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Foto de Breu-branco

Foto: João Medeiros (CC BY 2.0) via Wikimedia

Breu-branco

Protium heptaphyllum

Burseraceae Mata AtlânticaCerradoPantanalAmazôniaCaatinga
  • até 20 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: amescla, amescla-de-cheiro, amescla-cheirosa, breu-vermelho, almécega, almesca, breu, incenso, almecegueira, amesca, breu-branco-da-praia, mangueira-do-mato

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Burseraceae e ao gênero Protium, a espécie foi descrita como Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand, em publicação de 1873. No sistema de Cronquist, está classificada na ordem Sapindales, dentro da tribo Protieae. Já recebeu diversos sinônimos botânicos ao longo do tempo, entre eles Icica heptaphylla Aubl., Icica guianensis Aubl., Amyris ambrosiaca Mart., Protium aromaticum Engl. e Protium tacamahaca March. O nome do gênero, Protium, tem origem javanesa, enquanto o epíteto heptaphyllum faz referência às folhas compostas formadas por sete folíolos. Já o nome popular almécega deriva do árabe al-mastaka, cujo sentido remete a mastique ou resina.

Descrição botânica

Planta fortemente aromática em razão do óleo-resina presente em todas as suas partes, pode se apresentar como arbusto, arvoreta ou árvore, com folhagem perene ou semidecídua. Os exemplares de maior porte chegam a cerca de 20 m de altura e 60 cm de diâmetro na altura do peito quando adultos. O tronco costuma ser curto e, com frequência, múltiplo, e o fuste também é curto. A ramificação é cimosa, formando copa densa e arredondada, com ramos baixos, abundantes e glabros. A casca pode chegar a 15 mm de espessura; externamente é quase lisa, acinzentada e cheia de lenticelas, tornando-se finamente fissurada nos indivíduos adultos, com descamações arredondadas e grossas que se soltam com facilidade. A casca interna é fibrosa, rosada junto à parte externa e mais clara perto do alburno, aromática, com cheiro semelhante ao da terebintina, e libera pequenas quantidades de uma seiva transparente, resinosa e semiviscosa. As folhas são compostas pinadas, de 15 a 25 cm de comprimento, geralmente com 2 a 4 pares de folíolos glabros, sem estípulas, de formato obovado a elíptico e consistência subcoriácea, medindo de 5 a 10 cm de comprimento por 2 a 5 cm de largura, verde-escuras na face superior e verde-pálidas na inferior, com ápice acuminado e base obtusa; quando trituradas, exalam aroma de terebintina. As inflorescências são panículas fasciculadas axilares, de 1 a 4 cm. As flores são numerosas, pequenas (2 a 3 mm), unissexuais ou bissexuais, de cor verde-amarelada a avermelhada, com quatro pétalas. O fruto é do tipo nuculânio, de coloração vinácea, medindo cerca de 1,2 cm de comprimento por 1 cm de diâmetro e contendo de 1 a 4 sementes. As sementes são trigonas, castanhas, de 1,5 a 2 cm de comprimento.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícolaenergético
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa, com massa específica aparente entre 0,55 e 0,81 g/cm³ e massa específica básica de 0,65 g/cm³. O cerne é bege-claro-rosado e uniforme, e o alburno, pouco diferenciado, branco-sujo e levemente rosado. A superfície é lisa ao tato, pouco lustrosa, de textura média a fina e grã direita, sem cheiro ou gosto perceptíveis. Em ambientes secos, mostra grande durabilidade. A secagem é moderada e tende ao encanoamento, à torcedura e ao endurecimento superficial, sendo recomendável controlar a secagem artificial. É de fácil trabalho em serraria e aplainamento, com bom acabamento, mas a eventual presença de sílica contribui para o desgaste das ferramentas. A madeira serrada e roliça presta-se à construção civil, obras internas, assoalhos, esteios, torno, caixotaria, carpintaria, marcenaria e ainda à construção de barcaças e canoas. No Paraguai, a espécie é usada como lenha. Para celulose e papel, não é indicada. Análise fitoquímica realizada no Brasil identificou resina amorfa (60%), resina cristalizada ou goma (24%), extrato amargo (2%) e impurezas (1,5%). Como forrageira, é bem pastada, sobretudo no Pantanal Mato-Grossense, com teor de proteína bruta de 11,4%. Na medicina caseira, cascas e folhas são amplamente utilizadas em todo o país — embora sem comprovação científica de eficácia e segurança —, sendo registradas pela literatura etnofarmacológica como hemostáticas, cicatrizantes e anti-inflamatórias, no tratamento de úlceras gangrenosas e inflamações em geral; algumas tribos amazônicas empregam a resina como descongestionante nasal em resfriados fortes e a goma-resina no tratamento externo de infecções da pele. Todas as espécies do gênero Protium exsudam, por incisão no tronco, um óleo-resina de cor branco-esverdeada a amarelo-clara e aroma agradável, que se solidifica em contato com o ar e se inflama facilmente; é a chamada resina de almécega, que no passado substituía o incenso oriental nos cultos religiosos, motivo pelo qual ficou conhecida como incenso brasileiro. Esse óleo contém de 12,5% a 24% de óleo essencial, rico em compostos mono e sesquiterpênicos.

Aspectos ecológicos

É classificada como espécie secundária inicial ou clímax exigente em luz. Na vegetação secundária, aparece com frequência em capoeiras, mostrando grande capacidade de ocupar áreas de origem antrópica e bastante agressividade na colonização de terrenos descobertos. Ocorre na Mata Atlântica em Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual (com frequência de 1 a 275 indivíduos por hectare), Floresta Ombrófila Densa (2 a 25 indivíduos por hectare) e em vegetação de Restinga. No Cerrado, está presente no cerrado lato sensu (até sete indivíduos por hectare), no cerradão e no campo cerrado. Também ocorre no Pantanal Mato-Grossense, em ambientes ripários (5 a 99 indivíduos por hectare), em babaçuais, na caatinga amazônica, em campinaranas (onde é rara), em florestas de brejo (até 64 indivíduos por hectare) e em outras formações.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: ocorre de abril a outubro em São Paulo, de agosto a setembro em Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, e de setembro a novembro em Pernambuco. Os frutos amadurecem de setembro a outubro em São Paulo, de outubro a dezembro em Mato Grosso do Sul, de novembro a dezembro em Minas Gerais e de fevereiro a abril em Pernambuco.

Fauna associada

A polinização é feita essencialmente por abelhas — em especial a abelha-africanizada (Apis mellifera) — e por pequenos insetos. A dispersão é predominantemente zoocórica: diversas espécies de aves consomem os arilos brancos que recobrem as sementes, e formigas do gênero Atta também atuam como dispersoras. Como planta melífera, produz pólen e néctar e figura entre as principais espécies apícolas do Pantanal da Nhecolândia, em Mato Grosso, predominando no mel colhido de maio a julho.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a se abrir espontaneamente, o que se percebe pela exposição da semente envolta no arilo branco. Em seguida, são expostos ao sol para completar a abertura e liberar as sementes. Como o arilo é suculento, é preciso secagem prolongada antes do armazenamento. Cada quilo reúne de 2.160 a 11.000 sementes. Não é necessário tratamento pré-germinativo. A viabilidade em armazenamento é curta, não passando de 90 dias.

Produção de mudas

A semeadura é feita em sementeiras, repicando-se as plântulas, de 4 a 8 semanas após a germinação, para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes grandes de polipropileno. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar, com emergência iniciada entre 17 e 66 dias após a semeadura e poder germinativo de 40% a 85%. Aos 4 meses, as mudas atingem cerca de 20 cm de altura.

Características silviculturais

Espécie heliófila, não tolera baixas temperaturas. O hábito é irregular, sem dominância apical e com tronco curto, não havendo desrama natural, de modo que exige podas periódicas de condução e dos galhos. É recomendada para plantios a pleno sol, tanto puros quanto mistos. Em sistemas agroflorestais, é mantida no sistema de cabruca — mata atlântica raleada sob plantação de cacau — no sul da Bahia.

Crescimento e produção

Há poucos dados disponíveis sobre o crescimento da espécie em plantios.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência varia de 1.000 mm, na Bahia, no Ceará e em Minas Gerais, a 2.500 mm, em Pernambuco, com chuvas que podem ser uniformes ou periódicas conforme a região. A deficiência hídrica vai de nula a forte dependendo do local. A temperatura média anual situa-se entre 17,9 ºC (Franca, SP) e 26,7 ºC (Manaus, AM), com mínima absoluta de -5,3 ºC registrada em Guaíra, PR. Geadas esporádicas ocorrem no sul de Mato Grosso do Sul, no sul de Minas Gerais, no extremo noroeste do Paraná e em São Paulo. Na classificação de Köppen, abrange os tipos Af, Am, As, Aw, Cfa, Cwa e Cwb.

Solos

No Nordeste, ocorre naturalmente em tabuleiros de solo arenoso. É encontrada também em solos secos ou úmidos, em terrenos com afloramento rochoso e em solos bem drenados e pouco profundos.