Foto: Arianza1 (CC BY 3.0) via Wikimedia
Branquilho
Sebastiania commersoniana
- 2 a 10 m (até 20 m)Altura
- Médio portePorte
Também conhecida como: branquinho, branquilha, branquinha, braquilho, sacapuchava, branquio, capixaba, salgueiro-brabo, maria-mole, sapicuxava
Botânica
A espécie foi descrita como Sebastiania commersoniana (Baillon) L. B. Smith & R. J. Downs, publicada na Flora Ilustrada Catarinense (Euforbiáceas, 1988). Sebastiania klotzschiana (Müller Argoviensis) Müller Argoviensis é tratada como sinônimo. O nome do gênero homenageia Antônio Francesco Sebastiani, professor em Roma que assinou, junto a E. Mauri, o Florae Romanae Prodromus; o epíteto commersoniana faz referência a Philibert Commerson, botânico francês que coletou plantas nas proximidades do Rio de Janeiro em 1767. Pela classificação de Cronquist, pertence à divisão Magnoliophyta, classe Magnoliopsida, ordem Geraniales e família Euphorbiaceae.
Trata-se de planta caducifólia que se apresenta como arbusto ou árvore, em geral com 2 a 10 m de altura e 20 a 30 cm de DAP, podendo, quando adulta, chegar a 20 m de altura e 50 cm de DAP. O tronco costuma ser irregular e levemente tortuoso, nodoso, com aletas e, na fase jovem, armado de espinhos; o fuste alcança até 10 m. A ramificação é racemosa, quase horizontal e por vezes pendente, formando copa alongada ou arredondada de folhagem densa. A casca, de até 3 mm de espessura, tem face externa cinza-escura e quase lisa, com pequenas escamas retangulares que se soltam em ripas, enquanto a parte interna é marrom e libera látex branco-amarelado. As folhas são simples, dispostas de forma alterno-espiralada, de formato elíptico-lanceolado, com até 6 cm de comprimento por 4 cm de largura, ápice munido de pequeno múcron e com as típicas glândulas pateliformes. As flores são diminutas, sem pétalas, de cor verde-amarelada e pouco vistosas, agrupadas em inflorescências espiciformes terminais de 3 a 7 cm sobre um eixo delgado; uma ou duas flores femininas ficam na base e as masculinas, em trios e em estágios variados de desenvolvimento, ocupam o restante, protegidas por bráctea escamiforme e biglandulosa. O fruto é uma cápsula esférica tricoca, seco-lenhosa, verde quando imatura e castanha ou marrom ao amadurecer, de 5 a 8 mm de diâmetro, com deiscência loculicida; geralmente abriga três sementes, uma por loja, liberadas de modo explosivo, com permanência do carpóforo. As sementes são lisas, de elipsoidais a ovaladas, carunculadas, de cor marrom-clara a escura, medindo 4 a 6 mm de comprimento por 3 mm de largura.
Uso e ecologia
A madeira, moderadamente densa (massa específica aparente de 0,63 a 0,77 g/cm³ a 15% de umidade), tem alburno amarelado a esbranquiçado pouco diferenciado do cerne e é pouco durável quando exposta às intempéries. Serrada ou em forma roliça, presta-se à caixotaria, a caibros, forros, palitos de mesa e de fósforos e cabos de ferramentas e de implementos agrícolas. É recomendada para produção de lenha e carvão de elevado poder calorífico e também serve à fabricação de papel. As flores são melíferas, com potencial apícola. Na medicina popular, o cozimento da casca é empregado contra a blenorragia (gonorreia) e a leucorreia (corrimento), e as raízes também possuem usos terapêuticos. Por ter sementes apreciadas por aves e peixes, é indicada na recuperação ambiental, no plantio em solos encharcados e na recomposição de mata ciliar.
Classificada como secundária inicial, é também uma das pioneiras mais marcantes, avançando sobre os campos. É frequente nas bordas dos sub-bosques de pinhais e, sobretudo, dos capões em solos úmidos, bem como nas matas baixas à beira de rios e riachos, onde por vezes forma povoamentos quase puros. Caracteriza a Floresta Ombrófila Mista Aluvial (Floresta com Araucária), na qual pode tornar-se dominante e compor de 60% a 80% do estrato arbóreo contínuo, ocorrendo ainda na formação Montana, na Floresta Estacional Decidual (formações Aluvial e Baixo-Montana), na Floresta Estacional Semidecidual Aluvial, na Estepe Arborizada do Planalto Sul-Rio-Grandense, na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica) e na restinga, sendo muito comum nas matas ciliares. Em levantamento fitossociológico na Floresta Estacional Semidecidual Aluvial da Bacia do Rio Tibagi (PR), registraram-se 237 indivíduos por hectare.
A floração vai de agosto a fevereiro no Paraná, de setembro a janeiro no Rio Grande do Sul e ocorre em dezembro em São Paulo. Frutos maduros surgem em outubro em São Paulo, de dezembro a janeiro no Paraná e de janeiro a fevereiro no Rio Grande do Sul. Em plantios, a reprodução tem início a partir dos 5 anos de idade.
É planta hermafrodita, polinizada sobretudo por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão é autocórica e principalmente barocórica, com deiscência explosiva, mas conta ainda com a hidrocoria, favorecida pela ocorrência junto a cursos de água, e com a zoocoria. No Sul do Brasil destacam-se a ictiocoria, por peixes como o lambari (Astyanax spp.), e a ornitocoria, em especial pela rolinha (Columbina minuta).
Plantio e silvicultura
A colheita deve ocorrer quando os frutos passam ao tom castanho ou marrom e exibem sementes escuras (marrom-escuras e pretas), rajadas (escuras com estrias cinza-claras) e claras (cinza-claras a esbranquiçadas), antes do início da deiscência. Um quilo reúne de 44.212 a 71 mil sementes. Não há necessidade de quebra de dormência, pois as sementes não a apresentam. Quanto ao armazenamento, há indícios de comportamento não recalcitrante, e a viabilidade ultrapassa um ano; recomenda-se a conservação por 360 dias em câmara fria (4ºC ± 1ºC e 84% ± 2% de UR) com embalagem semipermeável, ou em câmara seca (14ºC ± 1ºC e 38% ± 2% de UR) com embalagem permeável. O teste de germinação pode ser feito sobre papel de filtro a 30ºC ou sobre areia, em regime de temperatura alternada.
Indica-se a semeadura em sementeiras, com posterior repicagem das plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio, transferência feita 2 a 3 semanas após a germinação. A germinação é epígea e começa entre 7 e 60 dias após a semeadura, com poder germinativo de 50% a 86% (média de 72%). As mudas atingem porte adequado para o plantio cerca de 6 meses após a semeadura.
Espécie heliófila que admite sombreamento leve na fase juvenil e tolera temperaturas baixas. O tronco é bastante ramificado já a pouca altura e a desrama natural é escassa, exigindo podas de condução e laterais. Pode ser conduzida em plantio misto com pioneiras ou em vegetação matricial arbórea, em faixas abertas em linhas dentro de matas ciliares degradadas. Possui grande capacidade de rebrota após o corte.
O desenvolvimento é lento; o maior incremento médio registrado foi de 2,90 m³/ha/ano, aos 5 anos.
A precipitação média anual varia de 1.100 mm, no Rio Grande do Sul, a 2.300 mm, em Santa Catarina, com chuvas bem distribuídas no Sul (exceto no norte do Paraná) e concentradas no verão nas demais áreas. A deficiência hídrica é nula no Sul (exceto no norte paranaense), pequena no verão no sul gaúcho e no inverno no Planalto Norte do Paraná, e de pequena a moderada no inverno no centro-leste de São Paulo e sul de Minas Gerais, com estiagem de até 3 meses. A temperatura média anual fica entre 14,3ºC (Urubici, SC) e 21,9ºC (Uberaba, MG); a média do mês mais frio vai de 8,7ºC a 18,6ºC e a do mês mais quente de 18,6ºC a 24,9ºC. A mínima absoluta chega a -10,4ºC (Caçador, SC), podendo atingir -15ºC na relva. O número de geadas por ano varia de 0 a 30, com máximo de 57 no Sul. Os tipos climáticos de Köppen são temperado úmido (Cfb), subtropical úmido (Cfa), subtropical de altitude (Cwa e Cwb) e tropical (Aw), no Triângulo Mineiro.
Desenvolve-se em solos temporariamente alagados e com lençol freático superficial, mas também em solos rasos com afloramento de rocha e em baixadas de fertilidade química elevada e drenagem regular, inclusive em terrenos inclinados e erodidos. A textura pode ser arenosa a argilosa. Em experimentos, o melhor desempenho silvicultural foi obtido em solos férteis e bem drenados.