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Foto de Babosa-branca

Foto: Daniel Duarte (CC BY) via GBIF

Babosa-branca

Cordia superba Cham.

Boraginaceae Mata AtlânticaCaatinga
  • até 11 mAltura
  • Médio portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: babosa-branca, baba-de-boi-preta, crista-de-galo, grão-de-galo, grão-de-porco, jangada, louro, olho-de-moça, pau-jangada, ramela-de-cachorro, árvore-de-ranho, baba-de-boi, carapiá, jangada-do-campo

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

A classificação de Cordia superba segue o sistema do The Angiosperm Phylogeny Group (APG II), enquadrando-se na divisão Angiospermae, no clado das Euasterídeas I, na família Boraginaceae e no gênero Cordia. Vale notar que o posicionamento da família ainda gera debate: Souza e Lorenzi a colocam entre as Asterídeas de posição incerta, enquanto Cronquist a situa na ordem Lamiales. A espécie foi descrita por Chamisso e publicada pela primeira vez em Linnaea (vol. 4, p. 474) em 1829. São reconhecidos diversos sinônimos botânicos, entre eles Cordia superba var. cuneata Cham., Cordia blanchetii DC., Cordia atrofusca Taub. e Cordia ipomoeaeflora Hook. O nome do gênero presta homenagem ao médico e botânico alemão Euricius Cordus e a seu filho Valerius Cordus; já o epíteto superba deriva do latim superbus ("soberbo, nobre, magnífico"), em alusão às belas flores brancas da planta.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore perenifólia (sempre-verde) que, quando adulta, costuma chegar a cerca de 11 m de altura e 30 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco varia de reto a levemente tortuoso, com fuste em geral curto, de no máximo 5 m. A ramificação é dicotômica e a copa, globosa e de pequenas dimensões. A casca tem até 5 mm de espessura, sendo a parte externa (ritidoma) de cor marrom-escura e com leves fissuras. As folhas são simples, ásperas ao toque na face inferior, com 18 a 24 cm de comprimento, e apresentam grande variação de forma e tamanho — podem ser obovadas, oblongo-lanceoladas ou elípticas. As flores são brancas e grandes. O fruto é uma drupa simples e indeiscente, com uma ou duas sementes protegidas por endocarpo endurecido; tem formato globoso, ligeiramente achatado no ápice e na base, e mesocarpo gelatinoso semelhante a cola, de sabor adocicado, tonalidade rósea e espessura de 1,5 a 2,5 mm. A semente é globosa, comprimida lateralmente e de contorno longitudinalmente obovado, com ápice arredondado a quase truncado.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalalimentícioenergia
Produtos e utilizações

Entre as espécies brasileiras de Cordia, a babosa-branca talvez seja a de frutos mais apreciados, graças à polpa mucilaginosa e ao sabor doce-adstringente. A madeira é moderadamente densa, com cerne e alburno pouco diferenciados e de cor castanha; resistente e de durabilidade média em condições adversas, presta-se a carroçarias (cubos de rodas e mancais), marcenaria, carpintaria e obras internas. Também fornece lenha de boa qualidade, mas não serve à produção de celulose e papel. Na medicina, a espécie demonstra atividade imunomoduladora, inibindo a produção de linfócitos. No paisagismo, o porte e a copa densa tornam a árvore adequada à arborização urbana, inclusive em ruas estreitas e sob fiação elétrica.

Aspectos ecológicos

É uma espécie secundária inicial que integra o estrato intermediário da floresta, sendo bastante frequente na vegetação secundária, como capoeiras e capoeirões. Ocorre principalmente no bioma Mata Atlântica, em formações de Floresta Estacional Decidual e Semidecidual (formações submontana e montana, com até três indivíduos por hectare), Floresta Ombrófila Densa (formações de terras baixas, montana e alto-montana, podendo chegar a 30 indivíduos por hectare) e em matas ciliares de Minas Gerais e São Paulo. No bioma Caatinga, aparece na savana-estépica do sertão árido baiano, além de inselbergs do semiárido. Também é registrada em restingas de Alagoas e do Rio de Janeiro e em áreas de contato com Floresta Ombrófila Mista no Planalto de Poços de Caldas (MG/SP).

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: outubro a dezembro em Minas Gerais, outubro a fevereiro em São Paulo, outubro a março em Alagoas, novembro a dezembro na Bahia e janeiro a março no Rio de Janeiro. Os frutos amadurecem de março a abril no Espírito Santo, de maio a junho no Rio de Janeiro, de setembro a novembro em Minas Gerais e São Paulo, e de novembro a dezembro em Alagoas.

Fauna associada

A espécie é hermafrodita e tem na abelha Apis mellifera seu principal polinizador. A dispersão de frutos e sementes é predominantemente zoocórica, com destaque para aves e morcegos. Em plantios de finalidade ambiental, atua como sombreadora e fonte de alimento para a fauna silvestre, como o sagui-comum (Callithrix jacchus).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos maduros (amarelo-claros), diretamente da árvore. Em seguida, ficam imersos em água à temperatura ambiente por 24 horas e são macerados em peneiras sob água corrente para retirar a polpa e separar os pirênios dos resíduos; os pirênios são então secos à sombra, em local arejado. Cada quilo reúne de 1.860 a 3.300 sementes. Como tratamento pré-germinativo, recomenda-se imersão em água à temperatura ambiente por 48 horas. As sementes são recalcitrantes e devem ser guardadas sob refrigeração, mantendo a viabilidade por cerca de cinco meses.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita diretamente em sacos de polietileno, em tubetes de polipropileno de tamanho médio (100 a 120 cm³) ou em canteiros para posterior repicagem. Quando necessária, a repicagem ocorre de 3 a 7 semanas após a germinação, ao surgirem as folhas definitivas ou quando as plântulas alcançam de 5 a 10 cm. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 20 e 60 dias após a semeadura; costuma ser irregular e fica abaixo de 80%. As mudas atingem porte adequado para o campo cerca de três meses após a germinação. A propagação in vitro mostrou-se excelente: os embriões completaram o desenvolvimento em 10 dias, com 100% de germinação — bem acima dos 60 dias e da média de 68% obtidos em areia —, sendo o meio MS/50% o mais eficaz, especialmente com a adição de 1 g/L de ácido giberélico.

Características silviculturais

Espécie de comportamento heliófilo a esciófilo, é medianamente tolerante a baixas temperaturas quando jovem e resiste a geadas fracas. Tende a formar multitroncos e touceiras e não realiza derrama natural, exigindo poda de condução para definir um único tronco, seguida de podas sucessivas para remoção dos galhos mais grossos. O plantio puro a pleno sol deve ser evitado, pois provoca esgalhamento precoce; recomenda-se o plantio misto em associação com espécies pioneiras. A planta regenera-se por brotações vigorosas do toco.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre o desempenho da espécie em plantios, mas seu crescimento é considerado rápido.

Clima

A precipitação média anual varia de 750 mm, na região central da Bahia, a 2.100 mm, no litoral baiano. As chuvas vão de uniformemente distribuídas (região de Jaguariaíva, PR) a periódicas, na maior parte da área. A deficiência hídrica oscila de nula a moderada, dependendo da localidade. A temperatura média anual fica entre 17,6 ºC (Jaguariaíva, PR) e 26,2 ºC (Natal, RN), com mínima absoluta registrada de -3,4 ºC em Jaguariaíva (PR), em 25/06/1918. As geadas são pouco frequentes (em média dez noturnas por ano em Jaguariaíva) a ausentes no restante da área. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, As, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Em ambiente natural, a babosa-branca cresce em solos de fertilidade baixa a média, com textura arenosa a franco-arenosa, úmidos, porém de boa drenagem.