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Foto de Araribá

Foto: Diogo Luiz (CC BY) via GBIF

Araribá

Centrolobium tomentosum

Fabaceae Mata AtlânticaCerrado
  • 5 a 15 m (até 35 m)Altura
  • Médio portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: araruva, araraúba, araribá-amarelo, araribá-branco, araribá-carijó, araribá-grande, ararivá, arivá, araribá-rajado, araribá-rosa, araribá-tinga, araribá-uva, araribá-vermelho, araroba, araruva-vermelha, arauba, potumuju, potumuju-roxo, putumuju-piloso, arerivá, aribá, baracutiara, carijó, eriribá-roxo, gororoba, guaraoava, guararoava, guararoba, iriribá, iriribá-rosa, lei-nova, lerivá, óleo-amarelo, pau-rainha, putumuju, tipiri

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

A araruva pertence à família Fabaceae (Leguminosae, subfamília Papilionoideae), na ordem Fabales. Seu nome científico é Centrolobium tomentosum, descrito por Guillemin e publicado por Bentham em 1840. O nome do gênero combina os termos gregos para esporão e lóbulo, numa referência ao apêndice espinhoso existente na base da sâmara; o epíteto tomentosum descreve a cobertura de pelos longos, densos e entrelaçados que reveste a planta. Além de araruva, a espécie recebe dezenas de nomes regionais pelo Brasil, entre eles araribá e suas variações, putumuju (na Bahia e no Espírito Santo) e pau-rainha. Na Bolívia é conhecida como tejeyeque.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore caducifólia que perde toda a folhagem no inverno. Em geral mede de 5 a 15 m de altura com tronco de 20 a 50 cm de diâmetro (DAP), mas, quando adulta, pode chegar a 35 m e 100 cm de DAP. O tronco é reto e cilíndrico, com sapopema na base e fuste que alcança até 12 m. A ramificação é dicotômica e a copa, ampla e densa em folhagem. A casca chega a 15 mm de espessura: por fora é cinza-clara a parda-acinzentada, quase lisa ou com leves fissuras longitudinais, exibindo manchas brancas e líquens; por dentro é amarelada. As folhas são compostas, imparipinadas e alternas, com 11 a 19 folíolos e 25 a 45 cm de comprimento; os folíolos são ovado-lanceolados, pilosos nas duas faces, com a inferior coberta de pelos ferrugíneos, medindo de 7 a 18 cm de comprimento por 4 a 10 cm de largura. As flores têm cálice castanho-escuro tomentoso e corola amarelo-alaranjada de 12 a 19 mm, agrupadas em panículas terminais bastante ramificadas de 18 a 30 cm. O fruto é uma sâmara de 12 a 22 cm provida de larga asa coriácea e tomentosa, com espinho estilar de 2,5 a 4,5 cm e núcleo seminífero coberto de acúleos. Dentro do núcleo ficam de 1 a 3 sementes parecidas com pequenos feijões, de 1,5 a 2,0 cm.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalalimentícioenergético
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,67 a 0,80 g/cm³ a 15% de umidade; massa específica básica de 0,55 a 0,58 g/cm³), de superfície lustrosa e textura média, com cerne em tons de amarelo ou rosa frequentemente marcado por veios vermelho-escuros e reflexos alaranjados. Tem cheiro característico, durabilidade alta e boa resistência a cupins e fungos, embora rache com facilidade na secagem. É empregada em construção civil e naval, obras externas e hidráulicas, tacos, carpintaria, marcenaria de luxo, móveis finos, torneados, lambris, postes, mourões, vigamentos de pontes, cercas, hélices de pequenos aviões e cabos de ferramentas; serve também para tanoaria, sendo usada no Paraná para fabricar barris da aguardente chamada araribá. Como combustível, gera lenha e carvão de boa qualidade (poder calorífico de 4.339 kcal/kg na madeira e 4.511 kcal/kg na casca). As raízes e cascas fornecem corante. A casca é notável pelo teor de tanino (28% a 43%): entre as 142 plantas tanantes conhecidas no mundo, a araruva é a de maior porcentagem de tanino na casca. As sementes são apreciadas no meio rural, com sabor comparado ao do amendoim. Não é adequada para celulose e papel.

Aspectos ecológicos

A araruva varia de secundária inicial, ocupando clareiras e bordas de mata, a secundária tardia ou clímax exigente em luz. Sua densidade é irregular: ora aparece esparsa, ora em maciços quase puros, formando reboleiras em capoeirões, já que rebrota de troncos jovens e de raízes. É moderadamente longeva e prefere matas mais secas do que C. robustum. Ocorre na Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica), nas Florestas Estacionais Semidecidual e Decidual Submontanas (oeste da Bahia) e, eventualmente, no Cerradão. Em levantamento à margem do Rio do Peixe, em São Paulo, registraram-se 9 árvores por hectare junto ao rio e 59 por hectare na encosta. É uma grande produtora de folhedo, chegando a cerca de 425 kg/ha/ano e enriquecendo o solo com nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e enxofre; tem grande potencial na recuperação de matas ciliares, em locais com ou sem inundação temporária.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de novembro a março no Rio de Janeiro, de dezembro a junho em São Paulo, de dezembro a abril no Paraná e de janeiro a fevereiro na Bahia, em Goiás, em Minas Gerais e no Distrito Federal. Os frutos amadurecem de abril a outubro em Minas Gerais e São Paulo, em junho na Bahia, de junho a outubro no Paraná, de julho a agosto no Espírito Santo e de julho a setembro no Rio de Janeiro. Em plantio em Pernambuco, os frutos maduros surgiram de agosto a outubro. No Paraná, em sítios adequados, a planta começa a reproduzir-se a partir dos 2 anos de idade.

Fauna associada

A planta é hermafrodita e a polinização é feita principalmente por abelhas grandes, generalistas, de voo longo e que atuam no alto da copa. A dispersão é anemocórica: as sâmaras são levadas pelo vento por curtas distâncias. Ocasionalmente os frutos são transportados por pequenos roedores, que, no entanto, parecem agir apenas como predadores. As sementes germinam, mas não se desenvolvem sem luz, formando banco de plântulas.

Plantio e silvicultura
Sementes

A colheita deve ser feita quando a sâmara muda de cor, ficando parda ou marrom-escura, tanto direto da árvore quanto recolhendo os frutos caídos no chão (neste caso, com coletas semanais). O fruto é a unidade de disseminação; convém cortar a asa para facilitar a semeadura e o armazenamento. Recomenda-se mergulhar os frutos em água por 24 horas, descartando os que boiarem e usando os que afundarem. Cabem de 55 a 120 frutos com asa por quilo, ou cerca de 60 a 110 frutos sem asa. A espécie não tem dormência, mas a imersão em água por 24 a 48 horas favorece a germinação. Em ambiente não controlado, a viabilidade das sementes é inferior a 6 meses; sob refrigeração a 5 ºC, mantêm o poder germinativo por até 1 ano.

Produção de mudas

Os frutos podem ser semeados em sementeiras, para posterior repicagem, ou diretamente em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou ainda em tubetes grandes. A repicagem é feita de 2 a 4 semanas após a germinação e quase sempre é necessária, pois costuma emergir mais de uma plântula por fruto. A germinação é epígea, com hipocótilo alongado: nos frutos semeados ela começa entre 15 e 60 dias, mas a semeadura a partir da semente é mais eficiente, germinando em média ao sexto dia, com cerca de 70% de germinação em 90% dos frutos. As mudas atingem porte adequado para o plantio cerca de 6 meses após a semeadura, e as de raiz nua pegam bem, mesmo quando grandes. A araruva tem raiz pivotante acentuada e suas raízes associam-se a Rhizobium, formando nódulos com atividade de fixação de nitrogênio (na Bolívia, porém, não se constataram nódulos). A propagação vegetativa é possível por estacas de galhos e de raízes, que brotam de 20 a 30 dias após o plantio, e por enxertia, com bom índice de pegamento na borbulhia (71,7%) e menor na garfagem (16,7%).

Características silviculturais

Espécie heliófila que tolera sombra na fase juvenil, mas torna-se exigente em luz quando adulta. É sensível a baixas temperaturas, porém rebrota com vigor a partir do colo. A maioria das plantas cresce de forma monopodial, com poucas bifurcações, e apresenta boa desrama natural e cicatrização, exigindo apenas poda de condução para corrigir bifurcações. Pode ser plantada a pleno sol, em plantio puro (com boa deposição de folhedo e regeneração natural razoável) ou misto, associada a pioneiras ou tutorando espécies secundárias a clímax, e ainda em faixas abertas em capoeirões, em áreas sem geadas muito severas. Brota intensamente da touça, de troncos jovens e de raízes gemíferas. É usada na arborização de culturas, como no sombreamento do cacaueiro no sul da Bahia e na arborização de pastos; na Bolívia, entra em sistemas agroflorestais e na produção de madeira.

Crescimento e produção

O crescimento em altura é bastante variável. Em ensaios da Embrapa Florestas foram testadas duas procedências, Carlópolis (PR) e Lorena (SP), com ligeira vantagem para a segunda. O ritmo de crescimento vai de moderado a rápido: aos 20 anos, com densidade de até 400 plantas por hectare, estimou-se incremento volumétrico médio anual de 20 m³/ha. Na Bolívia, prevê-se uma rotação de 20 anos para o corte.

Clima

A precipitação média anual nas áreas de ocorrência vai de 1.000 mm em São Paulo a 2.100 mm na Bahia, alcançando 5.850 mm na Bolívia. As chuvas são uniformemente distribuídas no nordeste do Paraná e concentradas no verão, com inverno seco, nas demais regiões; a estação seca varia de pouco definida no norte do Paraná a até 3 meses, com déficit hídrico moderado no norte do Espírito Santo. A temperatura média anual fica entre 18,1 ºC (Itapeva, SP) e 25,6 ºC (Chapada dos Guimarães, MT), com mínima absoluta de -5 ºC (Telêmaco Borba, PR). O número de geadas por ano vai de 0 a 10 em média, podendo chegar a 18 no Paraná, mas predominam locais sem geadas ou com geadas raras. Os tipos climáticos (Köppen) são o tropical (Af, Am e Aw), o subtropical úmido (Cfa) e o subtropical de altitude (Cwa e Cwb).

Solos

No Brasil, a araruva ocorre naturalmente em terrenos de fertilidade química boa a média, tanto em solos rasos quanto profundos e em sítios secos ou úmidos. Em experimentos, cresce melhor em solos de boas propriedades físicas, bem drenados, férteis e de textura franco-argilosa a argilosa. Na Bolívia, aparece em solos jovens de origem aluvial, de baixa fertilidade, pobres em matéria orgânica, com pH entre 3,7 e 5,5, baixa capacidade de troca catiônica e saturação de alumínio entre 70% e 80%.