Foto: Dick Culbert from Gibsons, B.C., Canada (CC BY 2.0) via Wikimedia
Baga-de-macaco
Posoqueria latifolia
- até 15 mAltura
- Médio portePorte
Também conhecida como: arariba, bacupari-de-macaco, fruta-de-macaco, açucena-do-mato, açucena-da-mata, flor-de-mico, araçá-da-praia, açucareira-do-mato, fruto-de-macaco, laranja-de-macaco, araçá-do-brejo, bacopari-miúda, bacupari-miúdo, jenipapinho, mão-de-macaco, papa-terra, pau-de-macaco, pau-macaco
Botânica
Seguindo a classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG III), a espécie pertence à ordem Gentianales (anteriormente classificada como Rubiales no sistema de Cronquist), dentro do clado das Euasterídeas I. Está enquadrada na família Rubiaceae e no gênero Posoqueria. O binômio aceito é Posoqueria latifolia (Rudge) Schult., publicado originalmente em 1819 (Roem. & Schult., Syst. Veg. 5). Posoqueria macropus Martius é reconhecido como sinônimo botânico. O nome do gênero deriva de "posoqueri", denominação usada pelos índios Galibis, da Guiana Francesa; já o epíteto latifolia vem do latim e faz referência às folhas largas da planta.
Trata-se de uma planta de hábito variável, que vai de arbustiva e escandente até arbórea, com folhagem perene (sempre-verde). Os indivíduos de maior porte chegam a cerca de 15 m de altura e 30 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo) na fase adulta, embora também sejam encontrados exemplares com apenas 2 m. O tronco é cilíndrico e ramificado, com fuste geralmente curto, de até 5 m. A ramificação é racemosa, a copa é piramidal e rala, e os ramos, glabros e ascendentes. A casca atinge até 5 mm de espessura, sendo a externa (ritidoma) fina, levemente áspera e desprendendo-se em faixas estreitas. As folhas são simples, inteiras, opostas e cruzadas, totalmente glabras nas duas faces, de consistência cartácea e brilhantes na face superior; têm forma elíptica ou oblonga, com ápice agudo ou brevemente acuminado e base obtusa a arredondada, medindo de 6 a 15 cm de comprimento por 3 a 9 cm de largura, com pecíolo de 4 a 25 mm e 4 a 6 pares de nervuras secundárias. As inflorescências surgem em umbelas de pedúnculo curto, com 15 a 25 cm de comprimento, reunindo de 6 a 30 flores. As flores são bissexuais e fortemente zigomorfas, com cálice de cerca de 3,2 mm e corola branca, contorta e alongada, de 8 a 18 cm de comprimento. O fruto é drupoide, perfeitamente esférico e glabro, amarelo quando maduro, com 3 a 8 cm de diâmetro e diversas sementes. As sementes são brancas a amareladas, subglobosas, angulosas, poliédricas e translúcidas — lembrando fragmentos de rochas claras —, medem de 5 a 7 mm e vêm envolvidas por um arilo comestível.
Uso e ecologia
A madeira é moderadamente densa (densidade aparente de 0,70 g/cm³), com alburno e cerne indistintos e de tom castanho-claro, textura homogênea e grã direita. É flexível, mecanicamente resistente e moderadamente durável, mesmo exposta ao tempo. Presta-se bem a usos internos em carpintaria, pequenas obras de marcenaria, trabalhos de torno, peças decorativas, cabos de ferramentas e bengalas, além de servir para lenha e carvão. Não é adequada para celulose e papel. Os frutos são comestíveis e de sabor adocicado, muito procurados por aves e macacos. A espécie tem potencial melífero, fornecendo pólen e néctar, e a beleza da copa a torna indicada para uso ornamental e paisagismo. É também bastante recomendada em plantios heterogêneos voltados à recuperação de áreas degradadas.
Quanto à sucessão, comporta-se como espécie secundária inicial, secundária tardia a clímax. É considerada planta rara ou ocasional, com ocorrência descontínua ao longo de toda a sua área de distribuição. Suas sementes foram encontradas no banco de sementes do solo em fragmentos florestais de Caucaia do Alto (SP). A espécie habita principalmente a Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica), nas formações de Terras Baixas (até dois indivíduos por hectare no Espírito Santo), Submontana e Montana (esta com até 12 indivíduos por hectare). Ocorre ainda na Floresta Estacional Semidecidual, no Cerrado stricto sensu na Bahia, em matas ciliares (Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais), brejos de altitude nordestinos, campo rupestre na Chapada Diamantina, caxetais no litoral do Paraná, florestas de brejo e higrófilas, matas de cordão arenoso e restingas.
A floração varia conforme a região: ocorre de setembro a janeiro em São Paulo, de outubro a novembro no Rio de Janeiro, de outubro a janeiro no Distrito Federal, de novembro a dezembro em Santa Catarina, em dezembro no Paraná e em janeiro no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem de janeiro a abril no Distrito Federal, de janeiro a julho no Paraná, em abril no Rio Grande do Sul, de fevereiro a março em Santa Catarina, de março a junho em São Paulo e em agosto no Rio de Janeiro.
Espécie hermafrodita, cujas flores atraem intensa visitação de beija-flores, responsáveis pela polinização. A dispersão dos frutos e sementes é feita por pequenos macacos, como o bugio ou guariba (Alouatta guariba), além de grupos de quatis.
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando ficam amarelos ou quando se notam frutos parcialmente comidos; em seguida, abrem-se manualmente para retirar as sementes. Cada quilo reúne de 1.680 a 1.700 sementes. Não é necessário tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento recalcitrante, perdendo a viabilidade com rapidez, o que dificulta o armazenamento.
Recomenda-se semear em sementeiras e, posteriormente, repicar as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes pequenos de polipropileno, fazendo a repicagem de 3 a 5 semanas após a germinação. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares; a emergência começa entre 50 e 60 dias após a semeadura e a taxa de germinação costuma ser baixa. As mudas ficam aptas ao plantio em 6 a 7 meses.
É uma espécie esciófila e medianamente tolerante a temperaturas baixas. Seu hábito é variável e em geral irregular, com perda de dominância apical e bifurcação desde a base ou formação de galhos grossos, embora a forma monopódica não seja rara. Para aumentar a altura comercial, são indicadas podas corretivas e desramas periódicas. A planta rebrota com facilidade da touça ou da cepa após corte ou queima. É recomendada para plantios mistos ou em capoeira, abrindo-se faixas na vegetação existente e plantando em linhas.
Existem poucos dados sobre o desempenho da espécie em plantios, mas seu crescimento é considerado lento.
A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 830 mm, na Bahia, a 3.000 mm, em São Paulo, com chuvas periódicas. A deficiência hídrica é nula no Paraná e em Santa Catarina e moderada no litoral do Espírito Santo. A temperatura média anual oscila entre 17,5 °C (Pindamonhangaba, SP) e 26,7 °C (Manaus, AM), com mínima absoluta registrada de -3 °C em Jaguariaíva (PR). As geadas vão de pouco frequentes, no Paraná e em Santa Catarina, a ausentes no restante da distribuição. Pela classificação de Köppen, abrange os tipos Af, Am, As, Aw, Cfa, Cwa e Cwb.
Desenvolve-se em planícies aluviais, sobre solos úmidos, de textura argilosa e com boa fertilidade natural.