Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF
Breu-branco
Protium kleinii
- até 25 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: almíscar, almécega, almésca, guapoi, pau-de-breu, pau-de-incenso, almescar, almécega-branca, arméssica, arméssica-branca, pau-terebintina
Botânica
Pela classificação adotada pelo APG III, a espécie pertence à ordem Sapindales e à família Burseraceae, dentro do gênero Protium. O nome científico completo é Protium kleinii Cuatrecasas, descrito pela primeira vez em 1961 (Sellowia 13: 261). O nome do gênero tem origem javanesa, enquanto o epíteto kleinii presta homenagem ao Dr. Roberto Miguel Klein, que foi conservador do Herbário Barbosa Rodrigues, em Itajaí (SC). A espécie recebe diferentes nomes populares conforme o estado: no Paraná é chamada de almécega, almésca, almíscar, breu-branco, guapoi, pau-de-breu e pau-de-incenso; no Rio Grande do Sul, almécega, almésca, almíscar, elemi e icicariba; em Santa Catarina, almécega, almésca, almescar, almíscar, elemi e icicariba; e em São Paulo, almécega-branca, arméssica, arméssica-branca e pau-terebintina.
Árvore perenifólia (sempre-verde) que, quando adulta, pode chegar a cerca de 25 m de altura e 60 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco costuma ser tortuoso, com fuste de até 15 m. A ramificação é dicotômica e a copa, larga, exibe galhos grossos, retorcidos e quase horizontais; os ramos são glabros e cobertos por muitas lenticelas. A casca alcança até 20 mm de espessura: a parte externa (ritidoma) é marrom-escura e se desprende em pequenas placas, enquanto a interna é rósea e, ao ser queimada, libera um cheiro agradável. As folhas são glabras, com lâmina de 12 cm a 26 cm de comprimento e pecíolos de 3,5 cm a 8 cm, de base bem espessada. Os folíolos, de 3 a 7 por folha, são cartáceos, opacos a levemente brilhantes, de formato oval a elíptico, medem de 6 cm a 12,5 cm de comprimento por 2,3 cm a 4,7 cm de largura, com base aguda, ápice acuminado e nervuras broquidódromas; os peciólulos têm cerca de 1,2 cm, sendo maiores no folíolo terminal. As inflorescências aparecem em vários cachos frouxos e pubescentes, de 1,5 cm a 4,5 cm, surgindo nas axilas das folhas do ápice dos ramos. As flores, pouco vistosas, são creme-esverdeadas a verde-claras, com cerca de 6 mm de comprimento, pedicelos de aproximadamente 2 mm, cálice e corola campanulados e pétalas carnosas e triangulares. O fruto é roxo-escuro quando maduro, em geral globoso e simétrico, com cerca de 1,7 cm de comprimento por 1,5 cm de diâmetro; tem mesocarpo carnoso e comestível e abriga de 1 a 2 caroços ósseos com uma semente, esta envolvida por polpa também comestível.
Uso e ecologia
Os frutos são comestíveis. A árvore tem interesse apícola, com produção de mel registrada em Santa Catarina, e bom potencial paisagístico e ornamental. A madeira, moderadamente densa, apresenta alburno branco-sujo levemente rosado e cerne bege-claro-rosado uniforme, textura média, grã direita, superfície lisa ao tato e ausência de cheiro e gosto marcantes; é muito durável em ambientes secos graças ao seu óleo resinoso. É empregada em construção civil (obras internas), marcenaria e caixotaria, além de fornecer lenha de boa qualidade. A espécie exsuda uma goma branca em forma de óleo-resina, considerada medicinal e usada como substituto do incenso. Não é indicada para celulose e papel. Para fins ambientais, figura entre as 100 principais nativas do Sul do Brasil em programas de reflorestamento, sendo recomendada para o plantio em encostas de solos rasos e rochosos.
Trata-se de uma espécie secundária tardia. Costuma habitar as porções superior e média das encostas, tornando-se bastante comum em terrenos de aclive acentuado e drenagem rápida, além de aparecer com frequência nas planícies arenosas litorâneas. Está associada à Mata Atlântica, sobretudo à Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Atlântica), onde é exclusiva: nas formações das Terras Baixas é muito frequente no Paraná e em Santa Catarina, ocorrendo ainda na formação Submontana no Paraná e na Montana em Santa Catarina. Também é encontrada em ambientes fluviais ou ripários (mata ciliar) no Paraná.
A floração vai de julho a outubro em São Paulo e de agosto a outubro em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem de novembro a janeiro no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, e de dezembro a janeiro em São Paulo.
Espécie monoica, polinizada principalmente por abelhas e por diversos pequenos insetos. A dispersão dos frutos e sementes é feita essencialmente por animais e aves (zoocoria).
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a se abrir, momento facilmente identificado pela exposição da semente envolta por um arilo branco. Depois da colheita, são deixados ao sol para completar a abertura e liberar as sementes. Por causa do arilo suculento, é preciso uma secagem prolongada antes de armazená-las com segurança. Cada quilo reúne cerca de 5.500 sementes. Não é necessário tratamento pré-germinativo. A conservação é difícil: a viabilidade em armazenamento é curta, não passando de 90 dias.
A semeadura é feita em sementeiras e, em seguida, as plântulas são repicadas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes grandes de polipropileno, entre 4 e 8 semanas após a germinação. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares, e a emergência começa de 25 a 60 dias após a semeadura. O poder germinativo fica entre 30% e 65%, e as mudas alcançam cerca de 20 cm de altura aos 8 meses.
É uma espécie heliófila e sensível ao frio, não suportando baixas temperaturas. Apresenta hábito irregular, sem dominância apical e com tronco curto, e não faz derrama natural, exigindo podas periódicas de condução e de galhos. É recomendada para plantios mistos. Consta da lista de espécies da flora paulista ameaçadas de extinção, na categoria em perigo.
Não há dados disponíveis sobre o crescimento da espécie em plantios. Em floresta natural, o fator de forma calculado foi de 77,8.
A precipitação média anual varia de 1.400 mm, no Rio Grande do Sul, a 2.700 mm, em São Paulo, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano e sem deficiência hídrica. A temperatura média anual oscila entre 18,7 °C (Orleans, SC) e 21,4 °C (Ubatuba, SP); a média do mês mais frio vai de 14,2 °C (Orleans, SC) a 17,2 °C (Ubatuba, SP) e a do mês mais quente de 22,4 °C (São Paulo, SP) a 26,7 °C (Ubatuba, SP). A mínima absoluta registrada foi de -5,8 °C, em Orleans (SC). As geadas são raras a pouco frequentes em Santa Catarina e ausentes no restante da área de ocorrência. Pela classificação de Köppen, predominam os climas Af (tropical úmido) no Paraná e em São Paulo, Cfa (subtropical com verão quente) no Paraná e em Santa Catarina, e Cwb (subtropical de altitude, com inverno seco e verão ameno) em São Paulo.
Cresce naturalmente em solos enxutos, mas também se desenvolve em terrenos mais profundos, úmidos, de textura arenosa e drenagem rápida, assim como em solos de planícies e várzeas. Segundo Klein, a espécie é indiferente às condições físicas dos solos florestais.