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Foto de Aroeira-pimenteira

Foto: Forest & Kim Starr (CC BY 3.0) via wikimedia

Aroeira-pimenteira

Schinus terebinthifolius

Anacardiaceae Mata AtlânticaCerradoCaatinga
  • 2 a 10 m (até 15 m)Altura
  • Médio portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: aroeira, aroeira-mansa, aroeira-vermelha, aroeira-da-praia, aroeira-do-campo, aroeira-branca, aroeira-comum, aroeirinha, falsa-aroeira, pimenta-rosa, fruta-de-sabiá, cambuí, corneíba, bálsamo

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertence à família Anacardiaceae, ordem Sapindales, dentro das angiospermas dicotiledôneas. Foi descrita por Raddi em 1820 e acumula vários sinônimos botânicos, como Schinus aroeira Vellozo e diferentes variedades atribuídas por Engler (var. acutifolia, var. pohlianus e var. rhoifolia). O nome do gênero remonta ao grego schinos, designação antiga da árvore-do-mástique, possivelmente ligado ao verbo schizein (cortar, incisar), referência ao corte feito na casca para extrair a resina. Já o epíteto terebinthifolius alude à semelhança das folhas com as do gênero Terebinthus, também da mesma família.

Descrição botânica

Apresenta forma biológica variável, indo de arbusto a árvore perenifólia. Em geral mede de 2 a 10 m de altura, com diâmetro de tronco (DAP) entre 10 e 30 cm, mas exemplares adultos podem alcançar 15 m e 60 cm de DAP. O tronco varia de reto a tortuoso, é curto e inclinado, com fuste de até 11 m em ambiente florestal. A ramificação é dicotômica e cimosa, formando copa baixa que, em árvores isoladas, fica arredondada, densa e larga. A casca atinge 15 mm de espessura; externamente é cinza-escura a quase preta, áspera, sulcada e escamosa, soltando-se em placas, enquanto a interna é avermelhada e fibrosa, com odor marcante e exsudação de terebintina. As folhas são compostas, imparipinadas e alternas, com 9 a 11 folíolos sésseis, membranáceos e glabros, de margem serreada a lisa; uma característica útil para identificação é a ráquis com ala estreita entre os pares de folíolos, e os brotos jovens são avermelhados. As flores, pequenas e numerosas, vão do branco-amarelado ao branco-esverdeado e se reúnem em panículas axilares ou terminais de 4 a 10 cm. O fruto é uma drupa globosa de 4 a 5,5 mm de diâmetro, com exocarpo brilhante e semitransparente que fica vermelho-vivo a róseo ou purpúreo quando maduro; o endocarpo, lignificado, contém óleo e, ao ser macerado, lembra o cheiro de manga verde. Cada fruto guarda uma única semente reniforme de tegumento liso e amarelo-claro.

Uso e ecologia
paisagismorecuperação de áreasmedicinalalimentícioapícolamadeireiro
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,80 g/cm³ a 12% de umidade; massa específica básica de 0,49 g/cm³ aos 7 anos), de superfície lisa, textura fina, grã direita e durabilidade natural prolongada; o alburno é róseo-claro-pardacento e o cerne branco-rosado-claro. De pouco valor comercial, é empregada sobretudo como mourões de cerca, além de render lenha e carvão de boa qualidade (poder calorífico da madeira de 4.632 a 4.891 kcal/kg e do carvão de 8.047 a 8.078 kcal/kg). Não serve para celulose e papel. Da casca se extraem um pigmento para tingir e reforçar redes de pesca, uma resina aromática conhecida como mástique e até 10% de taninos usados em curtume. Da semente obtém-se óleo volátil com ação inseticida comprovada contra a mosca-doméstica. A forragem é aproveitada principalmente por caprinos (9,7% a 11,5% de proteína bruta), com a ressalva da presença de mimosina e taninos. Os frutos têm grande valor alimentício: vendidos como pimenta-rosa, substituem a pimenta-do-reino em pratos variados, especialmente em molhos para carnes brancas, e foram incorporados à culinária europeia, sobretudo à francesa. As propriedades medicinais são atribuídas a todas as partes da planta (casca, ramos, folhas, frutos e resina), com usos populares antitérmico, adstringente, cicatrizante, depurativo e contra problemas respiratórios, urinários e digestivos, recomendando-se cautela pelo seu caráter tóxico. No paisagismo é apreciada pela folhagem, pela floração prolongada e pela frutificação persistente, embora possa provocar alergias em pessoas sensíveis.

Aspectos ecológicos

É classificada como pioneira a secundária inicial, com alguns autores apontando tendência a secundária tardia em razão do comportamento de germinação. Frequente na vegetação secundária em todos os estágios de capoeira, aparece em encostas, margens de rios, campos e áreas abandonadas, onde se comporta como invasora. Habita a Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica), a Floresta Ombrófila Mista (com araucária), as florestas estacionais semidecidual e decidual, além das restingas, onde é abundante e confere caráter lenhoso às dunas, especialmente perto dos mangues em Pernambuco. Ocorre ainda, esporadicamente, na Caatinga, no Cerrado e no Cerradão. Em levantamento feito em Itutinga (MG) registraram-se duas árvores por hectare.

Floração e frutificação

A floração é irregular e pode acontecer duas vezes ao ano, com épocas que variam conforme a região: de julho a setembro em Minas Gerais, de agosto a março em São Paulo, de outubro a março no Paraná, de novembro a março no Rio Grande do Sul, de março a junho no Rio de Janeiro, em abril em Alagoas e de maio a junho na Bahia; a planta floresce precocemente, já a partir do primeiro ano. Os frutos amadurecem de janeiro a fevereiro no Rio de Janeiro, de janeiro a maio no Paraná, em março no Espírito Santo, de março a outubro em São Paulo, de maio a junho no Rio Grande do Sul e em julho em Sergipe, persistindo por longo tempo na planta. Há grande variação entre indivíduos, o que torna difícil precisar as épocas exatas.

Fauna associada

A planta é monóica (embora haja autores que a considerem dióica) e a polinização é feita sobretudo por abelhas das famílias Meliponidae e Apidae, como a abelha-europeia ou africanizada (Apis mellifera), a jataí (Tetragonisca angustula), a iraí (Nannotrigona testaceicornis), a jataí-da-terra (Paratrigona subnuda), as mirins (Plebeia remota) e a mirim-preguiça (Friesella schrottkyi), além de Halictidae. A dispersão é amplamente zoocórica, principalmente por aves, sendo a espécie uma das mais procuradas pela avifauna; também já se observou dispersão por formigas (mirmecoria) no solo. As flores fornecem pólen e néctar de bom potencial apícola.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos quando mudam do verde para o róseo-vermelho-vivo. As sementes são extraídas por maceração dos frutos, lavadas em água corrente para remover a casca e depois secas em peneiras, em ambiente ventilado. Cada quilo reúne de 31 mil a 42 mil sementes, que não apresentam dormência. Por terem comportamento não recalcitrante, toleram secagem em temperaturas de até 40ºC; com 7,8% de umidade, conservam-se em câmara seca por cerca de 360 dias (perda de germinação em torno de 23%), ou em câmara fria com embalagem plástica por até 180 dias (perda próxima de 33%). Em laboratório germinam tanto no claro quanto no escuro, sendo estimuladas pela luz, com temperatura ideal entre 25ºC e 30ºC.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e repicar as plântulas para sacos de polietileno ou tubetes médios de polipropileno, de 3 a 5 semanas após a germinação. A germinação é epígea e começa entre 10 e 70 dias após a semeadura, com alto poder germinativo (média de 80%). As mudas, dotadas de raiz pivotante profunda e muitas raízes superficiais, atingem porte adequado para o campo cerca de 4 meses após a semeadura, podendo ser levadas com 20 a 80 cm de altura. Sombreamentos acima de 50% prejudicam o desenvolvimento. A espécie também se propaga com facilidade por estaquia, com bom enraizamento de estacas de ramos finos e de raízes.

Características silviculturais

Espécie heliófila, deve ser plantada a pleno sol. A tolerância a geadas varia conforme a intensidade do inverno, indo de tolerante a sensível no primeiro ano, com queima dos brotos terminais; árvores adultas em mata natural suportam mínimas de até -10ºC. O hábito é tortuoso, sem dominância apical, com ramificação pesada, bifurcações e multitroncos, e desrama natural fraca, exigindo podas frequentes de condução. Rebrota com vigor após corte ou passagem do fogo, inclusive a partir das raízes. É indicada para sistemas silvipastoris, dando sombra e arborizando pastos, além de servir para cercas vivas e palanques; nesses arranjos prevê-se rotação de corte de 7 a 8 anos. O número cromossômico é 2n = 28.

Crescimento e produção

O crescimento em volume é moderado, com produção máxima registrada de 12 m³ por hectare ao ano aos 10 anos de idade. Os plantios experimentais mostraram alta sobrevivência, de 67% a 100%. Para produção de mourões estima-se rotação de 10 a 20 anos.

Clima

A precipitação média anual onde ocorre vai de 700 mm, no Rio Grande do Norte, a 2.700 mm, em São Paulo, com chuvas bem distribuídas no Sul (exceto o norte do Paraná) e concentradas no verão nas demais regiões. A deficiência hídrica varia de nula, no Sul e no litoral sudeste, a forte, no norte-central de Minas Gerais e no Rio Grande do Norte. A temperatura média anual oscila entre 13,2ºC (São Joaquim, SC) e 27ºC (Cruzeta, RN), e a mínima absoluta chegou a -11,6ºC em Xanxerê (SC), podendo atingir -15ºC na relva. As geadas vão de 0 a 30 por ano, com máximo de 57 no Sul. Os tipos climáticos de Köppen incluem o tropical (Af, As, Am e Aw), o temperado úmido (Cfb), o subtropical úmido (Cfa) e o subtropical de altitude (Cwa e Cwb).

Solos

Adapta-se a uma grande diversidade de solos, de pobres a férteis, úmidos ou secos, arenosos ou argilosos, desde que tenham drenagem boa a regular, e suporta inundação e encharcamento. Em plantios experimentais, o melhor desempenho ocorreu em solos de fertilidade média a alta, bem drenados e de textura argilosa a areno-argilosa.