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Foto de Butiá-da-serra

Foto: Edson Luis Fabro Gasperin (CC BY-SA) via GBIF

Butiá-da-serra

Butia eriospatha

Arecaceae Mata AtlânticaPampa
  • até 7 mAltura
  • Pequeno portePorte
FrutíferasMedicinaisOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: butiazeiro, butiá-azedo, butiá-branco

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação do sistema APG III, o butiá-da-serra pertence às angiospermas, dentro do clado das monocotiledôneas, na ordem Arecales e na família Arecaceae (chamada de Palmae no sistema de Cronquist). A espécie integra o gênero Butia e tem como binômio Butia eriospatha (Martius ex Drude) Beccari, descrita pela primeira vez por Beccari em 1916. São reconhecidos como sinônimos botânicos os nomes Butia eriospatha subsp. punctata Bomhard, Cocos eriospatha Mart. ex Drude, Cocos blumenavia Hort. e Syagrus eriospatha (Mart. ex Drude) Glassman. O nome do gênero deriva do termo indígena mbotia, formado por mbo (fazer) e tia (dente curvo), referência aos dentes que ladeiam o pecíolo da folha; já o epíteto eriospatha une as palavras gregas erion (lã) e spatha (espata), aludindo à densa lanugem castanha que recobre a face externa da espata.

Descrição botânica

Trata-se de uma palmeira cujos exemplares adultos de maior porte chegam a cerca de 7 m de altura e 70 cm de DAP (diâmetro medido a 1,30 m do solo). O caule é único e ereto, com a base das bainhas parcialmente envolta por um espesso tomento marrom; a casca externa (ritidoma) fica coberta por restos dessas bainhas. A espádice mede aproximadamente 1 m ou menos e é bastante ramificada, em geral glabra, embora raramente um dos eixos apresente tomento castanho. As folhas têm pecíolo com espinhos nas margens e exibem de 50 a 55 pares de pinas, dispostas de forma regular e num único plano ao longo da raque. As inflorescências chegam a 150 ramos e têm a espata peduncular revestida externamente por denso tomento castanho. As flores são amarelas. Os frutos, globosos, suculentos, doces e sem fibras, medem de 1,8 a 2 cm de diâmetro e apresentam epicarpo amarelado na maturação. A semente possui putâmen ósseo, de formato subgloboso a globoso.

Uso e ecologia
paisagismoalimentícioapícolamedicinalrecuperação de áreas
Produtos e utilizações

Os frutos são comestíveis e ricos em vitamina C, o que motiva o cultivo da espécie em pomares domésticos no Sul do país. A planta tem grande potencial melífero, produzindo néctar e pólen. Na região de Lebon Regis (SC), os butiazais são tão abundantes que sustentam pequenas indústrias que aproveitam as fibras das folhas na fabricação de crina vegetal, chapéus, cestas e outros artigos. As espatas fornecem lenha de boa qualidade. Na medicina popular, o chá da flor é usado contra o amarelão e como calmante para melhorar o sono, e a polpa consumida in natura é apontada como auxiliar na eliminação do ácido úrico; vale ressaltar que esses usos medicinais são apenas um registro de pesquisa e não substituem orientação médica. É uma planta muito ornamental, amplamente empregada em paisagismo, sobretudo no Sul, inclusive em paisagismo rodoviário, e figura entre as 100 principais nativas do Sul do Brasil utilizadas em reflorestamento. A madeira é parda, dura e fibrosa, com densidade aparente de 0,80 g/cm³, mas é inadequada para celulose e papel.

Aspectos ecológicos

É uma espécie pioneira. Nos campos de Itaperuçu (PR), formam-se grandes agrupamentos de butiazeiros, uma de suas marcas mais notáveis, surgindo tanto nos campos limpos quanto entre os capões, onde se destacam sobre a vegetação baixa. Nos Campos de Laranjeiras, a oeste dos Campos de Guarapuava, sobre Cambissolo Álico, costuma aparecer associada ao pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia). Está presente na Floresta Ombrófila Mista (com araucária), na formação Montana do Paraná, e nos campos do Rio Grande do Sul, além de ocorrer em ambientes ripários (mata ciliar) em Santa Catarina. Nos Campos de Palmas (PR), apresenta-se como relicto dos campos primitivos, sendo rara na Floresta de Araucária; é a palmeira típica e mais difundida desses campos.

Floração e frutificação

A floração ocorre de novembro a dezembro em Santa Catarina e de novembro a janeiro no Paraná. Os frutos amadurecem de janeiro a fevereiro em Santa Catarina e de março a maio no Paraná.

Fauna associada

A espécie é hermafrodita e a polinização é feita sobretudo por abelhas e diversos insetos de pequeno porte. A dispersão se dá por zoocoria, principalmente por animais, já que os frutos são bastante apreciados pela fauna silvestre.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos maduros são colhidos e as sementes podem ser retiradas manualmente, com cerca de 200 sementes por quilo. Não há necessidade de tratamento pré-germinativo, pois as sementes germinam com facilidade, algo raro na família. Como a germinação é lenta e desuniforme, ela pode ser acelerada e uniformizada removendo-se o endocarpo e imergindo as sementes em água. A viabilidade das sementes se mantém por até 1 ano.

Produção de mudas

A semeadura é feita em recipientes individuais, cobrindo as sementes com cerca de 1 cm de terra. A germinação é hipógea e as plântulas são criptocotiledonares, com emergência por volta de 6 meses após a semeadura e poder germinativo acima de 60%. As mudas alcançam tamanho adequado para o plantio cerca de 12 meses depois da semeadura.

Características silviculturais

É uma espécie essencialmente heliófila e tolerante a geadas. Pode ser cultivada a pleno sol, tanto em plantios puros quanto mistos. É empregada em sistemas silvipastoris, principalmente em Santa Catarina. Em Pelotas (RS), a Embrapa Clima Temperado mantém um programa de conservação in situ da espécie.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre seu desempenho em plantios, mas o crescimento é reconhecidamente lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.200 mm, em Santa Catarina, a 2.300 mm, no Paraná, com chuvas distribuídas de forma uniforme e sem deficiência hídrica no Planalto Sul-Brasileiro. A temperatura média anual fica entre 15,6 °C (Palmas, PR) e 18,7 °C (Laranjeiras do Sul, PR); no mês mais frio varia de 10,7 °C a 14,1 °C e no mais quente de 20 °C a 22,3 °C, com mínima absoluta de -10 °C registrada em Palmas. As geadas são frequentes no Planalto Sul-Brasileiro, ocorrendo em média de 5 a 20 por ano, podendo chegar a 50. Pela classificação de Köppen, predominam os climas Cfa (subtropical úmido, verão quente) no Rio Grande do Sul e Cfb (temperado, verão ameno) no centro-sul do Paraná.

Solos

Ocorre naturalmente em afloramentos rochosos e em solos rasos de textura sílico-argilosa, com fertilidade que vai de baixa a alta. Adapta-se a relevos ondulados e fortemente ondulados.