergentes por hectare onze anos após a retirada dos cacaueiros. Na Amazônia, aparece em Floresta Ombrófila Aberta (Acre) e em Floresta Ombrófila Densa de Várzea (Amazonas e Pará). No Cerrado, ocorre em savana (cerrado lato sensu), em Roraima.

Floração e frutificação

A floração ocorre de julho a novembro no Pará, de agosto a setembro no Amazonas, de setembro a outubro no Acre, de setembro a março na Bahia, de outubro a novembro em Mato Grosso do Sul e de novembro a fevereiro em Pernambuco, com padrão de florescimento anual. Os frutos amadurecem de dezembro a fevereiro no Amazonas, de dezembro a março no Pará, de fevereiro a abril em Mato Grosso do Sul e de maio a julho em Pernambuco, havendo frutos o ano inteiro.

Fauna associada

Considerada polígama ou dióica, a espécie tem polinização realizada essencialmente por abelhas, sobretudo a abelha-europeia ou africanizada (Apis mellifera). A dispersão dos frutos e sementes se dá por zoocoria, contando com o peixe pacu (Colossoma mitrei) e outros peixes, a anta (Tapirus terrestris), porcos-do-mato e o jaboti, entre outros animais. As flores são melíferas e produzem pólen, atraindo abelhas.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser apanhados no chão após a queda natural; depois de despolpados, são lavados em água corrente e postos para secar ao sol. Cada quilo reúne cerca de 255 sementes. Não é necessário tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento recalcitrante e viabilidade inferior a três meses no armazenamento.

Produção de mudas

Recomenda-se semear uma única semente por recipiente, em saco de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubete de polipropileno grande. A germinação é hipógea ou criptocotiledonar, com emergência iniciando entre 25 e 240 dias após a semeadura e taxa de germinação em torno de 50%. Em ensaio de propagação vegetativa, Pereira e colaboradores empregaram estacas de 30 cm obtidas de plantas adultas sem folhas em substrato arenoso e observaram que as estacas sublenhosas e lenhosas tiveram maior capacidade de brotação, embora não tenha havido enraizamento no período avaliado.

Características silviculturais

Espécie heliófila e sensível a baixas temperaturas. Costuma ter forma irregular, sem dominância apical definida e com ramificação pesada, não apresentando desrama satisfatória, o que exige podas de condução e de galhos frequentes e periódicas. Recomenda-se o plantio misto. Regenera-se espontaneamente por brotações caulinares e radiciais (raízes gemíferas) e rebrota vigorosamente da touça ou cepa. Em sistemas agroflorestais, é usada como cerca-viva, sombreira e na alimentação do gado, sendo mantida no sistema de cabruca (vegetação nativa da Mata Atlântica raleada sobre plantio de cacau) no sul da Bahia.

Crescimento e produção

O crescimento é moderado. Aos cinco anos de idade, a espécie alcançou um incremento médio anual em volume de 8,90 m³/ha/ano.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.000 mm, no Piauí, a 2.500 mm, no Amazonas, podendo chegar a 2.750 mm no Acre. As chuvas são uniformes ou periódicas na faixa costeira do sul da Bahia e periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica vai de pequena a moderada no Acre, Amazonas, Pará, Roraima, Pernambuco e Sergipe, e no inverno no sul de Goiás, sendo de moderada a forte no oeste da Bahia, no norte do Maranhão e no Pantanal Mato-Grossense. A temperatura média anual situa-se entre 20,5 ºC (Guaramiranga, CE) e 26,7 ºC (Itaituba, PA); a média do mês mais frio vai de 19,2 ºC a 25,8 ºC e a do mês mais quente de 21,2 ºC a 27,8 ºC, com mínima absoluta de 1,4 ºC em Corumbá (MS). Geadas são raras ou ausentes na área de ocorrência natural, sobretudo em Mato Grosso do Sul. Pela classificação de Köppen, abrange os tipos Af, na faixa costeira do sul da Bahia; Am, no Acre, Amazonas, Ceará, Pará, Roraima e Pernambuco; As, no Rio Grande do Norte e em Sergipe; Aw, no oeste da Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e Acre; e Cwa, no nordeste de Goiás.

Solos

Desenvolve-se naturalmente em terrenos úmidos.