voltar ao catálogo

Araribá-rosa

Centrolobium robustum

Fabaceae Mata Atlântica
  • 7 a 15 m (até 30 m)Altura
  • Médio portePorte
MadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: araribá, aribá-amarelo, araribá-robusto, erarobá, escovinha, iriribá, lei-nova, putumuju, putumuju-gigante

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Fabaceae (subfamília Papilionoideae), o araribá-rosa tem como nome científico Centrolobium robustum (Vellozo) Martius ex Bentham, descrito em 1837. Entre seus sinônimos botânicos figuram Centrolobium robustum (Vellozo) Bentham ex Martius, Centrolobium robustum var. macrochaete Martius ex Bentham e Nissolia robusta Vell. O nome do gênero deriva do grego kentron, que significa esporão, somado a lobium, referência às vagens; o epíteto robustum alude tanto ao porte elevado que a planta alcança quanto às sâmaras de grandes dimensões, notáveis dentro do gênero.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore semicaducifólia que normalmente mede de 7 a 15 m de altura e apresenta DAP de 20 a 40 cm, mas na fase adulta pode chegar a 30 m de altura e 90 cm de DAP. O tronco é reto e cilíndrico, com sapopemas na base, e o fuste alcança até 12 m. A ramificação é dicotômica e forma uma copa ampla, larga e bem densa de folhagem. A casca chega a 10 mm de espessura; a parte externa, cinzento-clara a pardo-acinzentada, mostra-se levemente fissurada e desprende pequenas placas junto à base. As folhas são compostas, com 13 a 23 folíolos ovados a ovado-lanceolados, planos e assimétricos, de base cordada ou arredondada e ápice agudo ou curto-acuminado; têm consistência membranácea a levemente cartácea, com a face superior glabrescente e a inferior pubescente (tomentosa sobre a nervura central), medem de 6 a 18 cm de comprimento por 3 a 9 cm de largura e exibem pontuações resiníferas. As flores têm corola amarelo-alaranjada de 17 a 18 mm e cálice de tom castanho-escuro tomentoso, agrupadas em panículas fusco-ferrugíneas de 20 a 30 cm. O fruto é uma sâmara achatada e glabra, de 18 a 28 cm por 6 a 12 cm, com estípete de 1 a 2 cm; o núcleo onde ficam as sementes é coberto por inúmeros espinhos glabros e brilhantes de 1,5 a 5 cm e dividido internamente em câmaras monospérmicas por 2 a 3 septos; a ala é coriácea e a planta produz de 1 a 3 sementes por fruto. As sementes são oblongo-reniformes, separadas por septos transversais, sem albume e com tegumento que vai do castanho-avermelhado ao castanho-escuro.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasapícolaenergia
Produtos e utilizações

A madeira serrada e roliça tem aplicações semelhantes às dos demais araribás; no início dos anos 1990, o metro cúbico serrado era cotado em torno de US$ 800 no mercado de Vitória (ES). A lenha produzida é de boa qualidade, embora a espécie não sirva para celulose e papel. A casca contém tanino, e a forragem reúne de 11% a 17% de proteína bruta e de 4,7% a 6,7% de tanino. No paisagismo, presta-se à arborização de ruas largas e, sobretudo, de praças e parques. Quanto à madeira em si, é moderadamente densa (0,70 a 0,80 g/cm³ a 15% de umidade); o cerne varia em tons róseo-acastanhados, com frequência apresentando veios ou manchas e reflexos alaranjados. A superfície é bastante lustrosa e moderadamente lisa, o cheiro é agradável porém discreto, o gosto indistinto, a textura média e desigual e a grã reta ou irregular. As madeiras dos três araribás descritos na obra são bastante parecidas entre si.

Aspectos ecológicos

É classificada como espécie secundária tardia. Aparece em matas primárias, por vezes como árvore emergente, e também em florestas secundárias. Do ponto de vista fitoecológico, ocorre na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica), na formação Baixo-Montana, e nas matas de encosta da Serra do Mar, onde prefere os locais mais úmidos e de menor altitude.

Floração e frutificação

A floração ocorre de outubro a janeiro no Rio de Janeiro, de dezembro a fevereiro em São Paulo e de dezembro a abril no Paraná. Os frutos amadurecem de junho a dezembro no Paraná, de julho a agosto no Rio de Janeiro, de agosto a outubro no Espírito Santo e de setembro a novembro na Bahia. Em plantios situados em locais favoráveis, a reprodução pode começar já aos 2 anos de idade.

Fauna associada

A planta é hermafrodita e sua polinização é feita principalmente por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica: levados pelo vento, podem ser transportados a distâncias consideráveis.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser recolhidos do chão logo após a queda, pois é o próprio fruto que funciona como unidade de dispersão; convém cortar a asa no momento da semeadura ou do armazenamento. Cabem de 52 a 70 frutos por quilo e não é preciso tratar a dormência. Frutos com poder germinativo inicial de 88%, guardados em sacos de aniagem sem controle de ambiente, baixaram a germinação para 28% após 8 meses.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e depois repicar para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes grandes de polipropileno, fazendo a repicagem 1 a 2 semanas após o início da germinação. A germinação é epígea, com hipocótilo alongado, começa entre 14 e 60 dias após a semeadura e atinge em média 80% dos frutos. Em parcelas experimentais da região de Paranaguá (PR), 71,2% dos frutos produziram uma semente germinada, 26,4% duas e 2,4% três. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 5 meses após a semeadura. As raízes associam-se a Rhizobium, formando nódulos globosos com atividade da nitrogenase; aos 4 meses ainda não se observou nodulação em mudas, mas aos 12 meses houve nodulação espontânea em viveiro da Embrapa Florestas, em Colombo (PR), em solo com Rhizobium de bracatinga (Mimosa scabrella). A espécie também forma micorrizas arbusculares e pode ser propagada por estacas caulinares.

Características silviculturais

É uma espécie heliófila que suporta sombreamento na fase juvenil, mas não tolera temperaturas baixas. Na juventude costuma apresentar boa forma, com desrama natural e boa cicatrização, exigindo apenas poda de condução para corrigir bifurcações. Pode ser cultivada a pleno sol em plantio puro, em áreas de 0,5 ha ou mais, com bom desempenho e regeneração natural, ou a pleno sol em plantio misto, junto a pioneiras ou tutorando espécies secundárias-clímax; após o corte, rebrota com vigor. Em sistemas agroflorestais, é empregada para arborizar culturas, como no sombreamento do cacaueiro (Theobroma cacao) no sul da Bahia, e é indicada para a arborização de pastagens.

Crescimento e produção

Apresenta crescimento moderado. Em plantio puro em Linhares (ES), alcançou incremento médio anual de até 11,80 m³/ha/ano em volume, aos 9 anos. Há registro de que o crescimento em altura estagnou por volta dos 11 anos. Dentro do gênero Centrolobium, o araribá-rosa cresce em ritmo intermediário entre C. tomentosum e C. microchaete. Todo o material genético usado pela Embrapa Florestas nos plantios experimentais veio da região de Linhares (ES), onde a espécie não ocorre naturalmente. Em Colombo (PR) e Ponta Grossa (PR), o crescimento foi muito ruim por causa das geadas.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.100 mm, no Rio de Janeiro, a 2.700 mm, em São Paulo, com chuvas bem distribuídas no litoral paulista, no Rio de Janeiro e na Bahia, e mais concentradas no verão no norte do Espírito Santo, onde há deficiência hídrica de pequena a moderada no inverno. A temperatura média anual fica entre 21,4 ºC (Ubatuba, SP) e 23,7 ºC (Rio de Janeiro, RJ); a média do mês mais quente vai de 22 ºC (Caraguatatuba, SP) a 26,7 ºC (Ubatuba, SP) e a do mês mais frio de 17,2 ºC (Ubatuba, SP) a 21,3 ºC (Rio de Janeiro, RJ), com mínima absoluta registrada de 1,1 ºC (Ubatuba, SP). As geadas são raras na Região Sudeste, no máximo três por ano. O clima é tropical (Af e Am) na área natural; a espécie foi introduzida com sucesso em clima subtropical de altitude (Cwa) e subtropical úmido (Cfa), mas em clima temperado úmido (Cfb) sofre com as geadas, mesmo em capoeira alta.

Solos

Não é exigente quanto ao solo. Em experimentos e plantios de comprovação no Paraná, cresceu melhor em solos de alta fertilidade química, profundos, bem drenados e de textura franco-argilosa a argilosa. No Espírito Santo, teve desempenho satisfatório mesmo em solos de baixa fertilidade química e de textura variando de arenosa a franco-argilosa.