Foto: Carlos Eduardo Santos Feitosa (CC BY) via GBIF
Bom-nome
Maytenus rigida
- até 8 mAltura
- Pequeno portePorte
Também conhecida como: bom-nome, bonomeiro, colher, espinheira-santa, pau-de-colher, casca-grossa, bonome, bom-nome-verdadeiro, cabelo-de-negro
Botânica
Pertencente à família Celastraceae, o bom-nome tem como binômio aceito Maytenus rigida Mart., descrito pela primeira vez em 1841 (Flora 24(2): 90). Pelo sistema do Angiosperm Phylogeny Group (APG) III, situa-se na ordem Celastrales, dentro do clado das Eurosídeas I. O nome do gênero deriva de "maitén", palavra de origem indígena chilena (mapuche) usada para uma celastrácea arbórea do Chile, a Maytenus boaria. Já o epíteto rigida faz referência à textura muito rígida e coriácea de suas folhas. A espécie recebe diferentes nomes regionais: bom-nome em Alagoas, Sergipe e em vários estados; bonomeiro, colher, espinheira-santa e pau-de-colher na Bahia; casca-grossa no Ceará; espinheira-santa em Goiás; pau-de-colher em Minas Gerais; bonome na Paraíba; bom-nome-verdadeiro em Pernambuco; e cabelo-de-negro no Rio Grande do Norte.
Trata-se de uma planta de hábito que varia de arbustivo a arbóreo, perenifólia (sempre-verde). Assim como o juazeiro (Ziziphus joazeiro), conserva a folhagem verde ao longo da estação seca, desfolhando-se apenas nos períodos de seca mais severa. Os exemplares maiores chegam a cerca de 8 m de altura e até 40 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo) quando adultos. O tronco é irregular, ramificado desde a base, com fuste curto ou ausente. A ramificação é cimosa e os ramos jovens são glabros, cinzentos, cilíndrico-carenados e cobertos por lenticelas. A casca alcança até 5 mm de espessura; o ritidoma (casca externa) é liso, fosco, de cor cinza-escura com manchas irregulares de tom cinza-claro a branco. As folhas dispõem-se de forma alterna e helicoidal, curto-pecioladas ou quase sésseis, com limbo coriáceo a subcarnoso, verde-escuro e glabro; a forma varia de elíptica a oval ou suborbicular, medindo de 2,6 a 7,5 cm de comprimento por 1,7 a 4 cm de largura, com base obtusa a subcordiforme, ápice agudo arredondado a retuso, bordo espinescente-serreado e nervura central saliente nas duas faces. As inflorescências são axilares, sésseis a curtamente pedunculadas, reunidas em fascículos de 3 a 7 flores. As flores são diminutas, pouco perfumadas, com pétalas ovais verdes de margem mais clara e pedicelos de 0,4 a 0,8 cm. O fruto é uma cápsula loculicida, bivalvar, orbicular e monospérmica, de cerca de 8 mm de comprimento por 5 mm de largura, com pericarpo alaranjado quando maduro. A semente é pequena, de cor castanho-avermelhada, revestida por um arilo esbranquiçado.
Uso e ecologia
Por ter dimensões reduzidas e baixa resistência à decomposição, a madeira tem aproveitamento limitado, mas serve para pequenos trabalhos de carpintaria, como a confecção de colheres, cabos de ferramentas e outros utensílios domésticos. Também é usada como lenha, embora a espessura modesta do tronco restrinja esse uso. Não é apropriada para a produção de celulose e papel. A madeira é densa (0,92 a 0,99 g/cm³ a 15% de umidade), dura e resistente, porém com baixa durabilidade natural; o alburno é pardo-amarelado e o cerne, castanho-avermelhado. Na medicina popular, o chá feito com a entrecasca é bastante valorizado como diurético e empregado contra problemas renais. Vale lembrar que tais informações têm caráter apenas de registro e não devem orientar tratamentos, substituir cuidados médicos nem ser usadas para prescrever, curar ou prevenir doenças.
Espécie típica da submata, é comum nos tabuleiros e frequente em capoeiras, podendo formar aglomerados. Está presente sobretudo na Caatinga (Savana-Estépica) do semiárido, com densidade de até sete indivíduos por hectare, ocorrendo também em campos de dunas arenosas na Bahia. No Cerrado, aparece em cerradão e em cerrado stricto sensu. Na Mata Atlântica, é encontrada na Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, no Rio Grande do Norte, com até cinco indivíduos por hectare. Também ocorre em matas ciliares de Minas Gerais, Paraíba e Pernambuco, em brejos de altitude na Paraíba, em florestas estacionais deciduais no nordeste de Goiás, em florestas serranas de Pernambuco e em inselbergs do semiárido baiano.
A floração varia conforme a região: de março a maio na Bahia; de junho a dezembro em Pernambuco; em julho em Goiás e no Rio Grande do Norte; e em outubro em Sergipe. Os frutos amadurecem em março na Bahia e de março a maio em Pernambuco.
É uma espécie hermafrodita, polinizada principalmente por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e sementes ocorre sobretudo por zoocoria (animais), e os frutos são bastante procurados por várias aves. Na região de Xingó, na divisa de Alagoas, Bahia e Sergipe, é intensamente pastejada por caprinos, sendo mencionada por 87,5% dos criadores.
Plantio e silvicultura
Para obter as sementes, colhem-se os frutos diretamente da árvore assim que começam a abrir, cortando os ramos com as infrutescências. Em seguida, os frutos devem secar à sombra para completar a abertura e permitir a extração manual das sementes. Cada quilo reúne de 5.000 a 20.000 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento fisiológico ortodoxo, mas perdem a viabilidade rapidamente quando guardadas fora de câmara fria.
A semeadura é indicada em sacos de polietileno ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio (120 cm³). Quando necessária, a repicagem deve ser feita assim que as plântulas tiverem de quatro a cinco folhas. A germinação é epígea e as plântulas, fanerocotiledonares. A emergência começa a partir de 40 dias, com taxa de germinação baixa, de até 40%.
Trata-se de uma espécie heliófila, que não suporta temperaturas baixas. Por ser ramificada desde a base, não apresenta dominância apical definida e tem derrama natural fraca, exigindo podas frequentes de condução e dos galhos. Recomenda-se o plantio consorciado ou em linha, em floresta secundária no estágio de capoeirão. A espécie consta na Lista das Espécies Ameaçadas de Extinção da Flora do Estado de Minas Gerais, na categoria vulnerável.
Há poucos dados sobre o comportamento da espécie em plantios, mas seu crescimento é considerado lento.
A precipitação média anual em sua área de ocorrência varia de 316 mm, no Sertão dos Inhamuns (sudoeste do Ceará), a 1.500 mm, no nordeste de Goiás, com chuvas periódicas. A deficiência hídrica é forte no norte do Piauí, no oeste da Bahia e no norte de Minas Gerais; de forte a muito forte ao longo de quase todo o ano no interior do Nordeste; e muito forte o ano inteiro na depressão do Rio São Francisco e no interior da Paraíba e do Rio Grande do Norte. A planta enfrenta esses períodos de seca por meio de controle estomático e ajustamento osmótico. As temperaturas médias anuais ficam entre 21,6 °C (Areia, PB) e 27,2 °C (Mossoró, RN); a média do mês mais frio varia de 19,7 °C a 25,7 °C e a do mês mais quente, de 23,0 °C a 28,7 °C. A mínima absoluta registrada foi de 7,7 °C, em Monteiro, PB. Não há ocorrência de geadas. Pela classificação de Köppen, predomina o clima Bsh (semiárido quente), além de As (tropical com verão seco), Aw (tropical com inverno seco) e Cwa (subtropical com inverno seco e verão quente), conforme a localidade.
A espécie prefere áreas bem secas da Caatinga, ocupando solos compactos ou cascalhentos.