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Foto de Bicuíba

Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF

Bicuíba

Virola bicuhyba

Myristicaceae Mata Atlântica
  • 5 a 20 m, podendo chegar a 35 mAltura
  • Muito grandePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: árvore-de-sebo, biucuíba, avinhoz, baraúga, bicuba, bicuíba-açu, bicuíba-branca, bicuíba-macho, bicuíba-mirim, bicuíba-redonda, bicuíba-verdadeira, bicuíba-vermelha, urucuba, bicuíba-de-folha-miúda, bicuíva, bicuva, bocuba, bocuíba, bocuva, virola, bocuva-vermelha, bocuvaçu, bucuíba, bucuva, bucuva-branca, bucuva-vermelha, bucuvuçu, candeia-de-caboclo, moscadeira-do-brasil, piquibuçu, ucuuba-branca, ucuuba-preta, ucuuba-vermelha, urucuíba, vicuíva

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação de Cronquist, a bicuíba pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas) e ordem Magnoliales, dentro da família Myristicaceae. A espécie foi descrita como Virola bicuhyba (Schott) Warburg. Ao longo do tempo recebeu vários sinônimos científicos, como Myristica bicuhyba, Myristica oleifera, Virola araujovii e Virola oleifera. O nome Virola corresponde a uma designação popular usada na Guiana, enquanto bicuhyba tem origem indígena. Em 1991, W.J.J.O. de Wilde propôs o gênero Bicuíba para abrigar a espécie, mas trata-se de um táxon ainda controverso, considerado por alguns autores como necessitando de mais estudos antes de ser aceito.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore semicaducifólia no inverno, que normalmente alcança de 5 a 20 m de altura e tronco com 40 a 70 cm de diâmetro (DAP), mas que pode chegar a 35 m de altura e 105 cm de DAP quando adulta. O tronco é reto, cilíndrico e provido de sapopemas na base, com fuste em geral de 10 a 20 m. A copa, sustentada por ramos cimosos ascendentes ou quase horizontais, é alongada ou larga e pouco enfolhada. A casca chega a 20 mm de espessura: por fora é marrom-escura a avermelhada e levemente fissurada na vertical, e por dentro é avermelhada. As folhas são simples, alternas e dispostas em dois lados (dísticas), lembrando folhas compostas; têm forma linear-oblonga a oblongo-lanceolada, consistência de coriácea a papirácea, e medem de 11 a 23 cm de comprimento por 2 a 5,5 cm de largura, com a face inferior pálida e coberta de pêlos estrelados. As flores nascem na axila das folhas: as masculinas reúnem-se em inflorescências estreitas de 2 a 8 cm, e as femininas, mais curtas, trazem de 2 a 5 flores por fascículo. O fruto é um folículo de até 3,5 cm, com a semente envolvida por um arilo roxo; cada infrutescência, de até 9 cm, carrega de 3 a 6 frutos maduros. A semente, ovóide-elipsóide, mede até 27 mm por 12 mm, é revestida por um endocarpo lenhoso e tem o arilo vermelho no terço superior.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícola
Produtos e utilizações

A madeira da bicuíba é moderadamente densa (0,48 a 0,77 g/cm³, com 12% a 15% de umidade), de superfície lisa e pouco brilhante, textura média e grã direita; quando verde exibe odor desagradável. O cerne é bege-claro a bege-rosado, bem diferenciado do alburno. É madeira pouco durável, facilmente atacada por fungos e insetos, embora resista bem dentro da água; seca sem maiores problemas, aceita tratamento preservativo por ser permeável e é fácil de trabalhar. Por ter estrutura fina e homogênea, presta-se bem ao laminado para compensados e é indicada para contraplacados, miolos de portas e acabamentos internos como molduras, guarnições, rodapés, forros e sarrafos, além de partes não decorativas de móveis. Não serve para uso externo nem para itens que exijam resistência ao choque, como cabos de ferramentas e construção naval. No comércio chega a ser vendida como mogno (Swietenia macrophylla), apesar de ser de qualidade inferior. Fornece lenha de boa qualidade e é adequada à produção de celulose e papel (índice Runkel de 0,44; fibras de 0,901 mm). A semente é muito oleaginosa, com até 70% de óleo, usado como sucedâneo da manteiga de cacau; caçadores aproveitavam as sementes como velas. A árvore também produz madeira resinosa.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária tardia, a bicuíba aparece sobretudo na vegetação secundária, em capoeirões e clareiras menores que 60 m². É co-dominante no estrato superior da floresta, onde se distribui de modo regular. Caracteriza-se como espécie exclusiva da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica), nas formações de terras baixas e submontana e na Floresta de Tabuleiro do norte do Espírito Santo, sendo mais escassa nas planícies litorâneas e nas chapadas serranas do Sul. Em uma área de Ilhota (SC) sem exploração por 25 anos, foram contadas em média 28 plantas por hectare.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: ocorre de setembro a outubro em Minas Gerais; de setembro a março em Santa Catarina; de outubro a março no Rio de Janeiro; de dezembro a janeiro em São Paulo; e de janeiro a abril no Paraná e no Rio Grande do Sul. A frutificação também é escalonada: os frutos amadurecem de agosto a setembro em Minas Gerais; de agosto a dezembro no Paraná; de outubro a dezembro no Rio Grande do Sul; de outubro a março em Santa Catarina; de outubro a fevereiro no Rio de Janeiro; e de fevereiro a março em São Paulo. Uma única árvore pode render de 200 a 300 kg de frutos.

Fauna associada

É uma planta dióica e de fecundação cruzada (alógama). A polinização é feita principalmente por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e sementes é zoocórica, realizada sobretudo por aves e pequenos mamíferos. Como suas sementes e folhas alimentam a fauna silvestre, a espécie é indicada para reflorestamentos voltados à recuperação ambiental.

Plantio e silvicultura
Sementes

A coleta dos frutos na árvore deve ser feita apenas quando começam a abrir, pois antes disso a semente ainda parece imatura. Em seguida, as sementes ficam de molho para a retirada do arilo e depois são postas para secar. Cada quilo reúne de 230 a 447 sementes. Não há necessidade de tratamento para quebra de dormência, já que a espécie não apresenta esse fenômeno. As sementes são recalcitrantes: perdem rapidamente a viabilidade quando armazenadas fora de condições controladas.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubetes grandes de polipropileno. Quando preciso, a repicagem é feita de 3 a 5 semanas após a germinação. Esta é epígea e começa entre 10 e 40 dias após a semeadura; muitas vezes a plântula tem dificuldade para erguer os cotilédones, ficando o epicótilo torto ou enrolado. O poder germinativo é variável, em torno de 60% em média. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de quatro meses após a semeadura. Convém oferecer sombreamento leve durante a fase de viveiro e investigar a presença de fungos micorrízicos arbusculares nas raízes.

Características silviculturais

A bicuíba é semi-heliófila: quando jovem tolera sombra leve, mas exige luz na fase adulta, sendo sensível a baixas temperaturas. Tem crescimento monopodial, emite galhos em ângulo reto e apresenta boa desrama natural. Em plantios puros a pleno sol, registra alta mortalidade; por isso recomenda-se o plantio misto com pioneiras ou secundárias, ou ainda em faixas abertas na floresta sob vegetação arbórea matricial, dispondo as mudas em linhas. Plantas com mais de 1 m emitem brotações laterais. É indicada para sistemas agroflorestais, na arborização de culturas perenes e pastagens, com rotação provável de 35 a 40 anos no Sul do país.

Crescimento e produção

Existem poucos dados sobre o desempenho da bicuíba em plantios experimentais. Testes realizados no Paraná, em Adrianópolis, Foz do Iguaçu e Paranaguá, resultaram em mortalidade total das plantas.

Clima

A precipitação anual nas áreas de ocorrência vai de 1.100 mm, no Rio de Janeiro, a 3.700 mm, na Serra de Paranapiacaba (SP). As chuvas são bem distribuídas no litoral de Santa Catarina, no Paraná, em São Paulo e em parte do litoral fluminense, e concentram-se no verão na Região Sudeste. A deficiência hídrica é nula em boa parte dessa faixa litorânea e serrana, tornando-se de pequena a moderada no inverno em algumas áreas do interior de São Paulo, sul de Minas Gerais e nordeste do Espírito Santo. A temperatura média anual fica entre 17,7 ºC (Teresópolis, RJ) e 23,7 ºC (Rio de Janeiro, RJ), com mínima absoluta de -3,4 ºC em Indaial (SC). As geadas são pouco frequentes, de 0 a 1 por ano em média e até 5 no máximo na Região Sul. Pela classificação de Köppen, abrange os tipos tropical (Af e Am), subtropical úmido (Cfa), subtropical de altitude (Cwb) e temperado úmido (Cfb).

Solos

A espécie não é muito exigente quanto às características físicas do solo, mas vegeta melhor em solos aluviais e em terrenos pouco inclinados, bem drenados e de textura que pode ir de franca a argilosa.