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Bacuri

Platonia insignis

Clusiaceae AmazôniaCerrado
  • 15 a 25 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMadeireirasMedicinaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: bacuri-açu, bacuri-grande, bacurizeiro, pakuri, ibá-curi

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Espécie da família Clusiaceae (antiga Guttiferae), o bacurizeiro é a única espécie do gênero Platonia. Está estreitamente relacionado a outros gêneros produtores de látex amarelo, como Symphonia e Garcinia, característicos das matas tropicais úmidas.

Descrição botânica

Árvore de tronco reto e cilíndrico, com casca espessa que exsuda látex amarelo quando ferida, podendo atingir 1 m de diâmetro. A copa é geralmente piramidal a alongada. As folhas são simples, opostas, coriáceas, glabras, de formato elíptico a oblongo, com nervuras paralelas finas e numerosas. As flores são grandes, vistosas, solitárias e terminais, com pétalas rosadas a avermelhadas e numerosos estames, sendo hermafroditas. O fruto é uma baga grande, globosa a ovoide, de casca espessa e resinosa de cor amarela quando madura, contendo polpa branca, fibrosa, mucilaginosa, agridoce e muito aromática, envolvendo de uma a cinco sementes grandes.

Uso e ecologia
frutíferamadeireiromedicinalornamentalapícola
Produtos e utilizações

A polpa é o principal produto, muito apreciada in natura e na forma de sucos, sorvetes, geleias, doces, licores e recheios, sendo um dos frutos mais valorizados da Amazônia. Das sementes extrai-se a gordura de bacuri, usada na cosmética e na medicina popular. A madeira é pesada, dura e resistente, empregada em construção civil, naval, marcenaria e dormentes. A casca e o látex têm uso na medicina tradicional contra afecções de pele e inflamações.

Aspectos ecológicos

Espécie de comportamento secundário a clímax, característica de matas primárias mas com grande capacidade de rebrota por raízes gemíferas, formando densos bacurizais em áreas alteradas e capoeiras. Essa rebrota vegetativa intensa é uma estratégia marcante de regeneração da espécie em áreas degradadas do nordeste paraense e maranhense.

Floração e frutificação

A floração ocorre geralmente na estação seca, entre os meses de junho e setembro, e a frutificação concentra-se no período chuvoso, entre dezembro e maio, variando conforme a região.

Fauna associada

As flores grandes e ricas em néctar são polinizadas principalmente por aves, como periquitos e sanhaços, além de visitadas por abelhas. Os frutos e sementes são consumidos e dispersos por mamíferos de médio e grande porte, como cutias, pacas e macacos, importantes na regeneração natural da espécie.

Plantio e silvicultura
Sementes

As sementes são grandes, recalcitrantes e perdem rapidamente a viabilidade quando desidratadas, devendo ser semeadas logo após a despolpa. Apresentam dormência acentuada e germinação lenta e desuniforme, que pode levar vários meses; tratamentos de escarificação e retirada parcial do tegumento ajudam a acelerar e uniformizar a germinação.

Produção de mudas

A produção de mudas por semente é demorada devido à germinação lenta. A propagação vegetativa por enxertia sobre porta-enxertos de bacurizeiro é a técnica mais indicada para formar pomares, pois reduz o período juvenil e antecipa a frutificação. Mudas obtidas de rebrotos de raízes também são utilizadas.

Características silviculturais

Recomenda-se para plantios em sistemas agroflorestais e enriquecimento de capoeiras, aproveitando a aptidão da espécie à rebrota. O manejo de bacurizais nativos, com seleção e condução de rebrotos, é uma alternativa produtiva consolidada no nordeste paraense e maranhense.

Crescimento e produção

O crescimento é lento, sobretudo na fase inicial. Plantas oriundas de semente podem levar mais de uma década para iniciar a produção, enquanto mudas enxertadas reduzem significativamente esse período.

Clima

Adapta-se a clima tropical quente e úmido, com temperaturas médias elevadas, mas tolera estações secas bem definidas, especialmente nas áreas de transição com o Cerrado.

Solos

Desenvolve-se bem em solos profundos, ácidos e de baixa fertilidade natural, inclusive em latossolos e solos arenosos, sendo rústica e pouco exigente quanto à fertilidade.