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Foto de Bugreiro

Foto: Santiago Martín-Bravo (CC BY) via GBIF

Bugreiro

Lithrea brasiliensis

Anacardiaceae Mata AtlânticaPampa
  • até 16 mAltura
  • Médio portePorte
MedicinaisMadeireirasMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: pau-de-bugre, aroeira, aroeira-braba, aroeira-branca, aroeira-brava, aroeira-bugre, aroeira-vermelha, aroeira-de-bugre, aroeira-negra, bugreiro-graúdo, bugre, coração-de-bugre, catarina

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Seguindo a classificação do The Angiosperm Phylogeny Group (APG III), a espécie pertence à ordem Sapindales, família Anacardiaceae e gênero Lithrea. O nome aceito é Lithrea brasiliensis Marchand, publicado pela primeira vez em 1869. São reconhecidos como sinônimos botânicos Ehretia venulosa Spreng. ex Engl., Lithraea verrucosa Miers ex Engl. e Lithraea australiensis Engl. Vale notar que a grafia correta do gênero é Lithrea, e não Lithraea. O nome do gênero deriva do termo indígena chileno lythri (ou llthii), atribuído a uma espécie do grupo, enquanto o epíteto brasiliensis indica que o exemplar-tipo veio do Brasil.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta que pode se apresentar como arbusto ou árvore, com folhagem semidecídua. Os indivíduos de maior porte alcançam por volta de 16 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito quando adultos, embora na Restinga existam exemplares de apenas 1 m. O tronco é mais ou menos cilíndrico, reto ou por vezes tortuoso, com fuste em geral curto, que pode chegar a 10 m. A ramificação é simpódica, irregular e tortuosa, formando uma copa ampla, densa e compacta, de folhagem verde-escura. A casca atinge até 13 mm de espessura; externamente (ritidoma) varia do acastanhado ao castanho-acinzentado, com aspecto escamoso ou escamoso-reticulado nos exemplares adultos, fendas longitudinais e descamação em placas irregulares recurvadas, de textura curto-fibrosa; já a casca interna apresenta tons que vão do creme ao avermelhado e ao rosado, sendo carmim-escura na parte mais profunda. As folhas são simples, alternas, de formato obovado, oblongo a oblongo-espatulado, com ápice mucronado, emarginado ou acuminado e base cuneado-decurrente; medem de 2 cm a 8 cm de comprimento por 0,7 cm a 2,5 cm de largura, têm margem lisa ou levemente ondulada, consistência subcoriácea a coriácea e superfície glabra, com pecíolo de 0,3 cm a 2 cm; são peninérveas, com muitas nervuras paralelas amareladas. A inflorescência forma panículas axilares ou terminais de 0,7 cm a 7 cm de comprimento, com poucas flores. As flores são amarelo-esverdeadas, de pedicelos bem curtos (cerca de 2 mm), com pétalas oblongas e eretas de 1,2 mm a 1,5 mm. O fruto é uma drupa globosa, comprimida lateralmente, unilocular e com uma só semente; o epicarpo é papiráceo, seco, quebradiço, esbranquiçado, semitransparente, liso e lustroso, finamente puncticulado, e mede de 3 mm a 6 mm de diâmetro. A semente fica aderida ao endocarpo, com tegumento membranáceo de cor bege a castanho-amarelado, envolvendo o endosperma, que constitui uma fina camada carnosa.

Uso e ecologia
madeireiroenergéticoapícolamedicinalrecuperação de áreas
Produtos e utilizações

No Planalto Meridional, a madeira é bastante empregada e tida como uma das mais resistentes e duráveis para mourões e palanques de cerca em propriedades rurais, em razão de seu elevado teor de tanino; na Região Metropolitana de Curitiba (PR), serve ainda para cabos de ferramentas e utensílios domésticos. Também rende excelente lenha para fins energéticos, sobretudo nos exemplares mais desenvolvidos. Por outro lado, não é apropriada para a fabricação de celulose e papel. Quanto às características da madeira, ela é moderadamente densa, com alburno e cerne pouco distintos entre si e de coloração esbranquiçada. As flores são melíferas, fornecendo pólen e néctar às abelhas. No campo medicinal, a espécie não consta oficialmente como fitoterápica, mas tem amplo uso popular e tradicional, sendo atribuído princípio ativo à casca, às folhas, raízes, ramos, sementes, flores, resina e frutos. É importante ressaltar, porém, que plantas do gênero Lithrea contêm uma substância cáustica capaz de provocar alergia em pessoas sensíveis (coceira e manchas avermelhadas na pele); o pólen, a seiva exsudada e os ramos ou folhas, quando partidos, podem causar reações alérgicas sérias.

Aspectos ecológicos

No quesito sucessão, a espécie comporta-se como pioneira a secundária inicial ou ainda como clímax exigente de luz. Possui dispersão ampla e expressiva, ainda que sua distribuição seja descontínua e irregular; na Ilha de Santa Catarina, é comum nas matinhas da Restinga. Já foi registrada na regeneração natural da Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária) em Caçador (SC), Colombo (PR) e São Francisco de Paula (RS), bem como em um plantio de acácia-negra (Acacia mearnsii) em Cristal (RS). No bioma Mata Atlântica, aparece na Floresta Estacional Decidual (formações Submontana e Montana, no RS), na Floresta Estacional Semidecidual (formação Submontana, no RS), na Floresta Ombrófila Mista (formação Montana, no PR, RS e SC, com até 159 indivíduos por hectare) e na Floresta Ombrófila Densa (formação das Terras Baixas, no Vale do Itajaí, SC, onde é rara). No bioma Pampa, integra os campos do Rio Grande do Sul. Ocorre ainda em ambientes ripários (mata ciliar, no PR e SC), na Floresta Psamófila (RS) e na vegetação de Restinga (RS e SC, com até cinco indivíduos por hectare).

Floração e frutificação

A floração acontece de setembro a outubro em Santa Catarina, de setembro a dezembro no Paraná e de outubro a novembro no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem de novembro a fevereiro no Rio Grande do Sul, de novembro a março em Santa Catarina e de dezembro a março no Paraná. A frutificação costuma ser abundante e os frutos tendem a permanecer mais tempo na planta.

Fauna associada

Espécie hermafrodita, é polinizada por diferentes abelhas e por pequenos insetos. A dispersão dos frutos e sementes ocorre tanto pelo vento (anemocoria) quanto por animais (zoocoria).

Plantio e silvicultura
Sementes

Como as árvores são baixas e costumam ficar na borda da floresta, a colheita é feita subindo nos ramos mais grossos e cortando os galhos com auxílio de podão. As sementes são esfregadas em peneira e passadas em câmara de ar para retirar impurezas; a extração do mesocarpo e do endocarpo, que ficam aderidos à semente, é dispensável, pois seria trabalhosa e onerosa. Cada quilo reúne de 22.000 a 32.060 sementes. Recomenda-se, como tratamento pré-germinativo, embeber as sementes por 24 horas em água fria e, em seguida, submetê-las a água em fervura por 3 minutos. Quanto à conservação, as sementes têm comportamento fisiológico ortodoxo, o que favorece o armazenamento.

Produção de mudas

Também é possível semear os frutos diretamente no local definitivo, como se fossem sementes, em canteiros semissombreados com substrato orgânico e argiloso; as sementes devem receber uma cobertura leve de substrato e rega diária. Ao atingirem de 4 cm a 5 cm de altura, as plântulas devem ser repicadas. A germinação é epígea e as plântulas, fanerocotiledonares; a capacidade germinativa é irregular, oscilando entre 11% e 75%, com média de 37,3%.

Características silviculturais

A planta é heliófila ou de luz difusa. Apresenta forma tortuosa, sem dominância apical bem definida, com ramificação pesada e bifurcações, além de derrama natural fraca, o que exige podas frequentes de condução e de galhos. Por suas exigências de luz, deve ser plantada a pleno sol, e tem brotação vigorosa a partir da cepa ou touça. É cultivada em quintais agroflorestais do assentamento rural Rio da Areia (PR) para produção de madeira.

Crescimento e produção

Há poucos registros sobre o desenvolvimento da espécie em plantios, mas o crescimento observado é lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.200 mm a 2.300 mm, ambos os extremos registrados no Rio Grande do Sul, com chuvas distribuídas de modo uniforme e deficiência hídrica nula no Planalto Sul-Brasileiro. A temperatura média anual fica entre 13,2 °C (São Joaquim, SC) e 20 °C (Palmares do Sul, RS); a média do mês mais frio entre 9,4 °C e 15 °C, e a do mês mais quente entre 17,2 °C (São Joaquim, SC) e 24,7 °C (Porto Alegre, RS). A mínima absoluta registrada foi de -10,4 °C, em Caçador (SC). As geadas são frequentes no Planalto Sul-Brasileiro, variando em média de 2 a 15 por ano, com máximo absoluto de 40. Pela classificação de Köppen, ocorre em clima Cfa (subtropical, de verão quente) no RS e em SC, e Cfb (temperado, de verão ameno) no sul e centro-sul do PR, no RS e em SC.

Solos

A espécie é indiferente quanto às propriedades físicas do solo. Os solos onde ocorre têm pH médio em torno de 4,87.