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Bracunhá

Symplocos glanduloso-marginata

Symplocaceae Mata Atlântica
  • até 15 mAltura
  • Médio portePorte
Recuperação de áreas

Também conhecida como: catarina, canela-falsa

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG III), a espécie pertence à divisão Angiospermae, ao clado das asterídeas e à ordem Ericales, ficando na família Symplocaceae, no gênero Symplocos e no subgênero Microsymplocos. O binômio é Symplocos glanduloso-marginata Hoehne, descrito originalmente em 1938. O nome do gênero, Symplocos, remete à ideia de "enlaçar" ou "atar", em alusão aos filetes reunidos em feixes; já o epíteto glanduloso-marginata destaca uma fileira de minúsculas glândulas escuras dispostas bem próximas umas das outras ao longo da borda da folha, perceptíveis na face de baixo.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore perenifólia, que mantém a folhagem ao longo do ano. Os exemplares de maior porte chegam a cerca de 15 m de altura e 40 cm de diâmetro à altura do peito quando adultos. O tronco é reto e cilíndrico, com fuste que pode alcançar 7 m. A ramificação é dicotômica ou cimosa, e os ramos novos apresentam-se cobertos por densa pubescência sedosa. A casca tem até 10 mm de espessura, sendo a parte externa lisa e de tom esbranquiçado. As folhas são coriáceas e discolores: a face superior é brilhante e glabra, enquanto a inferior é densamente coberta por pelos esbranquiçados; a margem traz as pequenas glândulas negras características. A lâmina varia de 2 a 5 cm de comprimento por 0,7 a 1,5 cm de largura. As inflorescências surgem em fascículos sésseis ou glomérulos axilares, reunindo de 4 a 8 flores pequenas, cuja corola mede entre 3,0 e 3,5 mm. Os frutos são drupas de formato cilíndrico a obovado, com 0,4 a 1 cm de comprimento por 0,2 a 0,6 cm de largura; o pericarpo vai do verde-claro ao roxo-escuro, coloração que também aparece na polpa, de sabor adocicado. As sementes medem de 0,1 a 0,5 cm.

Uso e ecologia
recuperação de áreasapícola
Produtos e utilizações

A madeira não tem valor comercial, e a lenha apresenta baixo poder calorífico. Por outro lado, a espécie é considerada apropriada para a produção de celulose e papel. A madeira é leve, com densidade aparente de 0,45 g/cm³; o cerne e o alburno são brancos e pouco distintos entre si, com textura fina e grã direita. O bracunhá também tem valor em projetos ambientais, mostrando-se excelente para a restauração de matas ciliares e ambientes ripários.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária tardia no processo de sucessão, a espécie é considerada rara nas florestas do sul do país. Ocorre no bioma Mata Atlântica, tanto na Floresta Ombrófila Densa (formações submontana, na Ilha de Santa Catarina, e montana, no Planalto de Ibiúna, em SP) quanto na Floresta Ombrófila Mista, associada à araucária, na formação montana do Paraná.

Floração e frutificação

A floração acontece entre junho e julho no Paraná e em novembro em São Paulo. Os frutos amadurecem de fevereiro a março, conforme observado no Paraná.

Fauna associada

É uma espécie hermafrodita, polinizada sobretudo por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e sementes ocorre principalmente por zoocoria, ou seja, pela ação de animais.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos no momento em que passam a atrair aves e iniciam a mudança de cor, do verde-claro para o roxo-escuro. Em seguida, são mantidos imersos em água por 12 a 24 horas para amolecer a polpa e, depois, macerados em peneiras sob água corrente até que as sementes se soltem da parte carnosa. As sementes extraídas são deixadas em peneiras, em local ventilado, para secar. Cada quilo reúne cerca de 19.500 sementes. Não é preciso aplicar tratamento pré-germinativo. As sementes são recalcitrantes e perdem a viabilidade com rapidez, o que dificulta o armazenamento.

Produção de mudas

Sugere-se semear em sacos de polietileno de 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio. Quando se usa sementeira, a repicagem deve ocorrer de 3 a 5 semanas após a germinação. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares, e a emergência começa entre 25 e 55 dias após o plantio. O poder germinativo é baixo, chegando a no máximo 50%. As mudas alcançam tamanho próprio para o plantio por volta de 6 meses depois da semeadura.

Características silviculturais

O bracunhá é uma espécie esciófila e tolerante ao frio. Apresenta hábito de crescimento monopodial, com galhos finos, e mostra boa desrama natural onde se regenera em alta densidade. Pode ser cultivado a pleno sol em plantios mistos, junto a espécies pioneiras, ou no tutoramento de espécies secundárias-clímax, especialmente em terrenos úmidos. A espécie rebrota com vigor a partir da touça ou cepa.

Crescimento e produção

Há poucas informações sobre o desempenho da espécie em plantios, mas o que se sabe indica crescimento lento.

Clima

A precipitação média anual fica entre 1.300 mm e 2.000 mm em São Paulo, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano e sem deficiência hídrica. A temperatura média anual varia de 16,5 °C (Curitiba, PR) a 20,3 °C (Florianópolis, SC); no mês mais frio, de 12,2 °C a 16,3 °C, e no mais quente, de 19,9 °C a 24,9 °C (São Paulo, SP). A mínima absoluta registrada foi de -6,4 °C, em Colombo, PR. As geadas são frequentes, podendo variar de 1 a 33 por ano, com média de 10,3. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos climáticos Cfa, Cfb e Cwb.

Solos

Cresce naturalmente em solos de baixa fertilidade, normalmente com poucos cátions trocáveis, elevados teores de alumínio e pH baixo. Tolera tanto solos úmidos quanto bem drenados.