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Foto de Araticum-da-mata

Foto: Thomaz Ricardo Favreto Sinani (CC BY) via GBIF

Araticum-da-mata

Rollinia sylvatica (A. St.-Hil.) Mart.

Annonaceae Mata AtlânticaCerradoCaatinga
  • até 15 mAltura
  • Médio portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: ariticum-da-mata, araticum, araticum-do-mato, pinha-do-campo, cortiça, maria-branca, ariticum, embira, embira-de-araticum, quaresma, quaresmeira, cortiça-de-ouro, araticu, araticum-pêssego, embira-vermelha, pinha

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

A espécie pertence à família Annonaceae, gênero Rollinia, e foi descrita como Rollinia sylvatica (A. St.-Hil.) Mart., com publicação na Flora Brasiliensis de Martius (v. 13, n. 1, p. 18, 1841). Segundo o sistema do Angiosperm Phylogeny Group (APG II), está classificada entre as Magnoliídeas, na ordem Magnoliales. Já é considerável a sinonímia botânica registrada na literatura, sendo as designações mais comuns Annona sylvatica St. Hil. e Annona silvestris Vell. O nome do gênero, Rollinia, foi atribuído por Saint-Hilaire como homenagem a Charles Rollin, enquanto o epíteto sylvatica remete às selvas, em referência ao hábito da planta de crescer no interior das florestas.

Descrição botânica

De hábito perenifólio, a planta pode se apresentar como arbusto, arvoreta ou árvore. Os exemplares de maior porte chegam a cerca de 15 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo) na fase adulta. O tronco é reto a ligeiramente inclinado, com fuste curto de até 6 m. A ramificação é cimosa e forma uma copa globosa e densa, de folhagem verde-escura; os ramos novos exibem lenticelas visíveis nas pontas e cobertura abundante de pêlos simples, eretos e ferrugíneos. A casca atinge até 5 mm de espessura, com superfície externa rugosa e tom castanho-acinzentado. As folhas são simples, alternas, de textura papirácea e geralmente obovadas, medindo de 4 a 12 cm de comprimento por 3 a 6,3 cm de largura, com ápice de formato bastante variável (agudo-acuminado, arredondado, obtuso ou raramente emarginado), margem inteira e base aguda; o pecíolo, de 0,5 a 1,3 cm, é profundamente sulcado e densamente piloso, e a face inferior do limbo apresenta pêlos eretos, curvos ou crespos, nunca encostados à superfície. As inflorescências reúnem em geral de 1 a 2 flores, eventualmente 3, em diferentes estágios de desenvolvimento, cada qual sobre um pedicelo inserido em pedúnculo curto. As flores são monóclinas, com cálice de três sépalas largamente obovado-deltóides. Os frutos são globosos, amarelos, de 3 a 5 cm de comprimento, com superfície rugosa e aréolas bem marcadas. As sementes têm formato cuneiforme e coloração escura, tornando-se pretas no fruto maduro, e medem de 10 a 11 mm por 7 a 8 mm; a polpa branca adere fortemente a cada uma delas, o que torna muito difícil separá-las durante a mastigação.

Uso e ecologia
alimentíciopaisagismorecuperação de áreasmedicinalmadeireiro
Produtos e utilizações

Os frutos têm sabor apreciado e a árvore é cultivada em alguns pomares do Rio Grande do Sul; além do consumo in natura, a fermentação dos frutos rende uma bebida vinosa tida como estomáquica e refrescante. Na medicina caseira, o decocto dos frutos verdes é tomado contra a diarreia, e a casca, em fumigação, é empregada em casos de menstruação excessiva. Da casca também se extraem fibras para a confecção de cordas grosseiras. A madeira é leve, de coloração branco-acinzentada, com baixa durabilidade e pouca resistência às intempéries; sem valor econômico para serraria, presta-se ocasionalmente a tábuas de forro, caixotaria e cabos de ferramentas, além de fornecer lenha de qualidade razoável. A espécie também é adequada à produção de celulose e papel. Estudos fitoquímicos isolaram dos frutos secos a silvaticina, uma acetogenina inédita com forte ação citotóxica contra células de tumores humanos e potencial como inseticida.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie secundária inicial a clímax exigente em luz, característica de formações secundárias, onde é bastante comum e costuma formar agrupamentos em pastagens (potreiros); torna-se rara, porém, no interior da floresta primária. Ocorre na Floresta Estacional Decidual e Semidecidual, na Floresta Ombrófila Densa e na Floresta Ombrófila Mista (com araucária), bem como no Cerrado stricto sensu, na Caatinga do norte de Minas Gerais e em ambientes fluviais ou ripários. As densidades registradas chegam a 29 indivíduos por hectare em Floresta Estacional Semidecidual e a até 5 indivíduos por hectare em ambientes ripários.

Floração e frutificação

A floração ocorre de setembro a novembro em Minas Gerais, de outubro a novembro em São Paulo e de outubro a fevereiro no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem de novembro a março em Minas Gerais, de novembro a maio no Rio Grande do Sul, de janeiro a março em São Paulo e de janeiro a abril no Paraná.

Fauna associada

A polinização é feita essencialmente por besouros da família Nitidulidae, dos gêneros Colopterus e Brachypelus. A dispersão das sementes é zoocórica, com destaque para o bugio ou guariba (Alouatta guariba). Os frutos atraem ainda diversas aves, como papagaios, periquitos, jandaias, sebinhos, maracanãs e sabiás-cica, além de araras.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos podem ser colhidos maduros diretamente da árvore ou recolhidos do chão após a queda natural. Para liberar as sementes, devem ser triturados, macerados e lavados, separando a semente da polpa; em seguida, as sementes são levadas a peneiras para secar. Cada quilo reúne cerca de 2.800 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. Por terem comportamento recalcitrante, mantêm a viabilidade por pouco tempo, não passando de 90 dias em ambiente não controlado.

Produção de mudas

Recomenda-se semear duas sementes por recipiente, em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubetes de polipropileno médios (120 cm³). Quando necessária, a repicagem é feita de 3 a 5 semanas após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa entre 20 e 100 dias após a semeadura, com alto poder germinativo (até 90%). As mudas permanecem no viveiro por pelo menos 6 meses após a semeadura.

Características silviculturais

A espécie é capaz de emitir propágulos horizontais subterrâneos que dão origem a brotações verticais, surgindo a alguma distância da árvore-mãe e com aparência de mudas. Desenvolve-se melhor em plantios mistos e rebrota vigorosamente em áreas roçadas a pleno sol, o que dificulta sua eliminação. O número cromossômico registrado é 2n = 56.

Crescimento e produção

O crescimento é lento. Aos 8 anos, a espécie registrou incremento médio anual em volume de 4,80 m³ por hectare ao ano. Em plantios mistos no Paraná, exemplares aos 7 anos (espaçamento 5 x 5 m) atingiram altura média de 7,10 m e DAP médio de 13 cm, e aos 8 anos (espaçamento 3 x 2,5 m) chegaram a 8,14 m de altura e 9,5 cm de DAP, com 100% de sobrevivência em ambos os casos.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 1.000 mm, na Bahia, a 3.700 mm, na Serra de Paranapiacaba (SP), com chuvas bem distribuídas no Sul (exceto no norte do Paraná) e periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica varia de nula, no Sul e nas serras paulistas, a forte, no oeste da Bahia. A temperatura média anual fica entre 16,6 ºC (Rio Negro, PR) e 23,7 ºC (Rio de Janeiro, RJ), tolerando mínimas absolutas de até -7,4 ºC e, na relva, até -10 ºC, com média de 0 a 6 geadas anuais e máximo de 20 na Região Sul. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Prefere solos úmidos, permeáveis, profundos, de textura argilosa ou arenosa e fertilidade química média a alta, mas sua grande rusticidade lhe permite tolerar também outros tipos de solo.