Foto: Carlos Otávio Gussoni (CC BY) via GBIF
Babaçu
Attalea speciosa
- até 20 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: coco-de-macaco, coco-naiá, baguaçu, auaçu, palha-branca, coco-pindoba
Botânica
Attalea speciosa Mart. ex Spreng. é uma palmeira da família Arecaceae, subfamília Arecoideae, tribo Cocoseae. A delimitação do gênero Attalea já foi objeto de muita discussão taxonômica, tendo a espécie sido tratada em gêneros como Orbignya (Orbignya phalerata, Orbignya speciosa) e Orbignya martiana, hoje considerados sinônimos. Está intimamente relacionada a outras palmeiras de coco do mesmo gênero, com as quais pode formar híbridos naturais.
Palmeira de estipe (caule) solitário, ereto, liso, cilíndrico, que pode atingir cerca de 20 m de altura e 25 a 40 cm de diâmetro. Possui copa ampla e densa formada por numerosas folhas pinadas, ascendentes e arqueadas, que podem ultrapassar 7 a 8 m de comprimento, com folíolos dispostos regularmente ao longo da raque. As inflorescências são interfoliares, protegidas por uma espata lenhosa, com flores creme a amareladas, sendo a planta monoica (flores masculinas e femininas na mesma planta). Os frutos são drupas oblongas (cocos), de 8 a 15 cm de comprimento, reunidos em grandes cachos pesados; cada fruto apresenta epicarpo fibroso, mesocarpo amiláceo e endocarpo muito lenhoso e duro, contendo de 3 a 6 amêndoas oleaginosas.
Uso e ecologia
É uma das palmeiras de maior importância econômica e social do Brasil, sustentando o extrativismo de milhares de famílias, sobretudo das quebradeiras de coco-babaçu no Maranhão e Piauí. Das amêndoas extrai-se óleo comestível e industrial, usado em alimentação, sabões, cosméticos e biocombustíveis; a torta residual serve de ração. O mesocarpo amiláceo é transformado em farinha de uso alimentar. O endocarpo lenhoso fornece carvão de alto poder calorífico. As folhas (palha) são usadas em coberturas, cestaria, esteiras e artesanato, e o estipe fornece material de construção rústica e palmito.
Palmeira heliófila e pioneira, extremamente resistente ao fogo e a distúrbios, o que explica a formação de babaçuais densos em áreas degradadas e abandonadas. A resistência das plântulas, cujo meristema permanece protegido no solo nos estágios iniciais, confere alta capacidade de regeneração após queimadas. Desempenha papel relevante na cobertura de solos perturbados e na manutenção de meios de vida em áreas de transição entre biomas.
Floresce e frutifica ao longo de boa parte do ano, com produção de cachos de forma quase contínua nas populações naturais; a frutificação tende a se concentrar e intensificar na estação seca, período de maior coleta dos cocos.
Os frutos e amêndoas são consumidos por diversos mamíferos e roedores, como cutias e caititus, além de macacos, que atuam na dispersão das sementes. Larvas de besouros bruquídeos e de curculionídeos (como o gorgulho) desenvolvem-se nas amêndoas. As flores atraem abelhas e outros insetos, contribuindo para a oferta de recursos à fauna polinizadora.
Plantio e silvicultura
A propagação é feita por sementes (amêndoas), que apresentam dormência acentuada e germinação lenta, irregular e prolongada, podendo levar muitos meses a anos quando não tratadas. O endocarpo extremamente duro dificulta a germinação, sendo recomendados tratamentos pré-germinativos como quebra ou desgaste do endocarpo e embebição em água para acelerar e uniformizar o processo.
As mudas formam-se lentamente em viveiro, exigindo recipientes profundos devido ao desenvolvimento inicial subterrâneo do meristema e da raiz. O crescimento juvenil é demorado, com longa fase em que a planta permanece sem estipe aparente (fase acaule).
Tradicionalmente manejada por extrativismo em populações naturais, mais do que por plantio comercial sistemático. O manejo dos babaçuais inclui controle de densidade, roçada e conservação de matrizes produtivas. Plantios são pouco frequentes em razão da germinação difícil e do crescimento lento.
Crescimento lento, especialmente na fase juvenil, levando vários anos até a emissão do estipe e o início da produção de frutos. Após estabelecida, é planta longeva e de produção contínua.
Adapta-se a climas tropicais quentes, com estação seca definida, sendo típica de zonas de transição entre clima úmido amazônico e clima semiárido. Tolera bem períodos de seca e ambientes sujeitos a fogo.
Ocorre em ampla variedade de solos, inclusive pobres, compactados e degradados, mas desenvolve-se melhor em solos profundos e com boa umidade. Sua presença em áreas alteradas reflete grande rusticidade e tolerância a condições adversas.