Foto: Thomaz Ricardo Favreto Sinani (CC BY) via GBIF
Bordão-de-velho
Samanea tubulosa
- até 28 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: samaneiro, sete-cascas, barba-de-velho, abobreira, alfarobo, farinha-seca, feijão-cru, ingá-de-pobre, pau-de-cangaia, amendoim-de-veado, árvore-da-chuva, pau-de-cangalha
Botânica
Pertence à família Mimosaceae (Leguminosae, subfamília Mimosoideae), dentro da ordem Fabales. Seu nome científico é Samanea tubulosa (Bentham) Barneby & Grimes, publicado em 1996 nas Memoirs of The New York Botanical Garden (v. 74, parte I, p. 121). A espécie já recebeu outras denominações ao longo do tempo, entre elas Calliandra tubulosa Bentham, Pithecelobium saman var. acutifolium Bentham, Pithecelobium venosum Rusby e Samanea saman sensu Bernardi. O nome do gênero tem origem em saman, designação popular da planta na Venezuela.
Árvore que perde as folhas no inverno, podendo alcançar cerca de 28 m de altura e até 100 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo) quando adulta. O tronco é praticamente reto e cilíndrico, com fuste que chega a 12 m de comprimento. A ramificação é dicotômica ou simpodial e a copa, sustentada por ramos horizontais largos e robustos, tem formato arredondado e é mais larga do que alta; os ramos jovens são pubescentes, com tomento aveludado. A casca atinge até 20 mm de espessura: a parte externa é castanho-clara, áspera, bastante suberosa, com fissuras longitudinais que formam placas estreitas de aspecto acanalado, e resiste ao fogo; a interna tem tonalidade amarelada ou rosada. As folhas são alternas e compostas bipinadas, com o eixo (pecíolo somado à raque) tomentoso e de 8 a 28 cm de comprimento, reunindo de 2 a 5 pares de pinas que medem de 8 a 20 cm. Cada pina traz de 2 a 10 pares de folíolos elípticos, de 2 a 4 cm de comprimento por 1 a 2,5 cm de largura, com margem inteira e lados assimétricos; o pecíolo tem por volta de 20 cm. Os folíolos se fecham à noite e em dias nublados. As inflorescências surgem em capítulos terminais, agrupados em conjuntos de 6 a 15 unidades, cada uma com 12 a 20 flores, sobre pedúnculos de 4 a 10 cm. As flores são pequenas e numerosas, muito ornamentais por causa dos estames vistosos, metade brancos e metade purpúreos. O fruto é um legume séssil, indeiscente e achatado, de 7 a 18,5 cm de comprimento por 1,2 a 1,8 cm de largura, carnoso, perfumado e de polpa doce e adocicada, abrigando de 5 a 31 sementes castanhas e oblongas, que medem de 5 a 13 mm.
Uso e ecologia
A madeira varia de leve a moderadamente densa, com massa específica aparente entre 0,44 e 0,78 g/cm³. O alburno é fino e amarelado, enquanto o cerne tem cor castanho-roxa; a textura é média e a grã, direita. A resistência mecânica é de média a moderada e a durabilidade, igualmente moderada. É empregada na fabricação de móveis e mourões e também fornece lenha de boa qualidade, sendo ainda adequada para celulose e papel. A casca contém 5% de tanino condensável, com rendimento de 15,7% em tanino. Os frutos doces são bastante apreciados pelo gado e a folhagem serve de forragem rica em proteína bruta; em diversos países, prepara-se com os frutos uma farinha de excelente valor alimentar para vacas, cabras e galinhas. Para consumo humano, as vagens são comestíveis e a polpa doce, com sabor que lembra alcaçuz e cerca de 25% de açúcar, deve ser conservada seca e cristalizada. Os frutos fermentam e produzem álcool, com rendimento aproximado de 11,5 L por 100 kg de frutos, do qual se obtém também uma aguardente chamada "aguardente-de-saman", semelhante ao kirsch.
Trata-se de uma espécie pioneira, que coloniza preferencialmente capoeiras e áreas abertas. Distribui-se por várias formações vegetais: na Mata Atlântica, ocupa a Floresta Estacional Decidual submontana em Goiás (com cerca de um indivíduo por hectare), a Floresta Ombrófila Densa submontana em Alagoas e a restinga na Paraíba, onde é rara; na Amazônia, aparece na Floresta Ombrófila Densa de terra firme no Pará; na Caatinga, ocorre na savana-estépica do semiárido; e no Pantanal, no chaco sul-mato-grossense e no Pantanal mato-grossense. Surge ainda em ambientes ripários no Rio de Janeiro e em florestas serranas do Ceará, nas partes baixas da Serra de Maranguape e na Serra da Ibiapaba.
A floração ocorre de agosto a novembro em Mato Grosso do Sul e de dezembro a março em Pernambuco. Os frutos amadurecem logo após a estação chuvosa.
É uma espécie monóica, polinizada principalmente por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e sementes combina o tipo barocórico (queda por gravidade) e o zoocórico, com destaque para o gado, que atua como importante agente dispersor. As flores, melíferas, oferecem boa produção de néctar, atraindo abelhas.
Plantio e silvicultura
Os frutos (vagens) devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a cair naturalmente, ou recolhidos do chão logo após a queda, e em seguida abertos à mão para retirar as sementes. Cada quilo reúne de 1.200 a 5.000 sementes. Como a dormência tegumentar é acentuada, recomenda-se escarificá-las em ácido sulfúrico concentrado por 1 a 10 minutos antes da semeadura. As sementes têm comportamento ortodoxo e podem ser guardadas por vários anos em câmara seca (0 a 3 ºC), em recipientes fechados, mantendo boa viabilidade.
Indica-se semear uma semente por saco de polietileno ou tubete de polipropileno, ou então em sementeira para posterior repicagem, feita de 4 a 6 semanas após a germinação quando necessária. A germinação é epígea e fanerocotiledonar: com a dormência superada, a emergência começa entre 14 e 42 dias após a semeadura (até 99%), ao passo que sem esse tratamento ocorre entre 40 e 90 dias (até 2%). A espécie desenvolve abundantes raízes superficiais. Em solos arenosos, observou-se nodulação radicular com Rhizobium, tanto no campo quanto em viveiro, com nódulos em forma de coral, de cor creme e em grande quantidade.
Espécie heliófila, fortemente exigente em luz, que não suporta baixas temperaturas na fase jovem. Tem crescimento simpodial, forma variável e irregular e dominância apical que aumenta com a idade; como a desrama natural é deficiente, exige podas de condução e de galhos. Pode ser plantada a pleno sol, em plantio puro ou misto, e brota vigorosamente da touça. Por proporcionar boa sombra, é útil em sistemas agroflorestais, especialmente em pastagens.
Há poucos registros sobre o desempenho da espécie em plantios.
A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 730 mm, na Bahia, a 2.500 mm, em Pernambuco, com regime de chuvas periódicas. A deficiência hídrica é de pequena a moderada no Pará e na faixa litorânea de Alagoas, Pernambuco e Paraíba; de moderada a forte no Ceará, no nordeste de Goiás, no norte do Maranhão e no Pantanal mato-grossense; de moderada a forte no inverno no centro de Mato Grosso; e forte no norte de Minas Gerais. A temperatura média anual fica entre 20,2 ºC (Vitória da Conquista, BA) e 26,7 ºC (Itaituba, PA); a média do mês mais frio varia de 16,4 ºC (Ponta Porã, MS) a 25,8 ºC (Itaituba, PA) e a do mês mais quente, de 21,8 ºC (Vitória da Conquista, BA) a 27,8 ºC (Itaituba, PA). A mínima absoluta registrada foi de -8 ºC, em Ponta Porã (MS). Geadas são ausentes a muito raras em Mato Grosso do Sul. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Am na faixa costeira da Paraíba e de Pernambuco e nas serras do Ceará, As em Alagoas e Sergipe, Aw na Bahia, no Ceará, no norte do Maranhão, no centro de Mato Grosso, no sudoeste de Mato Grosso do Sul e no norte de Minas Gerais, e Cwa no nordeste de Goiás.
Cresce naturalmente em solos arenosos e bem drenados, em várzeas aluviais e nas margens de rios, onde há boa disponibilidade de água e fertilidade química adequada.