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Bracatinga-de-campo-mourão

Mimosa flocculosa

Mimosaceae Mata Atlântica
  • 1,5 a 5 mAltura
  • Pequeno portePorte
OrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: bracatinga-da-branca, bracatinga-do-campo, bracatinga-rósea, jurema, vassoura

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo Sistema de Classificação de Cronquist, Mimosa flocculosa pertence à divisão Magnoliophyta (Angiospermae), classe Magnoliopsida (Dicotiledonae), ordem Fabales e família Mimosaceae (Leguminosae Mimosoideae). A espécie foi descrita por Burkart, em 1964. Entre seus sinônimos botânicos estão Mimosa flocculosa sensu Bernardi, Mimosa incana sensu Chodat & Hassler e Mimosa incana var. robusta Macbride. O nome do gênero Mimosa tem origem no grego mimein, que remete a "fazer movimento", e em meisthal, que significa imitar — alusão à reação de muitas espécies do gênero, que recolhem folhas e folíolos quando se tocam entre si ou são roçadas por algo. O epíteto flocculosa refere-se ao seu indumento, cuja aparência lembra lã.

Descrição botânica

Arvoreta perenifólia que, na fase adulta, mede entre 1,5 e 5 m de altura, embora plantios experimentais já tenham registrado exemplares de até 10 m. O DAP costuma ficar entre 5 e 15 cm, dificilmente superando essa faixa. O tronco é curto e de contorno irregular. A ramificação é racemosa, do tipo dicotômico a tricotômico, formando uma copa ampla, densa e de forma irregular, que se ergue ano a ano e pode variar de 0,5 a 5 m de diâmetro. A casca atinge até 5 mm de espessura; externamente é lisa, de tom marrom-claro a marrom-escuro, marcada por cicatrizes da queda dos galhos, enquanto a parte interna tem coloração levemente amarelo-esverdeada. As folhas são compostas, bipinadas e paripinadas, dispostas aos pares, com numerosos pares de folíolos opostos, pilosos e de cor verde-prateada. As flores, róseas e abundantes, agrupam-se em inflorescências terminais que chegam a 30 cm. O fruto é um craspédio segmentado, com 2 a 3 artículos, deiscente no septo superior, de cor alaranjado-ferrugínea, pubescente e com indumento setoso; mede até 2 cm e abriga até cinco sementes. Cada semente é pequena, de até 4 mm, com formato irregular que lembra uma concha bivalve, de cor marrom-escura com tonalidade ocre e superfície lustrosa.

Uso e ecologia
apícolapaisagismorecuperação de áreasenergético
Produtos e utilizações

Por suas dimensões reduzidas, tem aproveitamento limitado como madeira serrada ou roliça. A densidade básica da madeira é de 0,47 g/cm³, com alburno e cerne de tom castanho-claro; ainda não há estudos sobre suas propriedades físico-mecânicas. Como combustível, pode ser usada em pequena escala como lenha doméstica, com poder calorífico de 5.200 kcal/kg. Não serve para celulose e papel. Sua forragem contém de 13% a 14% de proteína bruta e de 8% a 10% de tanino, e as folhas são consumidas por cavalos e lebres — análises laboratoriais apontam teor moderado de proteína, porém com baixa digestibilidade in vitro da matéria orgânica. O grande destaque é o potencial apícola: as flores atraem intensamente abelhas e outros insetos, fornecendo pólen e néctar em fartura. Estima-se uma produção média de 59,9 kg de mel por hectare a cada florada, mesmo em solo degradado — desempenho considerado satisfatório frente às melhores espécies melíferas europeias. Por isso, é bastante difundida nas regiões produtoras de mel do Paraná, onde ajuda a reforçar o pasto apícola no outono; observações preliminares indicam que o mel não é amargo.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie pioneira e de vida bastante curta, entre 1 e 5 anos. Comporta-se como invasora de áreas abertas, multiplicando-se por sementes. Prefere locais úmidos, sujeitos a encharcamento periódico, onde forma agrupamentos densos. Ocorre na zona de tensão ecológica entre a Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária) e a Floresta Estacional Semidecidual.

Floração e frutificação

No Paraná, a floração vai de fevereiro a maio, embora Barneby registre florescimento de setembro a maio, possivelmente intermitente ao longo do ano. Os frutos imaturos aparecem de abril a junho e os maduros de julho a outubro, ainda no Paraná. A espécie já frutifica cerca de um ano após o plantio.

Fauna associada

É planta hermafrodita, polinizada sobretudo por abelhas, borboletas e diversos insetos de pequeno porte. A dispersão de frutos e sementes é autocórica, predominantemente barocórica (por gravidade), e também zoocórica.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a abrir. Após a coleta, ficam em local arejado para que as vagens se abram, e o beneficiamento é feito em peneiras para separar as sementes. Em Colombo, PR, árvores plantadas no espaçamento 3 x 3 m renderam 171 g de sementes por exemplar. Cada quilo reúne cerca de 128 mil sementes. Como o tegumento é impermeável à água, as sementes têm dormência; recomenda-se imergi-las em água a 60ºC–70ºC e deixá-las em repouso na mesma água por 18 horas para embeber. Em laboratório, pode-se escarificar com ácido sulfúrico por 1 minuto. O comportamento de armazenamento é ortodoxo: um lote com 89% de poder germinativo guardado por 13 anos em saco plástico, em sala de clima temperado úmido (Colombo, PR), manteve 77,5% de germinação; já outro lote, inicialmente com 93%, acondicionado em saco de polietileno dentro de vidro fechado em ambiente de sala, caiu para 21,5% de germinação após 8 anos.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e depois repicar para sacos de polietileno de no mínimo 14 cm de altura por 6 cm de diâmetro, ou para tubetes pequenos de polipropileno. A repicagem deve ocorrer de 1 a 2 semanas após a germinação. A semeadura direta no campo, com cinco sementes por cova, também é viável. A germinação é epígea e começa entre 3 e 30 dias após a semeadura, com poder germinativo elevado, em média 80%. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 3 meses depois da semeadura, e o sistema radicial é superficial. Mudas com mais de 20 cm de altura podem ser podadas no viveiro, recuperando-se muito bem. As raízes formam nódulos e fixam nitrogênio em associação com Rhizobium; em viveiros, observou-se nodulação espontânea e satisfatória usando terra proveniente de bracatingais (Mimosa scabrella).

Características silviculturais

É uma espécie heliófila e tolerante ao frio, mas sofre danos leves quando a temperatura cai abaixo de -5ºC. Seu hábito é muito variável: em geral apresenta-se bem esgalhada desde a base, com copa aberta, muito ramificada e bifurcada, embora existam indivíduos de crescimento monopodial. Não há desrama natural, mesmo no espaçamento 1 x 1 m. O plantio recomendado é a pleno sol. Para revegetação, indica-se o espaçamento inicial de 1 x 1 m, que fecha o terreno em 6 meses, ou 2 x 2 m, que o fecha em cerca de 1 ano. Plantas jovens não rebrotam após o corte. Pelo potencial de recobrir rapidamente o solo, fixar nitrogênio, depositar boa quantidade de biomassa e favorecer uma regeneração natural rica e diversificada, é indicada para a recuperação de solos erodidos, rasos, áreas degradadas pela mineração e terrenos terraplanados. Em um plantio de 11 anos em Cambissolo gleico, no espaçamento 1 x 1 m, em Colombo, PR, surgiram plântulas de 40 espécies arbóreas secundárias, entre elas Podocarpus lambertii (pinheiro-bravo), Matayba elaeagnoides (miguel-pintado) e Symplocos uniflora (maria-mole-do-banhado). Também serve para plantio em terrenos de drenagem lenta e margens de rios desmatadas, suportando inundações periódicas e curtos períodos de encharcamento. No paisagismo, é apreciada pelas folhas claras, pela precocidade e pela beleza das flores róseas, mas, por ter vida curta e copa que rareia com a idade, presta-se a fim ornamental apenas até a primeira floração. Entre as principais pragas potenciais estão a lagarta desfolhadora Automeria sp. (Lepidoptera: Saturniidae), Astylus sp. (Coleoptera: Dasytidae), o serrador Oncideres spp. (Coleoptera: Cerambycidae) e cochonilhas, que secretam substâncias açucaradas procuradas por formigas — serradores e cochonilhas são os que causam os danos mais graves.

Crescimento e produção

No primeiro ano após o plantio o crescimento é rápido, chegando a 2 a 4 m de altura. Em solos bem drenados, como o Latossolo Vermelho distroférrico e eutroférrico, a espécie tem vida curta e mortalidade elevada já a partir do primeiro ano, com casos de apenas 5% de sobrevivência nesse período. Já em solos de drenagem lenta e sujeitos a encharcamento, como Gleissolos Melânico e Háplico e o Cambissolo gleico, a sobrevivência supera 80% entre 24 e 48 meses após o plantio.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.300 mm, no Mato Grosso do Sul, a 2.100 mm, no Paraná. As chuvas distribuem-se de forma uniforme no centro-oeste paranaense e concentram-se no verão no noroeste do Paraná e no sul do Mato Grosso do Sul. A deficiência hídrica é nula no centro-oeste do Paraná e pequena (no inverno) nas demais áreas, com estação seca de até 3 meses. A temperatura média anual fica entre 19,2ºC (Cascavel, PR) e 23ºC (Amambaí, MS) na área natural, e entre 16ºC e 21ºC nas regiões de introdução. A média do mês mais frio vai de 14,6ºC (Cascavel, PR) a 18,5ºC (Amambaí, MS), e a do mês mais quente de 22,9ºC (Campo Mourão, PR) a 26ºC (Amambaí, MS); a mínima absoluta registrada foi de -7,1ºC (Campo Mourão, PR). Na área de ocorrência natural, o número de geadas por ano é de 0 a 3 em média, com máximo absoluto de 8; já em locais de introdução na Região Sul, a média é de 0 a 10 geadas e o máximo absoluto chega a 35. Os tipos climáticos de Köppen são o temperado úmido (Cfb) e o subtropical úmido (Cfa).

Solos

Na natureza, cresce em terrenos hidromórficos com Gleissolo Melânico Alumínico, Gleissolo Háplico Tb Distrófico e Cambissolo Húmico Alumínico Gleico, mas também em solos mais bem drenados, sobretudo o Cambissolo Húmico Alumínico. Desenvolve-se bem em solos rasos e em áreas terraplanadas, das quais os horizontes superiores foram removidos. Em ensaio em Ponta Grossa, PR, com três tipos de solo (Aluvial, Litólico e Latossolo), apresentou crescimento em altura e sobrevivência superiores, em ordem decrescente, exatamente nessa sequência de solos.