Foto: Derek Duplessis (CC BY) via GBIF
Cacau
Theobroma cacao
- 4 a 8 mAltura
- Pequeno portePorte
Também conhecida como: cacaueiro, cacau-verdadeiro, cacao
Botânica
Theobroma cacao L. pertence à família Malvaceae (anteriormente classificada em Sterculiaceae), no gênero Theobroma, que reúne cerca de vinte espécies neotropicais. O epíteto genérico deriva do grego e significa 'alimento dos deuses', em referência ao valor atribuído às sementes.
Árvore de pequeno porte, com tronco geralmente curto e copa baixa e densa. As folhas são simples, alternas, grandes, oblongo-elípticas, com lâmina inteira e brotação avermelhada característica. As flores são pequenas, hermafroditas e nascem diretamente sobre o tronco e os ramos mais grossos (cauliflora), fenômeno típico da espécie. O fruto é uma baga grande, indeiscente, de formato ovoide a alongado, com casca espessa e sulcada que varia do amarelo ao vermelho ou roxo conforme a variedade; no interior abriga numerosas sementes envolvidas por polpa mucilaginosa esbranquiçada e adocicada.
Uso e ecologia
As sementes fermentadas e secas (amêndoas) são a matéria-prima do chocolate, do cacau em pó e da manteiga de cacau. A polpa que envolve as sementes é consumida in natura e usada em sucos, geleias, fermentados e destilados. Subprodutos da casca e da polpa têm aproveitamento em ração animal e adubação.
Espécie umbrófila e típica do sub-bosque, adaptada a ambientes sombreados e úmidos. É frequentemente cultivada no sistema cabruca, em que o cacaueiro cresce sob o dossel da mata raleada, modelo agroflorestal que conserva fragmentos de Mata Atlântica e sua biodiversidade associada.
A floração e a frutificação ocorrem de forma quase contínua ao longo do ano em condições favoráveis, com picos sazonais que variam conforme a região e o regime de chuvas.
As flores são polinizadas principalmente por pequenos dípteros do gênero Forcipomyia (mosquitinhos do solo úmido). Os frutos e a polpa são consumidos por macacos, roedores, morcegos e aves, que atuam na dispersão das sementes.
Plantio e silvicultura
As sementes são recalcitrantes, perdem rapidamente a viabilidade e não toleram dessecação ou armazenamento prolongado; devem ser semeadas logo após a retirada do fruto, depois de removida a mucilagem. A germinação é rápida, ocorrendo em poucos dias sob condições quentes e úmidas.
A produção de mudas é feita em viveiro sombreado, em sacos ou tubetes, a partir de sementes ou de clones propagados por enxertia e estaquia. As mudas demandam sombreamento parcial e irrigação regular nos primeiros meses.
Tradicionalmente cultivada em consórcio sob sombra, como no sistema cabruca ou em sistemas agroflorestais com espécies de maior porte. O manejo inclui podas de formação e de manutenção, controle de doenças e regulação do sombreamento.
Crescimento moderado; em cultivo o início da produção comercial ocorre em geral entre o terceiro e o quinto ano após o plantio.
Exige clima tropical quente e úmido, com temperaturas elevadas, chuvas bem distribuídas e alta umidade relativa do ar. É sensível a geadas, ventos fortes e estiagens prolongadas.
Prefere solos profundos, férteis, bem drenados e ricos em matéria orgânica, com boa retenção de umidade. Não tolera encharcamento permanente nem solos rasos.